A montanha-russa chamada Croácia: ANÁLISE TÁTICA CRÓACIA 1 (3)x(2) 1 DINAMARCA

Por Luiz Doering

Foi por pouco, mas a Croácia está classificada para as quartas de final da Copa do Mundo. Após um início de jogo maluco digno dos melhores campos de várzea, com direito a gol de lateral, falha de goleiro e até bolada no zagueiro que vira passe pro atacante, Dinamarca e Croácia protagonizaram uma partida de pouca lucidez de parte a parte. Em outras palavras, tivemos uma partida feia de se assistir, com pouquíssimos lances de perigo ou grandes jogadas (individuais ou coletivas).

O técnico Zlatko Dalic optou por manter a estrutura que funcionou muito bem na primeira fase, com Brozovic e Rakitic abrindo o meio de campo, Rebic, Modric e Perisic compondo a linha de três e com Mandzukic como referência no ataque.

O sistema croata foi posto à prova quando, a um minuto de jogo, a Dinamarca inaugurou o marcador com um gol de lateral, contando com uma falha do goleiro Subasic. E o primeiro ponto positivo da análise croata é justamente esse: a tranquilidade dos jogadores após sofrerem um gol tão cedo (foi a primeira vez em que a Croácia saiu atrás no placar nessa Copa do Mundo). Os atletas mantiveram a cabeça no lugar, o que é essencial em um torneio tão importante em que qualquer detalhe pode ser determinante.

E veio a recompensa: minutos após sofrer o gol, contando com uma boa dose de sorte, Madzukic aproveitou uma bola rebatida e mandou para as redes de Schmeichel, igualando o marcador. Após o empate, a Croácia deu alguns sinais de que poderia suplantar a defesa dinamarquesa, mas isso acabou não se confirmando e a qualidade do jogo caiu.

Mesmo com uma atuação apagada do craque Eriksen, a Dinamarca passou a controlar a posse de bola, minando o estilo de jogo croata. Modric e Rakitic, tão participativos em outras partidas, não conseguiram repetir o bom desempenho, o que resultou em poucas oportunidades criadas para os jogadores de frente.

No segundo tempo, objetivando retomar o controle das ações, Dalic mandou a campo Mateo Kovacic, o bom meia do Real Madrid, e as coisas chegaram a melhorar um pouco, mas aí a Croácia passou a enfrentar aquele que poderá ser seu maior rival nesse mundial: o condicionamento físico.

Os principais jogadores da Croácia não são garotos (Modric, 32; Rakitic, 30; Mandzukic, 32). Luka Modric, em especial, esteve envolvido na final da Champions League com o Real Madrid dias antes do início do mundial. Era visível que o camisa 10 dos Vatreni não estava nas melhores condições físicas no desenrolar do jogo.

E assim, sem grandes chances de lado a lado, o jogo foi para a prorrogação. As entradas de Badelj e Kramaric acabaram não trazendo quaisquer novidades à partida, e quando ambas as equipes já pareciam convencidas de que o jogo seria decidido nas penalidades, surge a genialidade.

Em um raro momento de erro da Dinamarca, Luka Modric, mesmo cansado, fez o que faz de melhor e encontrou de modo magnífico Ante Rebic, explorando as melhores características do jovem croata (velocidade e verticalidade, como apontamos aqui antes da Copa do Mundo). Rebic driblou Schmeichel e, antes que pudesse finalizar, sofreu a penalidade.

Coube a Luka Modric cobrar a penalidade que classificaria a Croácia para as quartas de final. Visivelmente cansado, o camisa 10 do Real Madrid fez uma cobrança ruim que parou nas mãos do grande goleiro dinamarquês, o que fez com que todos se perguntassem: seria essa a última participação de Luka Modric em Copas do Mundo?

E quem acabou salvando a pele do craque foi justamente Subasic, que falhou logo a um minuto de partida. O arqueiro do Mônaco defendeu três cobranças e foi o grande responsáveil pela classificação dos croatas à próxima fase. A Croácia foi uma verdadeira montanha-russa: Modric, de gênio e herói a vilão e a herói novamente; Subasic, de vilão à herói. E depois disso tudo, a classificação.

Enfim, para uma equipe que apresenta dificuldades físicas visíveis, jogar uma prorrogação pode ser extremamente difícil e desgastante. Só teremos noção do real impacto disso quando a Croácia enfrentar a Rússia, uma equipe que se utiliza muito da força física. É um risco que a Croácia certamente correrá no enfrentamento com os donos da casa. A ver como Modric e companhia se recuperarão para esse confronto tão importante que pode levar a Croácia novamente a uma semifinal de Copa do Mundo 20 anos depois do esquadrão comandado por Suker e Boban.

@lfmdoering

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