Em meio às desconfianças, a seleção El Tri busca fazer uma boa Copa do Mundo – ANÁLISE TÁTICA DO MÉXICO

Por Juliano Rangel

A palavra que mais define o que será essa 16ª participação do México em Copas do Mundo é DESAFIO. A seleção do técnico do colombiano Juan Carlos Osorio chega à Rússia com uma campanha brilhante nas eliminatórias, mas com alguns questionamentos: Por que Osorio é tão criticado? Quais serão os 11 iniciais desta caminhada? Será que dessa vez a equipe avança além fase de oitavas de final? É que buscaremos responder, por meio de muita tática de jogo.

Para chegar ao torneio, foram 16 jogos, com 11 vitórias, quatro empates e apenas uma derrota, tendo marcado 29 gols e sofrido oito. Sem fugir de suas características, Osorio costuma montar sua equipe num tradicional 4-3-3, que chegava a variar para um 3-4-3, e até um raro 3-5-2, como na vitória contra a Nova Zelândia na Copa das Confederações de 2017.

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A saída de bola na frente da meta de Guillermo Ochoa geralmente ocorre pelo chão, com três homens. A dupla de zaga, que deve ser formada por Hugo Ayala (na vaga do contundido Diego Reyes) e Héctor Moreno, conta com o recuo do volante Héctor Herrera para iniciar o jogo. Com um ataque muito rápido, principalmente pelos lados, a equipe também costuma apostar nas bolas longas lançadas por Héctor Moreno e Héctor Herrera.

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Os laterais, Miguel Layún, que de atuar improvisado pela direita com uma capacidade enorme de chegada ao ataque, e Jesús Gallardo, na esquerda, costumam dar bastante profundidade e apoio nas descidas da equipe. Osorio também já utilizou pela direita, Carlos Salcedo e Edson Alvarez, que dão mais força defensiva por aquele lado.

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Mais a frente, no meio-campo, Jonathan do Santos (pela direita) e Andrés Guardado (pela esquerda) costumam atuar como homens de sustentação da equipe, atuando também como infiltradores pelo meio da área, nos momentos ofensivos.

No ataque, o trio deve ser formado por Carlos Vela (pela direita), Hirving Lozano (pela esquerda) e Chicharito Hernández (pelo centro). Com muita mobilidade dos dois pontas, que costumam realizar jogadas na diagonal, Lozano vem sendo uma figura importante nos duelos 1 x 1 com a defesa adversária.  Vela costuma armar jogadas pelo meio e recompor a linha de meio-campo.

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No centro, Chicharito não costuma ficar plantado na área, sendo um jogador que busca jogadas no meio-campo, para abrir espaços e possibilitar as chegadas dos meio-campistas Jonathan dos Santos e Andrés Guardado. Além disso, nas fases de ataque, o camisa 14 atua infiltrado entre os zagueiros.

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Outras peças do quebra-cabeça

Osorio costuma girar bastante o elenco, dando oportunidades para outros jogadores ao longo das partidas. Na defesa, sem Diego Reyes, que está contundido e pode cortado e trocado na lista por Erick Gutierrez, Carlos Salcedo é um nome que costuma ser utilizado. Lateral-direito de origem, ele também pode ser uma opção para a zaga.

Já veterano, Rafael Márquez também é uma das peças muito utilizadas na zaga e também como volante, mas a questão da velocidade pesa contra essa escalação, como vimos na movimentação do segundo que equipe sofreu na derrota para Dinamarca por 2 a 0, em uma partida amistosa.

No meio-campo, Osorio costuma utilizar Marco Fabián, tanto na esquerda, como na direita. Fabián atuando como um organizador, que também chega à área. No mesmo setor, Giovani dos Santos, que também pode jogar como ponta, é uma opção para jogadas em diagonal e as chegadas, por infiltrações, na área.

Para o ataque, Osorio ainda conta com quatro opções. Pela esquerda ou na direita, Jesús Manuel Corona, que atuou como titular nos amistosos contra País Gales e Dinamarca, é uma figura importante para quebrar as linhas adversárias, sejam com dribles ou nos duelos 1 x 1.

No lado esquerdo, Javier Aquino é uma boa opção utilizada pelo treinador colombiano para ganhar velocidade, principalmente nas jogadas em diagonal, além de ser um jogador importante na recomposição da linha de meio-campo nas transições defensivas.

Para o comando de ataque, Osorio ainda conta com Raul Jiménez, que também pode ser uma opção pelos lados, o que favorece uma escalação junto com Chicharito Hernández. Agora se a opção foi por um jogador mais centralizado, o colombiano pode optar por Oribe Peralta.

Pontos para serem observados:

– Pressão na saída de bola adversária: Um dos pontos trabalhados por Osorio é a pressão na saída de bola adversária. Geralmente realizada com três ou quatro homens. Destaque para Jonathan dos Santos, que usa toda sua velocidade, para ser um dos homens de meio-campo que apóia essa movimentação na saída de bola da zaga adversária.

– Transição defensiva lenta: Atuando com os laterais mais abertos, a zaga acaba sofrendo com os contra-ataques rápidos dos adversários, principalmente nos espaços deixados pelos lados. No empate em 2 a 2, contra Portugal, na Copa das Confederações de 2017, o gol de Cristiano Ronaldo mostrou evidenciou esse erro defensivo.

– Meio-campo de pouco combate na marcação: Mesmo tendo um meio-campo de jogadores mais leves, o combate nas jogadas próximas a área do goleiro Ochoa não resultam em retomada da bola, principalmente pelo lado direito com Jonathan dos Santos.

– Desatenção nas jogadas pelos lados e nas bolas paradas: As jogadas pelos lados são um verdadeiro problema para equipe de Osorio, que ver sua equipe se “desligar” nestes momentos, seja nos ataques pelas pontas ou até nas cobranças de laterais, como nas derrotas para Alemanha e Dinamarca, respectivamente. Veja abaixo.

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Principal jogador: Chicharito Hernández

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Seguindo para sua terceira Copa do Mundo, Javier Hernández ou apenas Chicharito, chega à Rússia com seus recém completados 30 anos, buscando levar o El Tri mais longe no torneio.

Pela seleção, o camisa 14 já atou em 102 jogos, tendo marcado 49 gols. Vice-artilheiro da equipe nas eliminatórias, com três gols, Chicharito não teve uma grande temporada em seu novo clube, o West Ham. Na Inglaterra, ele atuou em 30 jogos, no quais marcou oito gols.

No esquema tático mexicano, Chicharito pode atuar centralizado, saindo mais da área para tabelar e abrir espaços para os jogadores de meio-campo.

Fique de olho: Hirving Lozano

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Destaque na campanha do título holandês do PSV Eindhoven, na última temporada, Lozano já começa a fazer sucesso em solo europeu. Com apenas 22 anos, o atacante ex-Pachuca figurou entre 11 jogadores do Campeonato Holandês, com 17 gols marcados e oito assistências, em 29 partidas disputas.

Pela seleção, Lozano foi o artilheiro da equipe nas eliminatórias, com quatro gols marcados. No total, o camisa 22 já disputou 36 jogos, tendo marcado oito gols.

Na seleção mexicana, Lozano pode atuar na ponta esquerda, utilizando muito seus dribles nos duelos 1 x 1, além das entradas em diagonal na área, que podem resultar em gols.

@julianords

 

ANÁLISE GOLS

Por Pedro Cardoso Petrachini

MEXFoto: AFP

Gols a favor

Os times de Juan Carlos Osorio costumam ser conhecidos pelo DNA ofensivo, com um estilo interessante de ver, muita amplitude e velocidade. E isso se reflete nos números do México. Em 32 jogos no ciclo pós-Copa América 2016 (da qual a equipe foi eliminada levando 7 a 0 do Chile), foram 49, média de 1,53 por partida.

E por mais que as jogadas fortes pelo lado, com ultrapassagens e busca pelos espaços abertos nas pontas, as bolas paradas foram a principal fonte de tentos para os comandados de Osorio. Ao todo, somando escanteios, faltas (laterais e diretas) e pênaltis, foram 17 gols, representando 34,6%.

Em relação às jogadas pelos lados, a preferência foi pelo flanco esquerdo. 12 tentos tiveram origem por ali, contra 5 pela direita. Geralmente, além dos laterais, Osorio gosta de usar pontas abertos, gerando amplitude.

No aspecto individual, empate triplo na artilharia geral. Chicharito Hernández, principal estrela ofensiva, marcou 5 gols, mesmo número de Raul Jímenez e Irving Lozano. Todos eles estão entre os 23 convocados para o Mundial.

Gols contra

Assim como a força ofensiva é conhecida nos times de Osorio, as defesas vulneráveis também são. O começo deste ciclo até foi bom, com apenas 3 tentos sofridos em 9 jogos. Depois, porém, foram 25 em 23 partidas, subindo a média para mais de 1 (1,08 exatamente). No total, 28 em 32 (0,87).

Na Copa das Confederações, por exemplo, na qual o México enfrentou times fortes como Portugal (duas vezes) e Alemanha, foram 10 tentos em 5 duelos, 2 por jogo na média. Em um grupo com equipes com boa qualidade, a tendência é de que o sistema defensivo sofra no Mundial.

Os contra-ataques foram um dos problemas do time. Com dificuldades para recompor, após subir com muitos jogadores ao ataque, 4 gols saíram desta forma. Outra questão foram as bolas perdidas ainda na defesa: 3 tentos dos adversários vieram assim.

A expectativa no México também fica por conta do desempenho do goleiro Guillermo Ochoa. Vale lembrar que na Copa de 2014, ele se destacou bastante na campanha de sua seleção, inclusive parando o Brasil, em empate por 0 a 0 na primeira fase.

@PedroPetrachini

 

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