A evolução do SPFC de Diego Aguirre

Por Pedro Galante

Diego Aguirre chegou ao São Paulo sem muitas perspectivas de sucesso. A situação era de extrema insatisfação da torcida com o clube. Mas Aguirre contornou isso, criou um time competitivo e está entre as três melhores equipes do Brasileirão. A pergunta é: como Diego foi do inferno ao céu em pouco mais de três meses?

Não, não foi por acaso.  Aguirre traçou um plano para recuperar o bom futebol do São Paulo, o seguiu com paciência e determinação e colheu os frutos desse trabalho. A evolução foi acontecendo gradualmente e pode ser dividida em fases.

– Força defensiva

Aguirre chegou sob desconfiança da torcida e sabia que tinha de fazer algo para melhorar essa relação. A sua escolha foi inteligente: arrumar a defesa. Uma defesa sólida garante no mínimo o empate, e não perder é essencial para transmitir confiança.

Se com Dorival, a defesa era espaçada e frágil, com Aguirre é o oposto. Duas linhas de quatro compactas e sólidas, Jucilei entre essas linhas fazendo as devidas compensações, recusa de espaços e combate agressivo ao portador da bola.

O primeiro momento onde essas características ficaram bem evidentes foram as semifinais do Paulistão, contra o Corinthians.

A defesa era sólida, mas o ataque ainda deixava muito a deseja. Com dificuldades de criar perigo, seja propondo ou contra-atacando. Trellez era o único homem a frente, não se movimentava muito e não contava com apoio dos companheiros. O resultado era uma equipe previsível com a bola, que marcava os seus gols fazendo uma pressão muito intensa – principalmente no início dos jogos – para aproveitar os erros do adversário. Jogadas mais trabalhadas quase não existiam.

sp1Trellez sozinho numa jogada de contra-ataque contra o Corinthians. (Foto: Premiere/ Pedro Galante)

No entanto, graças a defesa, o São Paulo seguia sem perder – perdeu apenas duas partidas nesse período. A fase foi melhorando, e Aguirre tinha um cenário favorável para arriscar mais no ataque.

– Liberdade para Nenê

Nenê é a referência técnica do elenco tricolor. O que pesa é a sua idade, por isso Aguirre já desenvolvia mecanismos para o isentar de tarefas defensivas. Como visto no vídeo acima, Trellez fazia o lado e deixava Nenê mais solto. O talento de Nenê não vinha fazendo diferença pois ele ficava muito preso ao lado do campo, distante do gol.

Dar liberdade a Nenê foi essencial para melhorar ataque. Seu bom posicionamento e a rapidez de raciocínio compensavam a falta de explosão.

nene

Nenê com liberdade para aparecer por dentro e explorar as costas dos volantes. Jogada termina em gol do Nenê chutando de fora da área. (Instat/ Pedro Galante)

A criação ficou mais fluída com essas modificações, mas ainda não era suficiente. Nenê se movimentava pelo meio, mas o seu redor ainda era estático. Os pontas não davam opções a frente e Trellez não se movimentava. Para atingir um alto nível de fluidez, o ataque tricolor ainda precisaria mudar algumas peças.

– Chegada de Everton
Ninguém se saia bem pelo lado esquerdo. Valdívia, Lucas Fernandes e Nenê não rendiam na posição. Everton chegou e assumiu a titularidade com muita tranquilidade, inclusive se tornando personagem importante para o funcionamento do time. Everton agregou em todos os aspectos no ataque e na defesa.

Sua recomposição é importante para ajudar Reinaldo e manter o meio campo povoado. Ofensivamente, ele facilita muito o contra-ataque. Por ser veloz e incisivo em suas movimentações sempre está gerando opções em profundidade.

evertonNo momento em que o São Paulo recupera a bola, Everton parte em direção ao gol. (Foto: Premiere/ Pedro Galante)

– Diego Souza, centroavante com mobilidade

Trellez tem limitações técnicas e se movimenta muito pouco, sua presença dificultava a criação de chances. O jogo era bem construído até o meio, mas entrar com a bola no ultimo terço era uma dificuldade. A entrada e recuperação de Diego Souza mudou isso.

Diego não é um centroavante de origem, mas tem porte físico para tal. Ele passou a desempenhar um papel importante no time, como um centroavante móvel, que arrasta defensores e abre espaços mas continua tendo presença de área.

Com isso, Diego passou a ajudar a construção do jogo de duas formas. Sem a bola, segurando os defensores e criando espaços, principalmente para Nenê ou fazendo o pivô.

diegoDiego segura dois defensores e com ajuda de Everton, abre espaço para Nenê infiltrar.

E foi assim que Aguirre construiu a equipe do São Paulo que voltaremos a ver no dia 18, contra o líder Flamengo. Pode ser que o treinador tenha feito algumas pequenas alterações no time nesse período de pausa da Copa do Mundo, mas isso é algo que só poderemos ver quando o tricolor estiver de volta aos gramados.

@Pedro17Galante

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