Saída de três, agressividade sem a bola e time mais equilibrado: o que esperar de Tiago Nunes à frente do time principal do Atlético

Por André Frehse Ribas

Após anunciar a demissão de Fernando Diniz, o Atlético colocou seu interino à frente do seu time principal. Tiago Nunes, gaúcho, 38 anos, que conquistou o campeonato Paranaense 2018 com o time aspirante rubro-negro, tem a missão de comandar a reação Atleticana no Brasileiro, Copa do Brasil e na Sul-Americana. Aqui, no MW Futebol, vamos relembrar a forma que o Atlético atuou no Paranaense e como deve ser no Brasileiro. 

ORGANIZAÇÃO DEFENSIVA

No Paranaense, Tiago, em entrevista ao site O Lance, disse que sua primeira ação foi procurar trazer uma solidez defensiva. E conseguiu. O Furacão teve a melhor defesa do primeiro turno, levando apenas um gol. Esse deve ser o primeiro passo no rubro-negro. Um time organizado para depois colocar um jogo mais intuitivo e ofensivo.

Em sua formação base, no 4-2-3-1, o Furacão deve realizar modificações ao se defender e ao atacar, mudando sua estrutura operacional.

No 4-4-2 sem a bola, o bom desempenho defensivo passou muito pelo comportamento dos atletas. Logo que perdiam a bola, eles procuravam pressionar o adversário e tentar recuperá-la o mais rápido possível. Caso não conseguisse, se recompunha e fechava os espaços de forma compacta, no 4-4-2.

Com pouco tempo para apresentar resultados, Tiago deve buscar pelo equilíbrio. Agressividade sem a bola, e jogadores que consigam executar bem suas funções (defensivas e ofensivas). Devemos ter um Atlético que ataca para se defender.

Assim como Diniz, Tiago entende que posição\função são duas coisas diferentes e que um meia pode jogar como zagueiro, mas, isso só vai acontecer, se esse atleta conseguir executar perfeitamente essa função, como se um zagueiro de origem tivesse jogando.  Neste momento, acredito que ele não irá fazer isso, pois possuí pouco tempo para testes e precisa dar uma resposta imediada.

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Atlético irá se defender com duas linhas de quatro. Com Diniz, time se defendia no 5-4-1.

TRANSIÇÃO OFENSIVA E ORGANIZAÇÃO OFENSIVA

Após consolidar sua defesa no primeiro turno, o Atlético deu o segundo passo: melhorar sua produção ofensiva. E, para isso, deu mais liberdade aos seus laterais. Quando tinha a bola, o rubro-negro procurava colocar alguns princípios em campo: saída de três, amplitude, profundidade e apoio.

Na hora de fazer a transição ofensiva, o  primeiro volante se posicionava entre os zagueiros para qualificar a saída de bola e, sem a bola, era de extrema importância na transição defensiva, para o equilíbrio do time.

Com isso, o Rubro-negro liberava seus laterais ao mesmo tempo, que abriam o campo (amplitude). Já os meias-atacantes procuravam dar apoio (opção) e jogar por dentro, enquanto o Ederson era o jogador mais avançado (profundidade) do time, se organizando estruturalmente no 3-4-3, com troca de posições entre os jogadores.

Só que, no momento, o Atlético não tem esse volante para executar sua saída de três. Caso permanecesse, esse homem seria o Pavez, que se encaixa bem dentro das características. Qualidade na circulação da bola e combatividade sem ela.  Agora, sem ele, Tiago deve testar jogadores que consigam desempenhar bem essa função.

O meia Camacho foi um dos testados. Sabemos a qualidade dele na circulação de bola, mas será que ele consegue realizar a transição defensiva com perfeição? É combativo? Superior no 1×1? O técnico rubro-negro procura um jogador equilibrado e só com testes deve achar a melhor opção para essa função.

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Detalhes: Saída de três, com um volante no meio dando cobertura aos zagueiros. Laterais dando amplitude ao time. 3-4-3.

 

Caso ele não ache esse jogador, devemos ver um Atlético com algumas modificações: ao invés de deixar os dois laterais abertos e à frente da linha da bola na fase ofensiva, devemos ver um lateral sempre mais recuado, para ajudar na transição defensiva, sem um volante entre os zagueiros. Com isso, teremos dois zagueiros e um lateral prontos para evitar o ataque do Adversário, resultando também em uma perda ofensiva. Mas, se ele encontrar esse atleta que consiga exercer bem suas funções, devemos ter algo parecido com o que vimos no Paranaense, como mostramos acima.

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Caso não ache um jogador pra função, Tiago deve recuar um lateral para ficar com três jogadores atrás. Com isso, o time perde em amplitude (abrir o campo pelos lados), como você pode ver acima, mas ganha defensivamente. 

O CENTROAVANTE 

O nove rubro-negro será um jogador que consiga se encaixar no sistema. O que ele precisa para isso? Ser participativo e agressivo quando não tiver a bola. O interino rubro-negro procura alguém que incomode a última linha adversária o jogo todo, que traga profundidade ao time. Pablo? Bergson? Só com testes para descobrir quem consegue desempenhar melhor essa função. Eu acredito que Bergson pode executar melhor por ser mais participativo e agressivo sem a bola.

O QUE ESPERAR

Tiago irá utilizar o que Diniz deixou de positivo, implementar algumas mudanças de comportamento e simplificar as ações dos jogadores. Devemos ter um Atlético menos exposto defensivamente e mais intuitivo no ataque. Um time coletivo, organizado, agressivo sem a bola e objetivo com ela. Essa deve ser a cara do Atlético de Tiago Nunes.

@andre_frehse

 

 

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2 comentários sobre “Saída de três, agressividade sem a bola e time mais equilibrado: o que esperar de Tiago Nunes à frente do time principal do Atlético

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