Gol no fim é um balde de água fria em boa atuação tática do Egito

Por Sergio Santana

Diante de um adversário com mais qualidade técnica e sem sua referência, Mohamed Salah, dentro de campo, o Egito investiu suas ações em se manter participativo na parte tática. No habitual 4-2-3-1, os comandados de Héctor Cuper ofereceram muita dificuldade para os uruguaios criarem, o que até trouxe poucas chances claras no primeiro tempo.

Inicialmente, os egípcios se focaram em pressionar a saída de bola adversária, principalmente quando a mesma estava com Bentancur e Vecino, os volantes do Uruguai, responsáveis por começarem as jogadas. Bloqueando os dois expoentes responsáveis pelo momento inicial das jogadas, a equipe de Héctor Cuper conseguiu o que queria: obrigar o Uruguai a atacar, muitas vezes, por meio de ligações diretas, que vinham diretamente dos zagueiros, mas que eram rebatidas por Hegazy e Ali Gabr.

Nesse contexto, Tarek Hamed foi de extrema importância para o Egito: percorrendo praticamente todo o terço médio, o volante efetuou dois desarmes, bloqueou um chute e venceu dois duelos, além de ter efetuado 26 passes – com um sucesso de 86% na execução dos mesmos. O camisa 8 ofereceu a fisicalidade que Elneny, meio-campista mais técnica, não consegue executar, sendo uma peça vital na estratégia inicial dos faraós.

Da metade para o final do primeiro tempo, porém, o Egito parou de pressionar a saída de bola do Uruguai como antes, e os americanos tiveram mais campo para jogar. Mesmo assim, isso foi pouco suficiente para mudar o panorama, já que os egípcios continuavam congestionando o meio e evitando que – principalmente – Giorgian De Arrascaeta conseguisse criar chances, já que Amir Warda, ‘substituto’ de Salah, estava em um grande tarde, vencendo 6 dos 8 embates que participou, além de efetuar um desarme.

Quando deixou de pressionar a saída de bola, o Uruguai passou a estar mais inteiro no campo ofensivo. Nesse contexto, entra a segunda parte da estratégia de Héctor Cuper: com duas linhas de quatro, sobrava pouco espaço para os jogadores uruguaios jogarem, mas sobrava campo livre para os faraós atacarem no momento pós-recuperação da bola – justamente a situação que os africanos buscavam. Apesar de não terem conseguido criar nenhuma chance clara, os egípcios tiveram oportunidades para tentarem marcar.

Segundo tempo

Mudando de postura, a Seleção Egípcia voltou para a etapa complementar buscando mais o ataque, deixando de colocar a postura defensiva em primeiro plano – apesar de, mesmo assim, não abrir mão das quatro linhas de marcação, que se mantiveram íntegras durante toda a partida, oferecendo muitas dificuldade para o Uruguai, que colocou Cebolla Rodriguez e Carlos Sanchez com o objetivo de ‘abrir’ o campo, mas os dois foram controlados pela forte marcação.

Com o passar do tempo, porém, a Seleção Uruguaia passou a estar mais presente na metade ofensiva do campo, obrigando a Héctor Cuper, assim como na etapa inicial, mudar sua estratégia: o Egito, então, voltou a jogar sem a bola e voltou sua estratégia para aproveitar os espaços deixados pelo adversário na defesa. Nesse contexto, a entrada de Mahmoud Kahraba foi justiçável: o camisa 11 ofereceria mais mobilidade ao ataque, já que Mohsen estava preso na marcação de Godín e Giménez, que tiveram uma atuação quase perfeita.

A substituição, porém, não mudou muito o panorama da partida: Uruguai preso nas fortes e próximas linhas de marcação egípcias. O espaço para os sul-americanos criarem era mínimo, o que traduz uma grande atuação tática dos africanos, principalmente com o volante Mohamed Elneny, com três intervenções defensivas, presença em praticamente toda a extensão do campo, 44 passes e um senso defensivo apurado, evitando que os uruguaios conseguissem passar pelo meio.

Apesar do gol sofrido nos últimos minutos do jogo, em uma jogada envolvendo uma situação de bola aérea, a atuação do Egito foi muito acima do esperado, principalmente sem o principal expoente do time, que permaneceu no banco, provavelmente por ainda não ter íntegras condições de atuar. Os comandados de Héctor Cuper cumpriram suas funções dentro das quatro linhas de uma forma magistral, e até conseguiram se mostrar presentes no ataque em algumas ocasiões, mas faltou alguém para definir essas chances.

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Créditos: Mike Hewitt – FIFA via Getty Images

@sergiostn_

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