OS VATRENI: o caminho dos guerreiros enxadrezados ANÁLISE TÁTICA DA CROÁCIA

Por Luiz Doering

Se me pedissem para definir a seleção croata em poucas palavras eu diria que se trata de uma seleção recheada de grandes jogadores que possuem um alto poder de fogo e habilidade suficiente para fazer a diferença, mas que em termos coletivos ainda é uma equipe que falha ao extrair e explorar as melhores qualidades de seus atletas.

A Croácia não fez uma Eliminatória convincente e obteve sua vaga somente na repescagem. Depois de alguns resultados ruins (como a vitória magra por 1×0 sobre a quase amadora Seleção do Kosovo e o empate com a já eliminada Finlândia em 1×1), o treinador Ante Cacic não resistiu e acabou despedido. Para a disputa da repescagem, os croatas buscaram Zlatko Dalic, treinador croata de pouco prestígio internacional que treinava o Al-Ain nos Emirados Árabes. A classificação para o mundial veio depois de uma vitória maiúscula sobre a Grécia por 4×1 em casa, seguida de um empate seguro em 0x0 no jogo da volta.

Sistema tático: 4-2-3-1

TIME CROACIA

O técnico Zlatko Dalic tem apenas sete partidas à frente do selecionado croata, o que dificulta a análise tática, já que vimos muito pouco do que o treinador pretende que sua equipe faça dentro de campo. Ainda assim, o passado recente do treinador nos Emirados Árabes e essa pequena amostragem de jogos no comando da Seleção nos permite crer que a Croácia atuará majoritariamente no sistema 4-2-3-1, podendo atuar também no 4-4-2 em determinadas situações. Ambos os sistemas favorecem as principais características do selecionado croata: a manutenção da posse de bola e o jogo físico.

A Croácia aposta nos seus grandes meias, Ivan Rakitic e Luka Modric, para fazer com que a bola chegue sempre em boas condições para seus ótimos atacantes. Rakitic, que possui o DNA do Barcelona, costuma ser o responsável por buscar a bola próximo dos zagueiros e dar início às jogadas, sempre com muita qualidade.

Com um toque de bola muito qualificado pelo meio, a seleção croata aproveita o poderio físico de seus atletas para chegar ao ataque com muita velocidade e agressividade. Nessa linha, essencial a participação de Ivan Perisic, Mario Mandzukic e Nikola Kalinic, jogadores que aliam força, boa estatura e velocidade.

Outras armas bastante exploradas pelos croatas são o uso da bola parada (a altura média da equipe titular é de 1,84m), especialmente através de Mandzukic, além das finalizações de média e longa distância, ferramentas presentes no estilo de jogo de Perisic.

Ponto Fraco: Defesa

A linha de defesa talvez seja o ponto mais crítico da seleção croata. Sime Vrsaljko, de boa temporada no Atlético de Madrid, herda a vaga do histórico Darijo Srna, que se aposentou da seleção após a Eurocopa de 2016. O miolo da defesa deverá ser composto pelos conhecidos (porém questionados) Lovren (Liverpool) e Vida (Besiktas), sempre lembrando que Corluka vem de lesão e não se sabe ao certo em que condições físicas chegará ao mundial. A lateral esquerda provavelmente será ocupada por Ivan Strinic.

Trata-se de uma linha defensiva alta e pesada. Talvez Vrsaljko seja o único que possa surpreender dentre os defensores, já que vem de boa temporada na Espanha. Sem dúvidas trata-se do setor mais crítico da seleção croata, que pode se ver em dificuldade no confronto contra equipes velozes e se utilizam da marcação alta (pressionando a saída de bola dos zagueiros).

Destaque: Luka Modric

O grande jogador da Croácia é, sem dúvidas, Luka Modric. O meia do Real Madrid é hoje um dos melhores jogadores do mundo, sendo um dos protagonistas da equipe de Madrid que venceu as últimas três Champions League.

Modric é um jogador extremamente completo, mas sua grande característica é o passe de ruptura. O camisa 10 da Croácia possui uma visão de jogo tão aguçada e uma técnica de passe tão impressionante que não raras vezes coloca seus companheiros em ótimas condições para marcar.

Além da qualidade sobrenatural no passe, o meia do Real Madrid ainda pode ser considerado um finalizador muito perigoso, especialmente em chutes de média distância.

 

Para ficar de olho: Ante Rebic (Frankfurt-ALE)

O jogador para ficarmos de olho poderia muito bem ser Andrej Kramaric, o versátil atleta de 26 anos do Hoffenhein, que tem sido presença constante nos jogos da Croácia, marcando gols e se mostrando extremamente perigoso nas finalizações (são 16 gols e 10 assistências na atual temporada).

Entretanto, após a atuação brilhante na final da Copa da Alemanha, impossível não ficarmos empolgados com o jovem Ante Rebic, grande destaque da final contra o Bayern de Munique, marcando dois gols.

Rebic é um jovem atacante de 24 anos que costuma jogar pelo lado esquerdo do Eintracht Frankfurt. Autor de 9 gols na temporada da Bundesliga, o jovem croata se destaca, a exemplo de seus compatriotas, pela estatura (1,85m, 77kg) aliada a velocidade. Sua grande característica é a capacidade de gerar perigo ao gol adversário quando acionado através de passes longos, de modo que sua utilização é perfeita para equipes que exploram os contra-ataques.

A considerar a capacidade de passe da Croácia, especialmente através dos excelentes Modric e Rakitic, os lançamentos na velocidade para Ante Rebic podem se tornar uma arma extremamente perigosa, especialmente nas partidas onde a Croácia deverá atuar de modo mais defensivo (contra a Argentina, por exemplo).

Vale destacar que Rebic não deverá ser titular, já que divide a posição com o experiente Perisic, mas é provável que o vejamos em campo nessa Copa do Mundo, especialmente atuando na parte final das partidas.

@lmfdoering

 

ANÁLISE GOLS

Por Pedro Cardoso Petrachini

CROACIAFoto: HNS

Gols a favor 

O trabalho do técnico Zlatko Dalic é muito curto na Croácia, o que dificulta um pouco a boa execução de padrões, no ataque e na defesa. O comandante chegou em outubro de 2017 e teve só 5 jogos até definir a lista final que levará à Rússia.

Ao todo, seu time fez 7 gols (1,4 por partida). Vale ressaltar, porém, que 4 saíram em um único duelo, vitória por 4 a 1 sobre a Grécia na repescagem das Eliminatórias. Para preocupar um pouco, apenas 1 tento foi marcado nas últimas três apresentações, e de pênalti.

Talento para trabalhar a bola ou buscar jogadas mais ousadas não falta, com meio-campistas como Modric e Rakitic. Mas não foi só pelo centro que o jogo fluiu. 2 gols saíram em construções de linha de fundo, com passes para dentro da área. Outros 2 vieram em lançamentos mais longos. 2 tentos de pênalti e 1 em roubada no ataque completam a lista.

A artilharia da curta era Zlatko Dalic fica com um dos nomes menos famosos do sistema ofensivo croata: Andrej Kramaric, do Hoffenheim, fez 3 gols. Modric, Kalinic, Perisic e Rakitic também balançaram as redes.

Gols contra

A defesa da Croácia foi vazada 3 vezes nos 5 jogos de Dalic, representando média de 0,6 por jogo. Porém, em apenas 2 partidas a retaguarda acabou vencida: derrota por 2 a 0 para o Peru e triunfo por 4 a 1 sobre a Grécia.

Os 3 gols tiveram origens diferentes. Contra os gregos, bola parada lançada na área, em cobrança de escanteio, acabou com tento de cabeça. Já contra os peruanos, duas formas distintas apareceram para os sul-americanos marcarem.

No primeiro, erro croata na saída de bola. O time tentou trocar passes para sair da marcação, mas errou e viu os rivais recuperarem já perto da área. Já no segundo, o Peru conseguiu uma transição rápida desde a defesa, com passes precisos que quebraram a marcação adiantada e fizeram os zagueiros ficarem expostos para embates diretos e sem superioridade numérica.

@PedroPetrachini

 

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