Que venha o Brasil: ANÁLISE TÁTICA BÉLGICA 3×2 JAPÃO

Por Juan Carlos Moura, Rafael Lima e Leonardo Hartung

Como já virou tradição nessa Copa, com a Bélgica em campo é certeza de um jogo movimentado, franco e de muitos gols, sejam eles contra ou a favor.

A equipe chega as 4° de final após bater a eficiente e bem treinada equipe japonesa por 3×2. Se por um lado a partida foi recheada de fortes emoções, por outro a cabeça do técnico Roberto Martinez está recheada de preocupações para enfrentar a seleção brasileira, a começar pelo sistema, mudar ou não para enfrentar o Brasil.

Falando da partida, a equipe continuou com seu sistema de 3 zagueiros (Verthongen, Awderweireld e Kompany) 4 homens de meio campo, sendo 2 centralizados (Witsel e De Bruyne) e 2 alas (Carrasco e Meunier), 2 meias de muita mobilidade (Hazard e Mertens) e 1 centroavante (Lukaku).

juan

Pelo lado japonês, o técnico Akira Nishino utilizou o mesmo time titular da vitória contra a Colômbia e do empate contra Senegal. A disposição tática também foi a mesma: 4-2-3-1 na fase ofensiva com 4-4-2 ao se defender.

Assim como no primeiro tempo contra a Polônia, o Japão teve um desempenho muito bom defensivamente. Organizado e consistente, soube sofrer frente ao forte poderio ofensivo belga. Dos dez chutes belgas, apenas dois foram no gol de Eiji Kawashima.

Mesmo variando bastante os lados das jogadas, a Seleção belga esbarrava nas duas linhas de 4 próximas e bem montada dos japoneses…

japan

E o Japão soube atacar os pontos fracos da Bélgica. Gaku Shibasaki tinha liberdade no meio-campo para auxiliar na construção e na criação de jogadas. A dupla Nagatomo-Inui fazia estragos entre Meunier-Alderweireld. E Yuya Osako ganhava os duelos contra os defensores belgas.

Os belgas ficaram 57% do tempo com a bola nos pés, contra 43% dos japoneses, 24 chutes da Bélgica (8 no alvo) 11 chutes do Japão (4 no alvo) trocando a Bélgica 595 passes (515 certos 87% precisão) 451 passes do Japão (367 certos 81% precisão).

Foram 45 minutos bem insossos, poucas finalizações, pouca intensidade e placar inalterado. Já o segundo tempo foi bem emocionante.

Assim como a equipe de Senegal, a Bélgica viu o que Shibasaki pode fazer com espaços. A bola recuperada pelo Japão caiu nos pés do meia do Getafe sem que o 7 japonês fosse pressionado por Witsel, De Bruyne ou Carrasco. Passe em profundidade para Haraguchi que contou com o vacilo de Vertonghen para entrar na área e vencer Courtois.

GOL HARAGUCHI

Quatro minutos depois e novamente Witsel e De Bruyne apenas observaram Kagawa tocar para Inui e o camisa 14 acertou um lindo chute com o pé direito para ampliar o marcador. O Japão estava vencendo a Bélgica por 2×0.

A virada belga acabou por escancarar a deficiência japonesa em proteger a sua área. Após 14 dos 24 chutes partindo de dentro da área japonesa, a Bélgica marcou todos os três gols dentro da área de seu adversário (mas em situações diferentes: dois cruzamentos e um contra-ataque).

O final de jogo foi cruel para os japoneses, sofrendo um gol de contra-ataque logo após um escanteio ao seu favor nos últimos segundos de jogo. Mas o saldo da Copa é positivo. Após a troca de comando e uma péssima preparação, chegar às oitavas e até mesmo flertar com uma ida às quartas de final foi uma vitória e tanto.

Em resumo, podemos dividir a partida belga em três partes:

1) Os primeiros 45 minutos de completa inoperância ofensiva, a Bélgica entrou lenta, trocando muitos passes de lado, oferecendo pouco perigo para a meta japonesa.

2) A segunda parte é o início do segundo tempo até as entradas de Chadli e Fellaini (saídas de Carrasco e Mertens). Até esse momento por volta dos 20 minutos, foi visto mais uma vez, e de forma bem acentuada todos os inúmeros defeitos que estamos apontando desde o primeiro jogo da Bélgica. Uma passividade incrível quando o adversário está com a bola nos pés, o gol de Inui é um bom exemplo:

japan2Perceba que a linha de 5 está formada, e os 2 homens (De Bruyne e Witsel) que estão perto da bola, não exercem pressão alguma no camisa (10) Kagawa, apenas assistem ele pisar, pedalar e ajeitar para Inui acertar um belo chute.

Os espaços gigantescos cedidos nas costas dos alas, especialmente Carrasco, aliás o ala esquerdo tem sido o ponto fraco da equipe desde o primeiro jogo da equipe, apoia mal, fecha mal a linha de 5 e péssimo na abordagem defensiva.

De Bruyne e Witsel não conseguem fazer as coberturas pelos lados.

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3) O ponto de virada dos Belgas foram as entradas de Fellaini e Chadli. Na análise Pré Copa fizemos uma análise citando que talvez fosse mais importante Fellaini no lugar de Mertens, para dar mais força ao meio-campo e aumentar o poderio ofensivo na bola aérea.

A Bélgica tem muita qualidade do meio pra frente, mas é muito mal organizada do meio pra trás. Dificuldade nas transições defensivas, coberturas falhas, zagueiros que são obrigados a fazer toda hora as coberturas nas costas dos alas e falhas individuais. A sorte é que a Bélgica enfrentou uma equipe bem treinada, mas que foi inocente, especialmente nos últimos 15 minutos do jogo.

Aquelas duas linhas bem compactadas do 1° tempo ficaram muito espaçadas, além da fragilidade na bola área, o “ápice” da inocência foi nos últimos 30 segundos de jogo com o time todo atirado no ataque deixando um terreno enorme para De Bruyne carregar a bola por quase todo o campo e tocar para Meunier cruzar e  Lukaku fazer um brilhante corta luz, para Chadli decidir o cortejo.

GOL CHADLI

Um ponto interessante é ver como Hazard lutou o tempo todo, mandou bola na trave e deu uma excelente assistência. Já Kevin De Bruyne basicamente andou em campo, o único momento em que foi notado foi quando puxou o contra-ataque para o 3° gol belga, o meia passou mais uma partida sem finalizar a gol.

Foi um jogo emocionante, épico, mas que escancarou (pelo menos deveria) para o técnico Martinez os enormes defeitos defensivos da equipe. O treinador tem 3 dias para ajeitar a equipe, para um time que vem apresentando os mesmos defeitos jogo após jogo, talvez não seja suficiente.

@10juancarlitos

@rafjoga101983

@HartungLeo

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