A dança colombiana e a frustração africana: ANÁLISE DE COLÔMBIA 1×0 SENEGAL

Por Felipe Holanda

O ex-palmeirense Yerri Mina foi o grande protagonista da classificação da Colômbia às oitavas de final da Copa do Mundo. O 1×0 suado em cima de Senegal só veio graças ao zagueiro, autor do único gol do jogo após, de cabeça, completar escanteio cobrado por Quintero. Conhecido pela irreverência em suas comemorações, ele dançou junto com os companheiros ditando o balanço da vitória. Do outro lado, o retrato foi exatamente o oposto da alegria. Com a derrota, os africanos se despediram da Rússia por dois cartões amarelos a mais que o Japão, vice líder da chave. A seleção senegalesa deixou, contudo, uma boa impressão.

Com o retorno de Carlos Sanchez, Pekerman manteve o 4-2-3-1 habitual dos colombianos, mantendo Matheus Uribe como volante pelo lado esquerdo. Já Senegal voltou a atuar num 4-4-2, com a entrada de Kouyaté no lugar de Alfred N’Diayé para dar mais compactação ao meio de campo e dificultar o toque de bola dos Cafeteros.

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Como começaram os times de Colômbia e Senegal (Reprodução/FIFA)

No setor de criação da Colômbia, a trinca formada por James (pela esquerda), Quintero (centralizado) e Cuadrado (pela direita), permaneceu como a principal força do time, mas o ímpeto durou pouco. O camisa 10 colombiano sentiu dores aos 30 minutos do primeiro tempo e precisou ser substituído. Muriel, que estreou na Copa, herdou a vaga.

Do outro lado, jogando de maneira mais contundente, Senegal levava perigo constante à meta de Ospina. Os senegaleses chegaram a comemorar um pênalti sofrido por Sadio Mané, mas o árbitro anulou a penalidade após consultar o vídeo.

Sem o cérebro do time, a Colômbia manteve a formação, mas o conceito tático caiu de rendimento. Foram várias dificuldades de criação de jogadas, quase sempre esbarrando no ímpeto da marcação bem compactada dos senegaleses. Quintero tentou ditar o ritmo, mas o espaçamento entre os jogadores em campo impedia que o time usasse sua velocidade com toques rápidos.

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Defensores senegaleses pressionam o domínio de bola os colombianos, com pelo menos dois jogadores em cada setor. Reprodução/FIFA

Com a saída de bola pressionada, a equipe colombiana não conseguia criar suas principais jogadas. No primeiro tempo, por exemplo, foi apenas um chute na meta senegalesa, contra dois dos africanos, que foram superiores na primeira metade. Em suma, a Colômbia só conseguiu levar perigo em jogadas de bolas paradas. Parecia pouco.

Até que Muriel começou a aparecer bem no jogo, auxiliando Cuadrado nas subidas pela direita. No lado oposto, Mojica, o mais veloz do time, fez boa dupla com Quintero, enquanto Carlos Sanchez e Uribe passaram e jogar com mais flexibilidade na parte central do campo.

Mas foi em jogada de bola parada que veio o gol Cafetero.  Após cobrança de escanteio de Quintero, Mina subiu mais alto que os defensores de Senegal e testou firme para estufar as redes africanas, abrindo o placar a favor sul-americanos.  Foi um balde de água fria para a compactação senegalesa.

Com a vantagem conquistada, foi a Colômbia que passou a apertar a saída de bola dos senegaleses. Se era Senegal que se fechava quando o embate estava empatado, o feitiço virou contra o feiticeiro após a abertura do placar.  A equipe de Pékerman implantou uma marcação por vezes com nove homens, forçando o adversário a rifar a bola em momentos de ataque.

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O frame mostra nove atletas de linha da Colômbia – apenas Falcao Garcia estava no campo de ataque – contra apenas seis senegaleses. Reprodução/FIFA

NO BALANÇO DE MINA

Ao fim do jogo, Mina foi eleito pela FIFA como o melhor do jogo. Em 90 minutos em campo, o defensor venceu 14 de 10 duelos, acertou duas interceptações e teve um ótimo aproveitamento de passes: 90%.

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A atuação de Mina diante de Senegal. Reprodução/Sofascore

Com o resultado positivo, os colombianos têm teste de fogo com a poderosa Bélgica nas oitavas de final, podendo enfrentar o Brasil nas quartas e precisa aprender a se encontrar sem James Rodríguez em campo. Já o Senegal de Aliou Cisse se despede do mundial de cabeça erguida, com um empate, uma vitória e uma derrota.

@holandareporter 

 

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