RÚSSIA E GOLOVIN, A ESTREIA DOS SONHOS: Análise tática de Rússia 5 x 0 Arábia Saudita

André Andrade e André Ribas

De 4 em 4 anos existe um frio na barriga especial, o mundo para, e o epicentro das movimentações humanas nessa Terra se torna uma bola de futebol. Os anfitriões tem o prazer de dar o pontapé a mais um torneio da Copa do Mundo, mais um que com certeza será caótico, singular, surpreendente… pois os requisitos são 1 bola, 4 linhas, 22 jogadores e um lugar, que na verdade se torna o mundo inteiro, uma globalização instantânea na ponta da chuteira, fora isso as possibilidades dentro dos 90 minutos de jogo são infinitas, impossíveis de serem decifradas, apesar dos padrões que são muitas vezes identificáveis. Nessa quinta-feira se iniciou mais um evento cultural/esportivo e com mais mil definições como a Copa, o êxtase dos apaixonados, e para variar, tivemos algumas surpresas.

A anfitriã Rússia enfrentou a seleção da Arábia Saudita que trocou de técnico várias vezes no último ano e não conta com um elenco nada estrelado, entretanto muitos ainda esperavam um jogo parelho principalmente pelas recentes atuações da Seleção Russa, entretanto na prática não foi isso que aconteceu.

NANA

Fonte: SofaScore

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Mapa de calor.

Cherchesov , o técnico dos donos da casa, decidiu começar a Copa com uma surpresa ao mundo. Não utilizou sua linha de 5 atrás, tão requisitada durante todo o comando do mesmo a frente da seleção… Ao invés disso… Decidiu formar uma linha de 4 na defesa, com o lateral-direito brasileiro Mário Fernandes no time titular e a utilização de Samedov na linha de meio-campo pela direita. Além disso chamou muita atenção a presença de Dzagoev no time titular, o jogador que é uma das referências técnicas desse elenco era muitas vezes preterido pela questão tática e física e as exigências do comandante russo e logo na estreia da Copa ganha a chance como titular. O plano de Cherchesov era utilizar da habilidade, movimentação do meia para criar problemas para o time da Arábia Saudita, principalmente no setor de meio-campo ofensivo, buscando superioridades e uma melhor última bola para Smolov.

Dzagoev saiu machucado, infelizmente, ainda no início do primeiro tempo, com a mudança… Golovin foi para o papel de meia-atacante, circulando por todos os setores ofensivos do campo impactando muito o jogo com suas participações, passes, conduções, dribles e Cherysev entrou na meia-esquerda. E atuou muito bem! Foi autor de dois gols de pura habilidade, dignos de uma abertura de Copa do Mundo pra ajudar a Rússia a ampliar o placar.

Outro ponto forte do time Russo além das valências individuais desses dois destaques do jogo de hoje, foi coletivamente uma equipe segura, que reduziu o espaço entrelinhas e fez uma defesa em pressionante muito boa reduzindo assim o espaço-tempo e as opções do portador da bola, que na Arábia na maioria das vezes não conseguia encontrar a solução positiva para a jogada e perdia a bola por falta de qualidade técnica e qualidade como equipe, apesar de ter uma boa ideia, de tentar manter a bola e praticar a posse, o jogo de hoje foi marcado por posses estéreis e a maioria no setor do meio-campo e defensivo, com muitas perdas e espaços concedidos a Golovin & cia que abusavam da parte física, superior do esquadrão russo, para vencer os duelos individuais(por exemplo, nas laterais de Zhirkov e Mário Fernandes) e também no aspecto coletivo, nas transições, sobretudo a ofensiva, ou seja, no momento de recuperação de posse e ataque ao espaço/ progressão no campo.

No 4-1-4-1, a Arábia Saudita teve uma péssima atuação na sua estreia. Nos primeiros minutos, a seleção buscou trabalhar com passes curtos e rápidos, mas faltou qualidade para colocar seu jogo em prática. O time teve mais posse de bola, mas pouco criou devido aos erros técnicos que cometeu, sem dar nenhum chute em direção ao gol. Al Muwallad, principal nome da seleção, recebeu poucas bolas e ficou isolado no ataque, sem criar grandes perigos ao goleiro Russo. A equipe tem uma ideia, mas não conseguiu executá-la.

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Na defesa, errou muito, demonstrando sua fragilidade no setor. Time espaçado, sem ser compacto e cometendo falhas no desarme, na bola área, no passe e na leitura de jogo, dando espaços para a Rússia chegar com perigo no ataque. Foi na base do pressing que o time da casa conseguiu roubar bolas, anular a seleção da Arábia Saudita e criar suas principais chances. Com essa pressão, os filhos do deserto começaram a abusar dos lançamentos. Foram 46, sendo que só acertaram 13. Oteyf, que é o responsável por qualificar a saída de bola da seleção, na saída de três, não teve espaço e não conseguiu verticalizar o jogo. Não produziu o esperado.

Na segunda etapa, Pizzi abriu mão de um volante e coloco mais um atacante para ser mais efetivo no ataque, mas pouca coisa mudou, pois o meio não conseguiu fazer com que a bola chegasse ao ataque, cometendo muitos erros técnicos. Hoje, a Arábia Saudita mostrou ser uma equipe frágil, com pouca qualidade técnica e que deve deixar logo a competição.

O destaque individual do jogo e melhor em campo fica por conta de Aleksandr Golovin, meia do CSKA Moscow, de 22 anos, o jogador é polivalente e realiza várias funções dentro do terreno de jogo com qualidade, tem bom drible curto, condução de bola, técnica de passe e chute… O que ficou visível no jogo com 1 passe para assistência, 2 assistências e um bonito gol de falta, carimbando o 5-0 dos anfitriões. Foi jogador citado como Underdog no Guia da Seleção Russa do site e no podcast Imigrantes da Bola, fique ligado nele nessa Copa.

@andre_frehse e @PepGenius

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