Uma seleção que joga para Ronaldo: ANÁLISE TÁTICA PORTUGAL 1 X 0 MARROCOS

Por Pedro Galante

É claro que todos já sabíamos que Portugal jogaria em função de Cristiano Ronaldo. É o que qualquer equipe faria se tivesse o gajo no plantel. Sua finalização é magistral e o leque de recursos para balançar as redes é vasto. Cabeceio, finalização com as duas pernas, bolas paradas além dos coelhos tirados da cartola, pegue a bicicleta contra a Juventus como exemplo.

Mas havia uma expectativa quanto a Portugal não ser extremamente dependente do camisa sete. Afinal, há jogadores de qualidade ali. Gonçalo Guedes fez uma excelente temporada pelo Valência. Bernardo Silva e Gelson Martins são pontas velozes e habilidosos. Bruno Fernandes e Moutinho são meias que conseguem criar o jogo de trás com qualidade. Fernando Santos poderia muito bem criar uma equipe baseada em Cristiano Ronaldo, sem depender exclusivamente dele.

Mas o jogo contra Marrocos confirmou que na seleção portuguesa Cristiano é soberano e absolutamente todos os jogadores devem se submeter a um sistema que tem como único objetivo potencializar o talento de seu principal jogador. Vamos entender a seguir como funcionam os mecanismos portugueses e como eles influenciam Cristiano Ronaldo.

A começar pelo momento defensivo, cenário em que Portugal passou a maior parte do tempo contra Marrocos. Cristiano está absolvido de qualquer obrigação defensiva. Quando a defesa está em bloco baixo – o que acontece na maioria do tempo – ele é o homem mais avançado, sempre à frente da linha da bola. E nos raros momentos em que existe uma pressão mais alta, ele se movimenta bem pouco fechando linhas de passe pelo lado esquerdo e deixa a pressão mais agressiva e desgastante para os demais jogadores, Gonçalo e Bernardo principalmente.

PORTUGALCristiano a frente da linha da bola, pronto para contra-atacar. (Foto: Sportv/ Pedro Galante).

No instante que Portugal retoma a posse, Cristiano é o objetivo. Buscando a tabela com Gonçalo, CR7 é o iniciador dos contra-ataques. Quando a defesa adversária está bem postada e não é possível ser vertical, Cristiano recua entre os meias para receber a bola e partir de trás onde há mais espaço. Isso só é possível pois Gonçalo Guedes fica mais avançado e segura a linha defensiva. Aliás, Gonçalo é a personificação do sistema de Portugal, tem jogado totalmente fora da sua zona de conforto para abrir espaços. Ele é um jogador de movimentação, que busca a entrelinha e a lateral do campo para usar seus dribles e criar situações vantajosas, mas tem feito uma função de centroavante gerador de profundidade, em contato constante com os zagueiros, empurrando a linha de defesa, sem liberdade de movimentação e com poucas situações onde é possível driblar.

portugal2Momento de transição. Há outras duas opções de passe, mas aposta é no talento de Cristiano. (Foto: Sportv/ Pedro Galante).

É evidente que Cristiano é o personagem principal deste texto, de Portugal e da Copa – é o artilheiro até o momento. Por isso, o último destaque vai para o seu movimento de desmarque no gol de cabeça. Um movimento rápido e curto de mudança de direção para se livrar do marcador e cabecear com liberdade.

Fantástico!

Foto destaque: André Mourão.

@Pedro17Galante

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