A Rússia sai com a cabeça erguida: ANÁLISE TÁTICA RÚSSIA 2 (3)x(4) 2 CRÓACIA

Por André Andrade e Luiz Doering 

A Rússia começou o jogo com uma postura excelente de pressão na Croácia, no 4-2-3-1 , Cherchesov escalou Golovin atrás de Dzyuba para dar ao meia mais liberdade e tentar incomodar a saída croata. Na esquerda um dos destaques da Copa, Cherysev, foi titular.

A marca da equipe da Rússia nessa Copa era pressão pós-perda, muita marcação, dedicação e usar Dzyuba como referência para as ações ofensivas. Dessa maneira saiu o primeiro gol russo, bola esticada, Dzyuba domina, temporiza e serve Cherysev que de forma magnífica e de longe, finaliza no ângulo e abre o placar.

No segundo tempo a equipe Rússia oscilou em alguns momentos e em alguns deles defendeu mais com quantidade do que com qualidade, provocando alguns sustos e o segundo gol croata, porém com a entrada de Dzagoev o time correu atrás do prejuízo e conseguiu um empate com Mário Fernandes de cabeça.

Na prorrogação o time russo conseguiu manter o nível anímico e batalhou mesmo com indícios de cansaço físico. A Croácia mais destroçada ainda fisicamente nada pode fazer e o jogo terminou empatado.

Nas cobranças, Smolov que antes da Copa era a principal esperança de gols do time, abriu a série e bateu de forma displicente. Mário Fernandes fez uma bela Copa, entretanto também errou a penalidade. A Rússia perdeu para a Croácia e foi eliminada nas quartas, entretanto a história e a campanha ficarão pra sempre na história. Uma ótima campanha como anfitriã da Copa, muitos queriam evitar o vexame e pensavam só em passar da fase de grupos, eles chegaram as quartas e eliminaram a Espanha, quase chegaram a semifinal, a campanha é pra ser comemorada e relembrada por muito tempo. Alguns jogadores como Zobnin, Golovin, Mário Fernandes certamente saem dessa Copa valorizados pela boa performance e podem ganhar novas oportunidades no mercado em breve.

Croácia.

Prevendo que teria maior controle de bola frente à Rússia (o que se confirmou nos 65% de posse de bola dos croatas na partida), o técnico Zlatko Dalic optou por mandar a campo uma equipe bem mais agressiva. Sem Brozovic ou Badelj, volantes com maior poder de marcação, a Croácia iniciou a sua abertura de meio de campo com Luka Modric e Ivan Rakitic, dois expoentes técnicos com uma capacidade incrível de controlar o jogo e qualificar a saída de bola dos Vatreni, mas que naturalmente deixa o setor mais exposto, já que nenhum deles é um exímio marcador. À frente deles, Dalic mandou a campo todo seu poderio ofensivo: Rebic, Kramaric e Perisic compondo a linha de três com Mandzukic atuando mais uma vez como centroavante posicionado.

É bem verdade que a Croácia enfrentou muitas dificuldades para furar o ótimo bloqueio russo, especialmente depois do dos donos da casa. Entretanto, no único equívoco da linha de defesa russa no primeiro tempo, Mandzukic recebeu pela ponta esquerda, conduziu a bola até a área russa e teve muita visão de jogo para encontrar Kramaric entrando na área cercado por defensores. O atacante do Hoffenhein só teve o trabalho de desviar de cabeça para o gol para empatar a partida.

No segundo tempo a Croácia passou a envolver mais Luka Modric e a equipe passou a levar mais perigo à meta russa. Algo que me chamou a atenção especialmente no segundo tempo foi o movimento dos extremas (Perisic pela esquerda e Rebic pela direita) sempre buscando enviesar para o meio, liberando o corredor para os laterais Strinic e Vrsaljko irem ao fundo e gerando muitas possibilidades de triangulações pelos lados, com o objetivo de desestabilizar a forte marcação russa.

Mas, como já vinhamos alertando, a Croácia passou a sentir o peso do jogo e o desgaste físico decorrente da idade dos seus principais atletas e do fato de estarem vindo de uma prorrogação intensa contra a Dinamarca.

Na prorrogação a equipe croata sofreu um verdadeiro desmanche. O goleiro Subasic jogou no sacrifício, Vrsaljko teve de sair com dores no joelho, Mandzukic teve de permanecer em campo mesmo mancando por falta de substituições. Enfim, foi visível o desgaste acumulado e os problemas decorrentes dele.

Nesse cenário, a Croácia chegou ao gol da única forma que parecia possível: através da bola aérea. Coube ao zagueiro Vida cabecear a bola, que passou por vários jogadores para caprichosamente encontrar as redes de Afkinfeev.

Quando tudo parecia certo, Mário Fernandes, sozinho, mandou a bola para as redes depois de uma cobrança de falta na quina da área. Esse lance causa certa preocupação pois é possível perceber no replay a completa inércia dos jogadores próximos em virtude do cansaço. O lateral não sofreu nenhum tipo de pressão ou contato muito em virtude da incapacidade física dos croatas, que naquela altura da partida faziam força para ficar em pé.

Nas penalidades, mais uma vez brilhou a estrela de Subasic, que defendeu uma cobrança (a outra foi para fora).

A geração de Luka Modric repete o feito da Seleção de 1998 e, como naquela oportunidade, enfrentará uma campeã mundial na semifinal, desta vez a Inglaterra, que é franco-favorita para ir à final. Necessário ver como o elenco croata estará para o confronto, especialmente em relação à Mandzukic, Vrsaljko e Subasic, que apresentaram problemas na partida, além do cansaço natural de Modric, que atuou até o último jogo do calendário europeu (Final da UCL) e não pôde descansar ainda.

A Croácia tem condições de surpreender a Inglaterra, mas precisará de uma tarde mágica para conter o vigor físico da jovem equipe inglesa. Resta ver o que Zlatko Dalic preparará de surpresa para a partida, já que a tendência é de uma equipe mais resguardada do que aquela que enfrentou a Rússia. Ficaremos na torcida!

Foto: FIFA.COM

 @PepGenius  e @lfmdoering

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