Suíça segue viva e na briga, Costa Rica se despede: ANÁLISE TÁTICA SUÍÇA 2×2 COSTA RICA

Por Rafael Santos e Jorge Coutinho

Suíça e Costa Rica se enfrentaram no dia 27/06/2018, no Nizhny Novgorod Stadium, pela última rodada do Grupo E da Copa do Mundo de 2018, com objetivos distintos. De um lado os suíços que precisavam de apenas um ponto para seguir às oitavas de finais do torneio, e do outro lado os costariquenhos que poderiam se juntar ao Egito como a pior campanha – derrota nos três jogos e a alcunha de ser a única seleção neste mundial a não balançar a rede.

Até este jogo, a seleção da Costa Rica, se mostrava bastante desequilibrada nas ações de jogo. A busca por ser um time reativo, tornou a equipe extremamente defensiva e sem grandes aspirações nas transições ofensivas. No primeiro jogo contra a Sérvia, foram 10 finalizações e 101 dos seus passes corretos (cerca de 20%) foram trocados no terço final. Já o segundo jogo o desempenho ofensivo foi pior ainda, contra o Brasil foram 2 finalizações e 19% (cerca de 50) de passes acertivos trocado no terço final.

Enquanto isso a Suiça vinha confiante e motivada pelo empate contra a seleção brasileira e a virada histórica contra a Servia. Nos dois jogos o tecnico Vladimir Petković não promoveu mudanças no time titular, porem alterou muito a ideia central de jogo. Na primeira partida apostou muito na centralização de jogadas, usaram muito pouco suas finalizações de média e longa distancia, porem manteve sua organização mesmo com o placar contrario; na segunda partida usou bem mais suas finalizações e conseguiu dominar a posse de bola em boa parte da partida, principalmente no segundo tempo onde teve maior organização.

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Pressionado o técnico da Costa Rica, Óscar Ramirez, fez três substituições no time que vinha jogando, entrou com a seguinte escalação: Navas; Acosta, González, Waston (novidade); Gamboa, Borges, Guzmán e Oviedo; Bryan Ruiz e Daniel Colindres (novidade); Joel Campbell (novidade).

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Embora as alterações não tenham alterado a formação tática, repetindo o 1-3-4-2-1, com variação ofensiva para o 1-3-4-3 e defensiva para o 1-5-4-1, pode ser visto, finalmente, contra-ataques bem elaborados e uma maior troca de passes no terço final do campo, culminando em mais finalizações comparado a jogos anteriores. A mentalidade, vista nos dois últimos jogos, sem a posse de bola de recuar as linhas de 5 e 4, tornando-as bem curtas e dentro do terço do campo próximo a Navas foi alterada parcialmente. Sem a bola a equipe costariquense intercalava ora marcação no campo ofensivo com trio de atacantes dando pressão no campo adversário e subindo as 2 linhas de 5-4 e ora a marcação já vista em jogos anteriores –  as duas linhas de-5-4 baixas, de forma compactada.

Ofensivamente as modificações surtiram efeito, o ataque  finalmente funcionou. Foram quatorze finalizações e 154 passes trocados corretamente no terço ofensivo. Em 90 minutos, Los Ticos finalizaram mais que a soma dos últimos dois jogos. No primeiro tempo, Colindres acertou o travessão e quase abriu o placar. Teve dois gols iniciados em bola parada: o primeiro após cruzamento cobrado por Campbell vindo do canto direito para a cabeçada fulminante de Watson, e o segundo em cobrança de penalti onde Bryan Ruiz acertou o travessão e a bola entrou após bater no goleiro suiço.

costaricafinaliMaior volume de finalizações da Costa Rica no jogo contra Suiça em comparação aos jogos contra Brasil e Sérvia.

Infelizmente o que vinha bem desandou. O elogiado sistema defensivo da La Sele falhou em dois momentos cruciais. No primeiro gol da Suiça, frame abaixo, embora exista superioridade numérica, falhou coletivamente, ao deixar o suiço, Blerim Dzemaili, livre, sem marcação em condição favorável para abrir o placar. Já o segundo gol suiço, ver vídeo abaixo, existe falha individual do camisa 16, Gamboa, que mesmo tendo o infortuíno de escorregar no lance, marcava a distância  o suiço Josip Drmic, autor do segundo gol. Vale a pena ressaltar que no segundo gol suíço, a marcação ocorre no campo ofensivo conforme mencionado anteriormente.

golsuiça

 Primeiro gol da Suíça, falha coletiva do sistema defensivo.

https://youtu.be/wTuJTViH62o

O modelo de jogo da seleção da Suiça, permaneceu intacto, porem duas mudanças ocorreram e foram significativas – as entradas de Embolo na vaga de Zuber e Gavranovic na vaga de Seferovic. As mudanças indicavam uma equipe mais móvel e com maior participação do lado esquerdo de ataque. O modelo 4-2-3-1 poderia se transformar em um 4-1-3-2 com o avanço do Xhaka para o meio e o avanço de Embolo para o ataque, já que Gavranovic tem característica de atuar tanto dentro quanto fora da area.

Assim como o esperado, a equipe Suíça, teve maior posse de bola, conseguiu finalizar mais e foi menos faltosa. Apesar do gol sofrido ter saído de um escanteio, a defesa se portou bem durante a partida e o promissor Akanki ganha mais espaço no cenário europeu a cada partida. No primeiro gol é nítida a importância do Dzemaili entrando na área e participando das ações ofensivas, ele tem como diferencial ser esse elemento surpresa. Destaque para o avanço de Embolo dentro da área fazendo o passe após as corriqueiras inversões de Shaqiri. No segundo gol podemos ver a importância do banco de reserva, o ex-titular, Zakaria, recebe ótimo passe em velocidade pela ala direita e avança para o fundo e faz um cruzamento rasteiro de quase 40 metros para Drmic que vem de trás sozinho para marcar e colocar a Suiça, novamente, na frente.

dzemaliExcelente movimentação e retorno ocupacional, dessa forma consegue ter liberdade na area mesmo com inferioridade númerica.
zakariaEspaço aberto pela direita com o pouco avanço de Lichtsteiner e a boa movimentação para de manter livre após a resolução da jogada.

O placar final de 2-2, foi bem aceito por ambas as seleções. A Suíça segue viva na competição, está entre as 16 equipes classificadas no mata-mata final do torneio, e enfrentará na próxima terça-feira a Suécia, em São Petersburgo. Los Ticos conseguiram marcar dois gols e arrancaram um empate, que livra a seleção do rótulo de pior seleção do mundial.

@Rafinha_Esporte e @JorginhoFFC

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