A vitória da superação e aliada à disciplina tática: ANÁLISE TÁTICA DE ALEMANHA 0 X 1 MÉXICO

Por Juliano Rangel e Matheus Eduardo

Superação é a palavra que melhor define a atuação da seleção mexicana na vitória sobre a Alemanha por 1 a 0. Entre dilemas e dúvidas, Osorio montou uma equipe que, se não foi completamente sólida, chegou perto disso, sem abrir mão dos ataques rápidos. Esse foi o ponto marcante do El Tri ao longo das Eliminatórias e dos últimos amistosos.

Com o esquema tático 4-2-3-1, o técnico resolveu reforçar seu esquema defensivo, principalmente pelo lado direito da defesa, com Salcedo atuando como lateral e Layún sendo colocado na ponta. No meio, Vela atuava como organizador, e Lozano, que foi o grande destaque da partida, se posicionava pela esquerda, entrando em diagonal.

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A saída de bola mexicana acontecia pelo chão, mesmo com a Alemanha fazendo pressão. Os volantes Andrés Guardado ou Héctor Herrera se aproximavam do trio Salcedo, Ayala e Héctor Moreno, enquanto o lateral Gallardo, mais aberto pela esquerda, dava amplitude no movimento.

Durante os momentos de apoio, era habitual ver os meio-campistas (Herrera e Guardado) recuando para ajudar os defensores na base da jogada. Enquanto um deles recebia a bola, o outro avançava alguns metros para atacar os espaços e ajudar na transição ofensiva. Em especial Herrera, que apresentou muita fisicalidade e qualidade para levar o México à frente, e influenciou nas acelerações contra um adversário que cedeu muito nesse sentido.

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Na fase defensiva, o México atuava num 4-4-2, com Lozano e Layún recompondo a linha de meio-campo. A equipe concentrava sua marcação na zona em que Alemanha estava com a bola, além da zona de meio-campo. Quando a bola era invertida, eram realizados movimentos de flutuação das duas linhas.

Na Alemanha, predominou o 4-2-3-1 presente em boa parte dos jogos da equipe no ciclo pré-Copa, com praticamente todas os jogadores habituais. A única alteração foi a ausência de última hora do lateral-esquerdo Jonas Hector que, gripado, deu lugar a Marvin Plattenhardt.

Como comportamento coletivo, chamou a atenção a ação de Toni Kroos que, geralmente, é o meio-campista que mais se aproxima dos zagueiros para fazer a saída de bola e realizar os apoios. Contra o México, que pressiona alto, fez diferença não possuir o camisa 8 a todo tempo atrás (e Khedira acabou sobrecarregado por isto). Em uma posição mais avançada, ele se juntava a Özil, Draxler e Müller no jogo por dentro, acumulando jogadores em busca de superar os defensores mexicanos e realizar bons arremates.

No todo, vimos uma Alemanha que tinha a posse de bola e dominava os espaços ofensivos com os meio-campistas próximos, o ponta-esquerdo Draxler atuando mais por dentro (como habitualmente faz), Müller próximo do atacante Werner, com alguns movimentos de apoio pela ponta, e os dois laterais bem abertos, atacando por fora. Em especial, Joshua Kimmich assumiu esta função na direita, gerando o lado negativo de abrir seu corredor para os contra golpes rivais, no que justificou as melhores ações de ataque mexicano no 1º tempo – inclusive o gol de Hirving Lozano.

Gol do México x Alemanha - Lozano

Com um poder de combate no meio-campo reforçado, os contra-ataques eram a grande aposta da equipe mexicana, principalmente pelo lado esquerdo, onde a equipe gerou 58% das suas ações ofensivas. Isto acontecia por dois motivos: os tantos jogadores alemães que ficavam no campo ofensivo e, em contragolpe, eram superados em velocidade pelos atacantes do México (e o defeito crônico da Alemanha em sua transição defensiva) e os muitos espaços que Kimmich tinha que cobrir atacando e defendendo, o que sobrecarregava a ele e a Sami Khedira, que devia fazer sua cobertura e a de Kroos no campo defensivo.

Por outro lado, os germânicos não conseguiam encontrar tantas formas de finalizar a gol, porque o único grande problema do México eram os espaços deixados, na fase defensiva, entre a linha de defesa e de meio-campo, por onde a Alemanha costuma chegar para finalizar de fora da área. Elaborando e acelerando, os campeões mundiais não conseguiam superar os defensores rivais e, nos primeiros 45 minutos, só chegaram com maior perigo em uma falta cobrada por Kroos, que culminou com defesa de Ochoa e resvalou na trave logo em seguida.

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Disposição das equipes no 1º tempo.

Na segunda etapa, o México deu uma queda no ritmo, com os comandados de Osorio apostando ainda mais nos contra-ataques nas transições ofensivas. Algumas chances foram desperdiçadas, com a defesa alemã deixando espaços. Além dos problemas em transição defensiva, a Alemanha ainda apresentava a debilidade em muitos momentos de pressão no campo de ataque, porque não executava o pressing com intensidade a ponto de roubar a bola de cara, mas, sim, tentando bloquear linhas de passe, sem tanta agressividade. Nisto, os mexicanos as superavam e rapidamente chegavam ao campo rival. Foram raros os momentos em que vimos jogadores alemães subindo marcação próximos ao goleiro/zagueiros, perto de roubar a bola. Ainda assim, os mexicanos conseguiam se sobressair.

No lado mexicano, Osório promoveu algumas mudanças na equipe, com a entradas de Édson Alvarez, que atuava centralizado na frente da linha defesa, com Herrera e Guardado mais à frente.Rafa Márquez foi colocado em campo para atuar no meio, com Alvarez sendo deslocado para lateral-direita, formando uma linha com 5 defensores. Raul Jiménez também entrou na partida para fechar a segunda linha com quatro homens, tendo só Chicharito mais avançado. O México ficou num 5-4-1 nos últimos 15 minutos.

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Mesmo com as mudanças nos tempos, México continuou escapando da pressão alemã, que nem sempre era tão intensa como no flagrante. Nesses raros momentos, Ochoa e os defensores souberam se virar.

No lado alemão, as muitas mudanças deixaram a equipe sem um sistema bem definido nos minutos finais. Tendo deixado muitos espaços na transição defensiva e sobrecarregado atrás, a péssima partida de Khedira fez com que ele fosse substituído por Marco Reus, gerando o recuo de Kroos e mais velocidade por dentro.

Posteriormente, Plattenhardt deixou o campo para a entrada de Mário Gomez para ganhar mais força dentro da área e alguma referência. Nesse momento, o México já se defendia com cinco atrás, e a Alemanha, precisando de um gol, foi atrás de mais força nos cruzamentos e na segunda bola. Como faltava velocidade e amplitude ao perder o lateral-esquerdo, Löw colocou em campo Julian Brandt na vaga de Timo Werner já na reta final. Werner teve uma atuação ruim porque não conseguia ser acionado em velocidade e, na área, foi dominado pela zaga mexicana. Com Brandt, que jogou menos de dez minutos, muita pressão, velocidade e maior precisão nas finalizações – o jogador, inclusive, acertou um chute na trave.

Com as trocas, a Alemanha chegou a atuar emalgo que variava entre o 2-2-4-2 com a bola e o 4-2-2-2 sem a bola. Na fase ofensiva, só Boateng e Hummels na saída, com Kroos e Özil mais próximos da base. Aberto na esquerda, Brandt; na direita, Kimmich; os dois meias mais por dentro, neste plano, eram Draxler (à esquerda) eReus (à direita). No ataque, Müller (mais aberto) e Mario Gomez. Na fase defensiva, Kimmich e Brandt fechavam as laterais.

Nesse abafa, a Alemanha se instalou em campo rival e tentou, de todas as formas, buscar o gol. Ao todo, foram 26 finalizações. Do outro lado, destaque à concentração e o grande trabalho defensivo mexicano, tendo bloqueado 9 destes arremates e com o goleiro Ochoa defendendo outros nove. Ignorando as oportunidades de contragolpe desperdiçadas pelo México, que poderia ter construído até mais, dá para dizer que os fatores também penderam à vitória do conjunto de Osório, somando um grande jogo (com alguns riscos) a uma boa aplicação defensiva e reativa.

Vitória com a alma mexicana – A atuação surpreendente da seleção mexicana, comparada aos últimos amistosos, mostrou como a parte tática da equipe foi importante durante os 90 minutos, mas sem abrir mão das transições ofensiva pelos lados, com destaque para Hirving Lozano.

Revés que ajuda a repensar – A estreia com derrota deve fazer Joachim Löw e os jogadores repensarem suas rotas para o restante de Mundial. A iminente dificuldade dos zagueiros ao defender em campo aberto ou a sobrecarga de funções por questões de característica podem levar a uma maior adaptação dos jogadores em busca de maior efetividade. Hoje, foram plurais as causas que levaram a Alemanha à derrota diante do México.

@julianords e @matheusesouza

 

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