A grande incógnita japonesa em busca de um milagre – ANÁLISE TÁTICA DO JAPÃO

Por Leonardo Hartung

Segunda melhor campanha nas Eliminatórias Asiáticas, o Japão surpreendeu ao demitir o bósnio Vahid Halilhodzic após os amistosos de março contra Mali e Ucrânia. Em seu lugar assumiu Akira Nishino, diretor técnico da JFA (sigla para Associação Japonesa de Futebol) e técnico da Seleção nacional nos Jogos Olímpicos de 1996 que venceu o Brasil por 1×0, no que ficou conhecido como o “Milagre de Miami”.

O Japão tem preferência por uma saída pelo chão. Os laterais/alas, geralmente Hiroki Sakai e Yuto Nagatomo, alargam o campo de ataque, auxiliam na circulação de bola da Seleção Japonesa e sempre possibilitam uma rápida virada de jogo. Na Era Nishino, o Japão começou no 3-4-2-1 e passou para o 4-2-3-1. Caso opte pelo esquema com quatro defensores, um dos meias costuma descer até os zagueiros para realizar uma saída de três.

Tendo bons passadores em seu elenco e com os jogadores próximos em campo, ficar com a bola não é um problema para os japoneses. O Japão apresentou dificuldades para criar situações com a equipe organizada no campo de ataque, ponto que evoluiu com Akira Nishino. Mas a equipe falha com regularidade na finalização. Já a transição ofensiva japonesa é sempre veloz em busca de uma conclusão rápida.
A Seleção Japonesa tem uma postura agressiva quando o seu adversário tem a bola, maior na Era Halilhodzic e um pouco menor neste início de Akira Nishino. O portador da bola sempre é pressionado por um jogador japonês e o time avança as suas linhas de marcação a fim de dificultar o trabalho de seu oponente com a posse de bola.
Em fase defensiva, é possível ver os japoneses marcando de forma mista, e muitas vezes trabalhando com encaixes por setores e perseguições variando entre curtas e médias. E em transição defensiva, os jogadores do Japão pressionam o adversário para retomar a posse da bola.
Tanto a pressão pós-perda quanto a forte pressão japonesa durante a construção de seu adversário podem ser uma benção se a bola for recuperada, assim como podem se tornar em maldição quando os japoneses não conseguem retomar a posse (veja no vídeo abaixo como o Brasil saiu da pressão japonesa, assim como Mali e Ucrânia também conseguiram).

Caso a pressão pós-perda não funcione, é possível ver o Japão com cinco jogadores em busca de oferecer uma densidade defensiva segura (relação entre os jogadores da equipe que ataca e da equipe que se defende): o trio de zagueiros e os dois meias. Caso esteja disposto em 4-2-3-1, a densidade defensiva terá três ou quatro jogadores: a dupla de zaga e os dois ou apenas um dos meias (na maioria dos casos, o capitão Makoto Hasebe).

Principal jogador: Keisuke Honda

Muito mais pelos 13 gols e oito assistências em 36 jogos pelo Pachuca na última temporada do que pelo desempenho recente na Seleção Japonesa, onde Honda não marca há 14 partidas.
Tecnicamente, Honda é irrepreensível. Exímio cobrador de faltas, com altíssima capacidade de criação e bons chutes de curta e média distância. Hoje, Honda é o melhor finalizador no elenco japonês.

Fique de olho: Tomoaki Makino

Fazendo dupla com Maya Yoshida ou formando um trio com o zagueiro do Southampton e o capitão Makoto Hasebe, o defensor de 31 anos vai para a sua primeiro Copa do Mundo.
Makino é um zagueiro inteligente e muito bom nos desarmes. Embora não seja um defensor muito veloz, o jogador do Urawa Red Diamonds é uma interessante arma pelo alto. Tanto que dos últimos sete gols que o Japão marcou enquanto com elenco completo, dois deles saíram da cabeça de Tomoaki Makino.

@hartungleo

ANÁLISE DOS GOL
Por Pedro Cardoso Petrachini
Gols a favor
O Japão é um caso à parte em relação a todas as outras seleções que estarão na Rússia. O time trocou de treinador em abril de 2018, restando um mês para a definição dos 23 atletas convocados. Vahid Halilhodzic saiu, para a entrada de Akira Nishino.
Sem nenhum amistoso antes de viajar para a preparação definitiva, o país não se encaixa nos parâmetros utilizados para a realização destes textos, que tiveram como limite a última data Fifa antes da definição dos elencos.
Para não ficar sem citar a seleção asiática, considerei os 2 amistosos preparatórios diante de Gana e Suíça, nos dias 30 de maio e 8 de junho. O principal problema é que os japoneses não foram às redes, perdendo ambos os duelos por 2 a 0. Ou seja, é de se esperar que Nishino tenha trabalho para, em pouco tempo, formar um time realmente competitivo.
Gols contra
Na defesa, foram 4 gols sofridos em 2 jogos, sendo 2 em cada duelo. Assim como na questão ofensiva, o Japão deve ter muitos problemas, já que vem com um trabalho recém-iniciado, sem qualquer tempo para formar um setor defensivo forte.
Contra Gana, os dois tentos vieram em bolas paradas, um de falta e um de pênalti. Já contra a Suíça, mais uma vez os asiáticos levaram gol em penalidade máxima. O segundo saiu em bola que ficou rondando pela área, sem que os defensores aparecessem para cortá-la.
@PedroPetrachini

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