Senegal x Japão e o empate entre duas Seleções que não mereciam perder: ANÁLISE TÁTICA SENEGAL 2 X 2 JAPÃO

Por Gêra Lobo e Leonardo Hartung

Para a segunda partida da fase de grupos da Copa do Mundo, Senegal apostou na mesma ideia da estreia: esperar e sair em velocidade. O Japão já havia demonstrado na estreia que gosta de ficar com a bola, rodar até achar a melhor situação de ataque. Com isso, Aliou Cissé fez apenas uma mudança em relação a estreia: tirou Mame Diouf, o centroavante, e colocou Pape N’Diaye, mais um homem de meio, buscando dominar o local com força e velocidade.

Com isso, Gueyé, grande destaque da estreia, ficou encarregado e ser o homem mais “avançado” do meio, ajudando na pressão com sua velocidade e talento em desarmes. Na frente, com a bola, Mané, Niang e Sarr montavam uma trinca, com Niang mais centralizado, só que caindo pelos lados também. 4-3-3 montado por Cissé.

Na fase defensiva, Senegal se postava num ótimo 4-4-2. Mané e Niang ficavam mais a frente, além da linha de meio campo. Sarr, que na fase ofensiva fez o papel de extremo pela direita, descia para recompor o seu lado, com o trio de meias fechando o restante do espaço pelo meio. Isso complicou bastante a saída de três do Japão, além do apoio de Sakai e Nagatomo, que davam amplitude. Passar por essas linhas da equipe africana foi uma tarefa bem árdua para a equipe japonesa.

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Momento defensivo de Senegal (Foto: Reprodução/Fox Sports).

Do outro lado, Akira Nishino optou por manter o mesmo time e sistema (4-2-3-1) da vitoriosa estreia contra a Colômbia. Mas havia um perigo eminente. Ter uma posse de bola pouco objetiva poderia ser um risco enorme contra uma equipe veloz e física como Senegal.

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Assim como na estreia japonesa, Makoto Hasebe e Gaku Shibasaki se revezavam na saída de três japonesa, muitas vezes descendo juntos para auxiliar Maya Yoshida e Gen Shoji na construção. A marcação senegalesa era forte e não permitia que os japoneses progredissem em campo com facilidade. Um dos destaques na partida contra a Colômbia, Shibasaki era vigiado de perto por Badou Ndiaye.

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Qualquer descuido senegalês com Shibasaki poderia ser fatal. Ndiaye e o time de Senegal deram espaço ao meia japonês que lançou em profundidade para o sempre aberto Nagatomo. O lateral não dominou bem, mas por sorte conseguiu tirar Wague e Sarr do lance. Livre na área, Inui cortou para direita e empatou o jogo.

Ofensivamente, Senegal manteve a sua forma de agredir o adversário, com muita velocidade, transição, ligação direta quando preciso e muita movimentação. Esse último quesito pôde ser bem observado no segundo gol da equipe na partida. Mané recebe na esquerda, Sabaly avança por dentro, N’Diaye puxa seu marcador e o lateral-esquerdo recebe no mano a mano dentro da área. Na sequência do lance, Sarr, que é o extremo direito, ataca a entrada da área, com Niang fazendo sua função de centroavante, o que acaba acarretando em um espaço completamente vazio para Wague, o lateral-direito, atacar e aparecer como surpresa para fazer o 2 a 1. Gol senegalês com participação dos dois laterais.

leoFrame que explica bem o lance do segundo gol de Senegal (Foto: Reprodução/BBC).

Semelhante ao jogo da estreia japonesa, novamente brilhou a estrela do técnico Akira Nishino. Keisuke Honda e Shinji Okazaki entraram nos lugares de Kagawa e Haraguchi. Seis minutos depois, cruzamento de Osako pela direita, o goleiro Khadim N’Diaye se enrolou com Ozakazi na pequena área e Inui achou Honda bem colocado para empatar o jogo que foi mais equilibrado e aberto na segunda etapa.

O Japão não abriu mão de ter a bola frente a um adversário de marcação forte e que dificultou o trabalho mais posicional, especialmente no primeiro tempo. Mas também demonstrou ser uma equipe capaz de jogar em velocidade e com espaços. Inui acertou o travessão e Osako furou em chance clara. Antes criticada por não fazer gols, a Seleção Japonesa voltou a marcar e agora luta por uma vaga nas oitavas de final da Copa do Mundo.

E existem coisas a serem consertadas em Senegal? Sim, mas vale lembrar que o gol que concretizou o empate foi sofrido após uma falha individual do goleiro N’Diayé, ou seja, se não fosse por isso Senegal poderia ter saído com o triunfo. Mesmo assim, erros bobos, como a grande liberdade cedidas pelos lados, ainda pelas características dos dois laterais, devem ser observadas e corrigidas para a partida contra a Colômbia, ainda mais pela forma como os sul-americanos atuam. Um empate basta para a classificação e Senegal vai com tudo em busca desse pontinho (no mínimo).

@gerinhalobo_ e @HartungLeo

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