A surpresa dos minutos finais esconde um jogo bastante previsível: ANÁLISE TÁTICA CORÉIA DO SUL 2×0 ALEMANHA

Por Matheus Eduardo e Leonardo Hartung

Em busca de corrigir problemas apresentados nas duas partidas anteriores, Joachim Löw, mais uma vez, alterou bastante a estrutura de sua equipe para enfrentar a Coreia do Sul. Tendo o zagueiro Hummels de volta, mas sem Boateng, suspenso, Süle compôs a dupla, mantendo jogadores do Bayern no setor, com entrosamento alto e qualidade na saída de bola rasteira. No meio-campo, Khedira voltou a formar dupla com Kroos, no intuito de proteger espaços atrás e infiltrar em dados momentos do jogo. No setor mais avançado, Özil voltou a ser o armador, tendo Müller e Draxler no banco, mas Goretzka e Reus começando, o que gerou, de início, a expectativa de um time mais agressivo com a bola.

Em campo, o mesmo 4–2–3–1 visto nas partidas anteriores (4–4–2 em fase defensiva). Com Özil ao lado do atacante Werner à frente, pouca efetividade no pressing em campo ofensivo. No geral, alguma dificuldade para os alemães trabalharem com a bola nos metros finais de campo, porque faltou velocidade para superar os defensores sul-coreanos. Quando passavam do meio-campo, faltava rapidez para chegar mais à frente. Nesse cenário, muitas finalizações de média/longa distância para tentar algo e vários chutes bloqueados.

ALECO O 4–4–2 alemão na fase defensiva: só Hector não aparece no flagrante; Özil aproximando de Werner sem a bola e mais perto dos meio-campistas quando a Alemanha detinha a posse.

Do outro lado, Shin Tae-yong perdeu o capitão Ki Sung-yueng lesionado (o lateral esquerdo Park Joo-ho já era desfalque pelo mesmo motivo). Jung Woo-young entrou em seu lugar fazendo dupla com Jang Hyun-soo no meio-campo de um 4-2-3-1/4-4-2. Antes zagueiro pela direita, Jang foi substituído por Yun Young-sun e Hong Cheol assumiu a lateral esquerda.

Na fase defensiva, era possível observar a Coréia do Sul se defendendo com duas linhas de quatro com Koo Ja-cheol e Son Heung-min lado a lado. A proposta era dificultar os trabalhos alemães com a posse da bola, e sempre buscar Son para acelerar os ataques. Mais uma vez, o atacante do Tottenham seria o argumento ofensivo de sua Seleção na Copa do Mundo.

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Entre os comportamentos vistos antes na Seleção Alemã, voltamos a ver a utilização da saída de três, com Kroos mais recuado à base da jogada (e a escalação de Khedira pesa nisso). Além disso, por trabalhar com a bola em quase todo o tempo (total de 74% de posse de bola), e quase sempre em campo ofensivo, o cenário foi o mesmo dos outros jogos: tem a posse, roda a bola, mas a perde em alguns momentos e sofre em transição defensiva. A diferença foi a ineficiência dos asiáticos em quase todas as oportunidades (cenário que acompanhou os sul-coreanos em toda Copa). Apesar de tudo, só marcaram o primeiro gol nos acréscimos do 2º tempo, o que gerou um contexto ainda mais apropriado para os alemães buscarem o 1 x 0 no placar a todo tempo.

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Olho à saída de bola da Alemanha aí: Neuer, com os dois zagueiros próximos, espera a chegada de Kroos como a terceira opção segura para sair com a bola da defesa; defensores aparecem como apoio pelos lados, além de Khedira mais próximo para seguir o lance.

O meio-campo da Coreia do Sul teve momentos de pura desorganização, especialmente quando a Alemanha circulava a bola com velocidade no campo de ataque. A segunda linha de quatro homens parecia não existir como no lance abaixo, em que Toni Kroos encontra Mesut Özil com liberdade. Para a sorte sul-coreana, a linha defensiva se manteve sólida e organizada durante toda a partida: os alemães passavam pelos meias, mas não pelos defensores.

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Na segunda etapa, a Coreia do Sul foi extremamente organizada defensivamente e competente na ocupação dos espaços. A Alemanha continuou a ter a bola, mas foram raras as oportunidades em que conseguiu desorganizar as linhas sul-coreanas. E quando finalmente conseguiram, os alemãs foram ineficientes na conclusão (apenas seis dos 28 chutes foram no alvo) ou pararam nas mãos de Cho Hyun-woo, destaque sul-coreano na Copa.

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Entre as poucas características positivas da Alemanha no jogo — em que pode-se, sim, afirmar que foi a pior atuação dos germânicos nesta Copa — , está a capacidade de interação rápida entre seus jogadores e os movimentos de Timo Werner quando o ataque flui. Em um dos lances, já na segunda etapa, nota-se essa capacidade em seus jogadores: Özil, como já dito em análises anteriores, é uma espécie de curinga, que flutua e busca a superioridade numérica e técnica em diversos setores do campo, e o faz em boa tabela com Marco Reus. Observem:

lance do werner analisado

A jogada, gerada na esquerda, leva à conclusão dentro da área. Por lá, vimos o centroavante Werner sem estar na referência, deixando-a para Goretzka (o ponta direito), que puxa a marcação, e faz com que ele apareça em boa condição para finalizar. Talvez tenha sido o que de melhor Timo Werner mostrou nesses jogos, quando se movimentou e deixou de ser a referência para surpreender chegando, e não estando. Prestem atenção, agora, em como o ataque foi gerado nos detalhes:

lance bonito do werner

@matheusesouza e @HartungLeo

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