A surpresa asiática e o peso de ter um homem a menos: ANÁLISE COLÔMBIA 1 X 2 JAPÃO

Por Felipe Holanda e Leonardo Hartung

No futebol, o maior pesadelo dos treinadores é perder um jogador por expulsão e se ver obrigado a montar um esquema com um homem a menos. O cenário se torna mais nefasto ainda quando o cartão vermelho surge com três minutos de jogo. Foi exatamente assim com a Colômbia de José Pekerman, que estreou com  o pé esquerdo na Copa do Mundo. Melhor para o Japão, que havia chegado à Rússia em má fase e com troca no comando da equipe às vésperas do mundial, mas surpreendeu e fez história.

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Como começaram Colômbia e Japão (Reprodução/FIFA).

Em campo, as surpresas foram as ausências de James Rodríguez e Keisuke Honda, que iniciaram no banco de reservas. O roteiro do cotejo mudou radicalmente, entretanto, quando Yuya Osako foi lançado em velocidade e venceu Davinson Sánchez na corrida. Ospina defendeu o chute do atacante japonês, mas Carlos Sánchez colocou a mão na bola após o arremate de Shinji Kagawa e o árbitro assinalou pênalti indiscutível. Expulsão colombiana com três minutos de jogo e gol do meia do Borussia Dortmund. O jogo de fato parte deste exato momento.

O que seria um duelo entre duas equipes espelhadas em 4-2-3-1, se tornou num Japão com superioridade numérica presente no campo colombiano enquanto a seleção de José Pékerman buscava os contra-ataques. Juan Quintero foi recuado para jogar ao lado de Jefferson Lerma, dando espaços para o brilho de Gaku Shibasaki.

Em desvantagem numérica e no placar, Pékerman se viu obrigado a quebrar a cabeça para manter seu time competitivo em campo. Sem mexer peças, formou um 4-4-1 com duas linhas de quatro e apenas Falcao na referência. A intenção era preencher o meio de campo e equilibrar as ações no setor. Deu certo. Mas a equipe havia ficado sem poder ofensivo.

Do outro lado, em controvérsia, sobrava ímpeto e presença no ataque, com Shibasaki e o capitão Makoto Hasebe se revezando para realizar a saída de três na construção japonesa. Na frente, o meia do Getafe e Shinji Kagawa criavam as melhores chances do Japão e deram dois passes decisivos cada.

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Japão saída de três com Hasebe (Reprodução/FIFA).

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Japão saída de três com Shibasaki (Reprodução/FIFA).

Até que o técnico da Colômbia se viu obrigado a responder. Pékerman promoveu a primeira substituição, tirando Juan Cuadrado, o jogador mais técnico do time, para a entrada do volante Wilmar Barrios. A partir daí, os colombianos passaram a jogar num 3-4-2 em momentos ofensivos, com José Izquierdo, auxiliando Falcao lá na frente.

Nesse esquema adotado, Barrios fez a função de terceiro zagueiro e os laterais colombianos ganhavam liberdade para atacar – Mojica, pela esquerda, e Arias, pelo lado direito. Compactada, a Colômbia conseguiu equilibrar o jogo.

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Colômbia compactada mesmo com um homem a menos (Reprodução/FIFA).

Era visível que a entrada de Barrios diminuiu o ímpeto japonês e o brilho da dupla Shibasaki-Kagawa. O Japão se tornou mais lento com a posse da bola e a Colômbia cresceu na partida, chegando ao gol de empate. Falcao Garcia sofreu falta duvidosa na entrada da área e Juan Quintero cobrou de forma magistral por baixo da barreira para deixar tudo igual já no fim da primeita etapa.

O segundo tempo começou e o Japão foi para cima, desta vez decidido a tirar proveito da superioridade numérica. Osako, Yoshida e Hiroki Sakai quase marcaram e a Colômbia só conseguia ficar dentro de seu próprio campo. James Rodríguez foi chamado para o lugar de Quintero e Carlos Bacca substituiu Izquierdo.

Com os colombianos cansados, os japoneses se utilizaram bastante dos ataques pelos lados do campo, em especial pela esquerda com a dupla Inui-Nagatomo. E foi exatamente pela esquerda da defesa que a Colômbia sofreu os golpes mais duros dos Samurais, que passaram a explorar os contra-ataques. Num desses, Arias deixou a defesa desguarnecida e Inui aproveitou a brecha para avançar e quase marcar o segundo.

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Arias demora para recompor e deixa o caminho aberto para Inui pela esquerda(Reprodução/FIFA).

Mas o que brilhou mesmo foi a estrela de Akira Nishino. O substituto de Vahid Halilhodzic trouxe Keisuke Honda, desafeto público do técnico bósnio, no lugar de Shinji Kagawa. Três minutos depois, cobrança de escanteio milimétrica de Honda e gol de cabeça de Yuya Osako.

Sofrer um gol em jogada aérea, era tudo que a Colômbia não esperava, com James Rodríguez apagado em campo em virtude da inferioridade numérica. Os cafeteiros até buscaram o empate, mas com um homem a menos, tudo era mais difícil para os comandados de José Pékerman.

Agora os colombianos terão que se desdobrar para reverter o prejuízo contra a Polônia e Senegal, pela ordem, na sequência do Grupo H. Enquanto isso, os japoneses comemoram. A improvável vitória dá animo porque feito japonês até aqui já é histórico – foi a primeira vitória de um asiático contra um sul-americano na história da Copa do Mundo.

@holandareporter e @HartungLeo

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