Fazendo História: ANÁLISE TÁTICA BRASIL X BÉLGICA

Por Juan Carlos e Rafael Lima

Ao invés de focarmos nos erros brasileiros porque não falarmos dos méritos belgas, a força mental, a mudança de postura da equipe.

A Bélgica deu um passo gigantesco pra ser o “outsider” da vez. Derrotou a seleção pentacampeã mundial.

Ao contrário do que muitos analistas imaginavam, o técnico Roberto Martinez manteve o sistema de jogo das partidas anteriores com os 3 zagueiros, especialmente na saída de bola. Na análise pré-jogo, ressaltamos que o técnico manteria o esquema e apontamos os 4 principais motivos para isso, veja aqui. Porém, como joga em um sistema híbrido, quando atacada mudava para o 4-3-3, abandonando a linha de 5 e preenchendo mais o meio, contando com a força e o vigor de Chadli e Fellaini. Assim Vertonghen fechou como lateral esquerdo formando uma linha de 4 defensores e Meunier ficou mais preso para segurar o forte lado esquerdo brasileiro, sendo bastante auxiliado por Fellaini.

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A manutenção do sistema (híbrido) deu muito certo, com 2 substituições (Chadli no lugar de Carrasco e Fellaini no lugar de Mertens) e um simples movimento (Avançou De Bruyne e Fellaini jogou mais recuado) a equipe conseguiu ser bem superior à seleção brasileira na 1° etapa.

A partida começou bem movimentada, o Brasil pressionava os três zagueiros belgas (com Neymar-Jesus-William)

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Com De Bruyne jogando mais avançado, a equipe abriu mão da posse de bola. Aquele sistema de jogo em que o articulador dos citzens, trabalhava a bola para o lado esquerdo, para o lado direito, circulava por dentro e esperava o momento certo pelo passe vertical, foi deixado de lado. A equipe tentou sair pelos lados do campo, mas os zagueiros belgas erravam muitos passes (devido a pressão brasileira). Assim passou a recorrer a bola longa, utilizando Fellaini e Lukaku como paredes para já iniciar as jogadas no campo ofensivo (principalmente no 2° tempo).

Roberto Martinez baixou o bloco defensivo. Sua equipe cedeu campo (e a bola) ao Brasil e consequentemente um caminhão de oportunidades para o adversário, foi um risco calculado, já que sua equipe queria terreno para atacar. A equipe teve 42% de posse de bola contra 58% do Brasil. Arrematou 9 vezes (3 no alvo) enquanto o Brasil finalizou 27 vezes (9 no gol), os belgas trocaram 374 passes (301 certos 80% assertividade) o Brasil 521 passes (463 certos 89% de precisão).

Martinez tem sido elogiado pelas mexidas (táticas e técnicas), acredito que ele mais corrigiu um sério problema da falta de combatividade do meio campo, e consequentemente deixou De Bruyne mais solto, próximo aos atacantes, do que fez uma audaciosa mudança. Se na imprensa brasileira a “torcida” era que o treinador espano-belga não mudasse a equipe, com certeza na Bélgica a torcida não era a mesma. Na Bélgica o técnico mexeu, na seleção canarinho Tite foi incapaz de mudar seu sistema e suas peças jogando no seu tradicional 4-1-4-1.

O que o técnico belga contava era que a seleção continuasse com aquele lado direito totalmente inerte, em que o lateral (Fagner) não apoia, o ponta (William) joga isolado e o meio campista (Paulinho) não preenche espaço, não ajuda na criação e pouco combate.

O3BRABEL(1° Tempo)

Mesmo quando entrou Renato Augusto e Douglas Costa o cenário não mudou. Renato jogou mais centralizado e Douglas Costa deve ter recebido a seguinte orientação de Tite “se vira”, já que também jogou isolado pela direita o tempo todo. Mesmo criando várias jogadas, seria melhor ter auxílio dos companheiros. Assim quando atacada, Chadli fechava o lado direito dobrando a marcação sobre William (1° tempo) depois Douglas Costa (2° tempo) e com a posse de bola trabalhava por dentro (Chadli, Fellaini e Witsel). Liberando Hazard que passeou pelo setor esquerdo ofensivo.

Com o lado direito da defesa do Brasil escancarado, Martinez precisava consolidar sua idéia de jogo e finalizar suas ações de ataque no lado contrário da jogada. O óbvio seria colocar De Bruyne pela direita (podendo flutuar pra dentro), deixar Lukaku centralizado e Hazard pela esquerda (com liberdade para flutuar também). Martinez foi além, como pelo lado esquerdo Marcelo é quase um ponta e Coutinho tem dificuldade em fechar o setor, Lukaku jogou nas costas do lateral “arrastando” Miranda com ele.

O4BRABELComeço de jogo, aqui a Bélgica já dava sinais de como seria, Chadli por dentro ao lado de Witsel e Fellaine, Lukaku aberto na direita Hazard na esquerda e De Bruyne flutuando entrelinhas.
05BRABELPerceba na foto a equipe brasileira completamente encaixada, e De Bruyne flutuando pelo meio, aonde teve liberdade. Fonte: @rondosfutbol

Com isso o time brasileiro ficou muito espaçado, o que facilitou as ações de KDB que por dentro, nas costas de Fernandinho, na esquerda, como falso 9, da direita pro centro, armou, finalizou e fez um gol, partidaça.

O6BRABEL.png

A equipe fez o 1° gol aos 13 minutos em cobrança de escanteio e gol contra de Fernandinho, e 2×0 aos 31 da primeira etapa com Kevin De Bruyne em contra-ataque magistral puxado por Lukaku.

Na 2° etapa o jogo mudou, o Brasil teve muito mais volume, se no 1° tempo a equipe já levou perigo a meta de Courtouis no 2° foi um bombardeio. A Bélgica recuou (ou foi encurralada) demais suas linhas, o meio-campo deu (novamente) muito espaço para o Brasil e deixou de levar perigo a meta do goleiro Alisson, tentou por diversas vezes a bola longa em Lukaku, mas Miranda ganhou quase todas (grande partida do zagueiro Brasileiro). Foi aí que Courtouis apareceu, o gigante belga pegou (quase) tudo, com destaque para a defesa já nos acréscimos em chute frontal de Neymar.

O 1° tempo da Bélgica foi excelente, bom o bastante para mandar os pentacampeões para casa, no 2° tempo a equipe soube “sofrer”.

Faltam 2 partidas para o sonho da geração de ouro possa se tornar realidade.

@10juancarlitos

@rafjoga101983

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