O mistério de Sampaoli para demonstrar que a Argentina não é só Messi – ANÁLISE TÁTICA DA ARGENTINA

Por Michel Corbacho

A Argentina chega para a Copa do Mundo desconhecida por muitos e, por vezes, esquecida às candidatas ao título. Quando apontam a ‘Albiceleste’ citam sobre a ultra dependência por Lionel Messi.

Que a Argentina depende de Messi, isto é fato(!), assim como o Barcelona depende também. Aliás, qual equipe no futebol mundial não gostaria de depender de Lionel Messi?

Apesar disto, Sampaoli tenta trabalhar para melhor atender ao seu camisa 10 dentro de campo, porque sabe que se Messi atuar em uma equipe organizada e que ofereça qualidade técnica, ele pode ser ainda mais letal!

Além dos que acreditam que possam oferecer essa tal qualidade para a equipe, a exemplos de Lo Celso, Maxi Meza e Pavón, Sampaoli também concedeu alguns “mimos” de Messi e convocou, praticamente, todas as preferências do craque, como a manutenção de Higuaín, Marcos Rojo e Ever Banega no elenco.

A Equipe

No momento, a Argentina passa a impressão de não ter uma equipe titular definida e, de fato, Sampaoli ainda testa muitas formações nos treinos, mantendo o mistério da equipe titular, mas tentando encaixar a melhor forma de jogo para a Argentina.

Desde o início do ciclo – vitória por 1 a 0 diante do Brasil – Sampaoli não esconde a sua preferência por uma linha de três defensores. Entretanto, com a dificuldade de adaptação por parte dos jogadores aliada à ausência das vitórias, fizeram com que o técnico mudasse o esquema, voltando para um 4-2-3-1 que Sampaoli gosta de impor com a sua ideia protagonista e muita movimentação dos atletas em campo. Veja!

ARG 2

Apesar dos cortes de Sergio Romero e Manuel Lanzini, lesionados e que seriam titulares, “el hombrecito” pensa na tal equipe para a estreia: Caballero; Mercado, Otamendi, Rojo, Tagliafico; Mascherano, Lo Celso; Meza (Pavón), Messi e Di María; Higuaín (Agüero).

Na equipe ideal de Sampaoli, Sergio Agüero é titular para completar o sistema ofensivo com Messi e Di María, que atuam por trás do centroavante e com muita movimentação e criatividade para o finalizador da Argentina.

Apesar disto, por conta da recente lesão do atacante do Manchester City, o técnico da Argentina tenta resguardá-lo ao máximo para poder contar com o atleta bem fisicamente para a partida de estreia ou, no máximo, diante da Croácia (segunda partida da Argentina na fase de grupos).

Análises Táticas

Para a lateral direita, Mercado é o dono da posição, apesar da concorrência com Toto Salvio, um jogador mais agudo pelo setor. Na esquerda, entrou e conquistou a titularidade o jogador do Ajax-HOL, Nicolás Tagliafico. Um lateral-esquerdo que talvez, desde a aposentadoria de Sorín, seja o mais técnico e com poder ofensivo para a função.

Por consequência, pode-se notar os constantes avanços de Tagliafico ao campo ofensivo, já que se tornou a principal peça para associar-se à Di María no flanco esquerdo. O meio-campista do PSG centraliza e abre espaços pelo lado do campo para os avanços de Tagliafico. Vale ficar olho em um dos pontos fortes desta Argentina de Sampaoli!

ARG 3

Outro ponto forte dessa seleção de Sampaoli são as jogadas aéreas, visto que, conta com jogadores no sistema defensivo que, sempre quando pode, auxiliam aos homens de ataque e até marcam gols. Jorge Sampaoli aproveita às estaturas de Gabriel Mercado, Nico Otamendi e Marcos Rojo nas bolas alçadas.

No meio de campo aparecem algumas deficiências da Argentina: a definição do primeiro volante, já que Sampaoli dá sinais de preferência por Lucas Biglia, porém pela representatividade e com Biglia em processo de recuperação física, Mascherano deve pintar na estreia diante da Islândia.

Consequentemente, a Argentina sofre com a marcação nesta região do campo. Por alí, com as dificuldades de Mascherano e Biglia, a Espanha foi superior e aplicou uma goleada dominadora diante da equipe de Sampaoli. O técnico da Argentina procura, de todas as maneiras, o equilíbrio entre a marcação e a ofensividade com a dupla – ou até uma trinca – de volantes.

Ao lado do primeiro volante, um dos melhores jogadores da Argentina nas últimas partidas: Giovani Lo Celso! O meio-campista se adaptou à nova função no Paris Saint-Germain-FRA e com muita qualidade no primeiro passe, faz a bola chegar até os homens de frente com maior precisão e clareza, além de pintar como surpresa no sistema ofensivo da Argentina.

A trinca ofensiva atrás do “9” deve ser formada por Maxi Meza, Messi e Di María. Meza, que também pode atuar como um segundo volante por Lo Celso e ceder o espaço da ponta direita para Pavón, ganhou notoriedade e espaço na equipe titular após os treinos fechados de Sampaoli.

O jogador do Independiente é polivalente, pode atuar em várias posições, além da sua característica mobilidade, qualidade nos passes e velocidade para ser o volante “área a área” da ‘Albiceleste’.

ARG 4

Ainda no sistema ofensivo, vale destacar as constantes sociedades e interações durante as partidas entre Messi, Di María e Agüero (Higuaín). Pelo período que atuam juntos na seleção, os atletas já conhecem as características de cada um, apesar de que, Messi e Di María são os que mais se procuram para gerar jogo em favor da Argentina.

Destaque

Sem dúvidas, Lionel Messi é o principal destaque da Argentina. O camisa 10 da seleção foi quem garantiu a classificação da equipe de Sampaoli quando marcou um “hat-trick” diante do Equador na última partida das Eliminatórias Sul-Americanas.

ARG 5

Messi foi o artilheiro da Argentina no Torneio classificatório com sete gols. Além disto, o gênio também ofereceu 30 assistências para finalizações e duas assistências para gol. O aproveitamento da Argentina nas Eliminatórias foi de 52%. Com Messi em campo, esse aproveitamento ganha proporções a 70%. Messi ainda tem uma média de 34 passes certos por partida, algo em torno de 95% de efetividade.

Lionel Messi é a cabeça pensante da seleção Argentina. O famoso “enganche”, meia-atacante que gera o jogo em favor da sua equipe. Além de oferecer assistências para finalizações aos seus companheiros, Messi segue letal: aparece sempre na área como um homem finalizador, muitas vezes em posição do centroavante, para definir as coisas em prol da equipe de Sampaoli.

A exemplo do que citamos, o primeiro gol de Messi diante do Equador. O camisa 10 recebe a bola na faixa central do campo, cria a jogada ao procurar Di María pela ponta esquerda e já aparece dentro da área adversária para receber a assistência e marcar o gol.

Cada vez mais veremos o Messi assim, ainda mais objetivo, criando o jogo com passes qualificados e chegando na área para definir!

Surpresa

Para tratar de surpresas na Argentina deveríamos citar vários jogadores que surgiram com a camisa da seleção, corresponderam às expectativas e estão na lista para jogar a Copa do Mundo.

Apesar de poder citar nomes como Tagliafico, Pavón, Maxi Meza, dentre todas as gratas surpresas, opto por destacar Giovani Lo Celso.

ARG 6

O jogador do PSG se reinventou na equipe francesa para conseguir se adaptar ao futebol europeu. Por característica, desde quando atuava no Rosário Central, Lo Celso era um meia mais de criação, atuando em uma faixa mais adiantada no campo de jogo.

Ao chegar na França – e para a surpresa de muitos, após fraca atuação nas Olimpíadas – Lo Celso começou a buscar seu espaço na equipe e, para isso, mudou a sua função de meia armador para um volante que tem qualidade no passe, faz a bola chegar aos homens de frente, além de pintar como “homem surpresa” no campo do adversário.

Nas oportunidades que teve no Campeonato Francês, Lo Celso marcou quatro gols e ofereceu três assistências. Na seleção, Lo Celso auxilia muito no “doble 5” para as saídas de bola e oferece o passe “entre linhas” para romper a marcação dos adversários. Lo Celso é o responsável por fazer a bola chegar “redonda” aos pés de Messi e Di María, os principais jogadores de criação da Argentina.

Ou seja, com Lo Celso em campo, Sampaoli evita que Messi recue até a linha do meio de campo para buscar a bola e tentar criar o jogo. Messi agradece a presença de Lo Celso na equipe titular da Argentina e atua como quer o seu treinador, ainda mais próximo da meta adversária.

Lo Celso tem uma média de 70 minutos por jogo na Argentina. Foram apenas cinco jogos, todos eles amistosos, onde ofereceu uma assistência para gol e tem uma média de 93% de acerto nos passes.

Por característica, Lo Celso também chega na área adversária. Nos jogos em que disputou com a camisa da Argentina, o meio-campista do PSG ofereceu oito passes para os seus companheiros de dentro da área do rival. Além de finalizar, em média, pelo menos uma vez por partida.

Ainda no fundamento passes, principal característica do jogador, os números de Lo Celso são interessantes. Confira!

ARG 7

@michelcorbacho

 

ANÁLISE GOLS

 Por Pedro Cardoso Petrachini

MESSIFoto: Getty Images

Gols a favor

O trabalho da seleção argentina é bastante recente. Jorge Sampaoli assumiu no meio de 2017 e precisou definir o time que vai à Rússia com apenas 10 jogos. As características do treinador são bem conhecidas desde os tempos de Universidad de Chile, passando também pela seleção chilena, campeã da Copa América em 2015 com ele no comando.

Na equipe dotada de grandes talentos como Messi, Aguero, Di María, entre vários outros, os padrões começam a se formar nos gols marcados. O time gosta de atacar com vários jogadores, gerando amplitude e profundidade. As construções verticais, pelo meio, puxadas principalmente por Messi, são importantes.

Neste tipo de lance, o camisa 10 pode procurar um passe para romper a linha de defesa, e 7 de 17 tentos saíram desta maneira, 41% do total. Outra opção é usar a amplitude e levar a bola do meio para os lados.

Um ponto interessante foi o uso das bolas paradas. Nos primeiros jogos, quando o time ainda começava a entender o que Sampaoli queria, esse tipo de lance foi mais utilizado. Por exemplo, o gol da vitória sobre o Brasil (1 a 0 em amistoso) veio em escanteio cobrado de maneira curta e cruzamento na sequência. Outros dois tentos saíram em lançamento de bolas paradas na área. Porém, aos poucos, o artifício se tornou menos decisivo.

Em números gerais, a artilharia foi bastante dividida no aspecto individual. Dos 17 gols com Sampaoli, Messi foi quem mais balançou as redes, com 3. Por curiosidade, todos no mesmo duelo, contra o Equador, na rodada final das Eliminatórias. Outros 11 nomes dividiram os 14 tentos restantes, sem contar um gol contra.

Gols contra

A última impressão que ficou da defesa argentina foi péssima, com os 6 gols sofridos em amistoso contra a Espanha. No jogo em questão, talvez até por aspecto psicológico, abalado conforme os europeus chegavam às redes, o que se viu foi uma defesa aberta, dando espaços enormes, com falta de compactação, posicionamento errado e nenhuma capacidade de combate.

Ao todo, foram 12 tentos sofridos em 17 jogos. A média é bem aceitável, 0,7 por partida. Porém, a interrogação fica por dois duelos mais recentes. Além do 6 a 1 contra a Espanha, a Argentina levou 4 da Nigéria (derrota por 4 a 2). E os africanos serão rivais na primeira fase do Mundial.

Contra-ataques, gerados pelo ímpeto ofensivo dos hermanos, que avançam com vários nomes, renderam 3 gols aos rivais. O mesmo número foi visto em jogadas nas quais os argentinos perderam a bola em seu campo de defesa. Somados, representam metade dos tentos levados.

Apesar das impressões ruins pelo desempenho recente, em números gerais é importante destacar que, em 6 dos 10 jogos, a retaguarda saiu invicta, incluindo partidas contra rivais de peso, como Brasil, Uruguai e Itália. Se tirarmos os dois fatídicos confrontos diante de Nigéria e Espanha, foram 2 gols sofridos em 8 partidas (0,25 em média).

@PedroPetrachini

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