Pra dar confiança: ANÁLISE TÁTICA BÉLGICA 3 X O PANAMÁ

Por Juan Carlos Moura, Rafael Lima e Daniel Rohr

Estreante nesta edição da Copa do Mundo ao lado da Seleção da Islândia, o Panamá queria seguir o exemplo da vizinha Costa Rica na Copa de 2014, de acordo com o capitão Román Torres. Os costarriquenhos deixaram para trás Itália e Inglaterra e foram eliminados apenas nas quartas de final, nos pênaltis, pela Holanda.

Mas, quando a bola começou a rolar na Rússia, contra a seleção belga, o que se viu em campo foi um reflexo dos últimos amistosos, em que o Panamá  teve apenas 23% em sete jogos. Exaltada pelas suas qualidades individuais, a Bélgica procurou se impor e trabalhou a bola com velocidade pelos dois lados. Carrasco e Meunier agrediam muito os panamenhos, De Bruyne e Witsel ditavam o ritmo do jogo e se associavam o tempo todo com os meias Mertens e Hazard. Esse volume de jogo encurralou a equipe do Panamá, que repetiu erros de transição defensiva e, apesar da grande entrega, ofereceu pouca resistência. Os belgas perderam várias oportunidades de gol, principalmente pelo lado direito, lado que concentrou as ações no primeiro tempo.

BELGICA

A Bélgica também mostrava um bom repertório de jogadas ensaiadas de escanteios curtos e faltas, em uma delas De Bruyne aos 40 minutos da primeira etapa cobra uma falta para Mertens na entrada da área livre de marcação pegar de primeira e quase abrir o placar. Após a primeira metade do 1° tempo a Bélgica diminuiu o ritmo e o Panamá passou a ter um pouco mais a bola, porém sem exigir trabalho do goleiro Courtouis. Final de 1° etapa um monótono, 0x0.

No 2° tempo a Bélgica voltou com as baterias recarregadas. Logo aos 5 minutos da etapa final Mertens acertou um lindo chute cruzado no ângulo, 1×0.

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Aos 24 minutos De Bruyne deu uma linda assistência para Lukaku, livre de cabeça marcar, 2×0.

lukaku

O 3° gol (Lukaku) veio em um contra-ataque puxado por Hazard.

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A Bélgica teve 61% de posse de bola, trocou 568 passes (com aproveitamento de 85%) e finalizou 15 vezes (6 no gol). O panamá teve a bola por 31% do tempo, com um total de 354 passes (80% de aproveitamento), finalizando 7 vezes (2 no alvo).

Como era esperado, o Panamá se mostrou uma das mais frágeis equipes do torneio, e mesmo assim a Bélgica apresentou alguns problemas já recorrentes.

https://mwfutebol.com.br/2018/06/12/a-geracao-belga-de-promessa-a-duvida-analise-tatica-da-belgica/

Quando baixa o bloco defensivo, a equipe trabalha sem pressionar o portador da bola. Carrasco continua quebrando a última linha e deixando exposto o lado esquerdo da defesa.

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Witsel não pressiona com intensidade e Carrasco quebra a linha defensiva, Murilo teve ótima oportunidade de empatar a partida nesse momento.

Essa passividade sem a bola pode custar caro contra equipes mais poderosas.

panamá

Cinco Belgas não pressionam o portador da bola e olham com passividade o camisa 20 Anibal enfiar uma bola que quase resulta no primeiro gol dos panamenhos em uma copa do mundo.

De Bruyne esteve um pouco abaixo, errou mais passes que o de costume (12), acertou (57) passes (78% de aproveitamento) e errou as 2 finalizações que tentou. De positivo o craque continua se apresentando o tempo todo para quem está com a bola, na defesa ou ataque. E ainda deu uma linda assistência.

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Os problemas de sempre

Nos amistoso pré-Copa, o Panamá optou por enfrentar adversários de baixo nível técnico, alguns dos quais sequer haviam se classificado para a Copa, como Trinidad e Tobago e Irlanda do Norte. O repertório defensivo se provou fraco nesses testes. Contra a poderosa Bélgica e seus craques protagonistas de grandes equipes do futebol europeu, não seria diferente. O Panamá sofreu desde os minutos iniciais, com dificuldades para pressionar o portador da bola, fechar linhas de passe e recompor defensivamente para acompanhar a velocidade belga. Não por acaso, os belgas finalizaram 15 vezes, enquanto o Panamá se defendia a duras penas.

Com tamanha superioridade, o placar em 0 a 0 ao fim do primeiro tempo foi motivo de comemoração para os panamenhos na Rússia, enquanto os belgas saíram de campo inconformados com as tentativas frustradas. Posicionado à frente da dupla de zaga, o volante Gómez percorreu, no total, 10.273 metros, sendo 5.375 metros sem a bola. Se desdobrou para conter o ímpeto de Hazard e De Bruyne, e saiu de campo esgotado.

Com apenas duas finalizações a gol em noventa minutos, do lateral Murillo e do zagueiro Escobar, o Panamá tem tudo para ser o saco de pancadas do grupo. Será uma missão ingrata fazer frente aos ingleses, mas, contra a Tunísia, talvez o tão sonhado gol possa se concretizar, já que pontuar parece fora de cogitação.

A Bélgica vem forte, tem conjunto e ótimos jogadores, mas precisa corrigir os problemas, (principalmente a questão da passividade quando não tem a bola) antes que seja tarde.

 

@10juancarlitos, @rafjoga101983 e @danielrohr.

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