Os pragmáticos Socceroos de van Marwijk – ANÁLISE TÁTICA DA AUSTRÁLIA

Por Felipe Simonetti

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Podemos dizer que a história da Seleção da Austrália para a Copa do Mundo de 2018 começa na Holanda de 2010 e passa pelos Soceroos de 2014 sob o comando de Ange Postecoglu. Foi um caminho árduo, mas que culminou com a difícil qualificação diante da Síria na repescagem das Eliminatórias Asiáticas (sim, os australianos jogam pela Ásia), a vitória sobre Honduras na repescagem Mundial e a vaga no grupo de França, Peru e Dinamarca da Copa do Mundo.

E se acha que vale a pena parar de ler por aqui porque acha que a Austrália se resume à Tim Cahill (38 anos) está completamente errado. O veterano vai à sua quarta Copa, mas já perdeu completamente seu espaço e é substituído por novos jogadores!

O encontra do técnico Bert van Marwijk com os Socceroos se dá de forma curiosa. O treinador e ex-jogador holandês foi quem levou seu país natal à final da Copa do Mundo de 2010 com um time bastante pragmático, mas eficiente em bolas-chave com a visão de Sneijder, faro de gol de Van Persie e extrema participação de Robben pelo lado direito. 7 anos depois estava classificando a Arábia Saudita de volta à Copa após 12 anos fora da competição e no caminho das eliminatórias encontrou justamente a Austrália.

Após a Copa do Mundo de 2014 e a difícil qualificação para 2018, Postecoglu deixa o comando da Austrália e quem assume é van Marwijk e desde o início já se vê mudanças claras de trabalho.

Como jogam os Socceroos?

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O ousado time que fez boas partidas na Copa do Brasil contra Holanda (2–3) e Chile (1–3) trocou seu 3–4–2–1 (ou 3–2–4–1 em alguns momentos) por uma 4–2–3–1 mais padronizado, simples, conservador e reativo. E não é por aversão ao jogo bonito; van Marwijk diz: “Eu gosto de praticar um futebol rápido, gosto do jogo ofensivo… mas gosto também de vencer!”

O conservadorismo talvez tenha uma explicação: com pouco tempo de trabalho e um contrato que dura, a princípio, somente até o final da Copa, o técnico preferiu fazer o simples para evitar vexames e quem sabe abocanhar uma vitória na Rússia.

É um time que parte de criações pouco complexas, portanto, não espere passes mirabolantes, bolas achadas ou jogadas cuidadosamente construídas, mas lances rápidos de contra-ataque abusando da qualidade individual dos pontas.

Se pudermos destacar uma marca registrada do time de van Marwijk essa será a vinda pela lateral em muita velocidade (principalmente com Leckie) e cruzamentos para o outro lado do campo esperando segundas ou terceiras bolas. Ou mesmo arrancadas pela ponta buscando o centro para a finalização. No amistoso contra a República Tcheca (4–0) não tiveram muitas chances, mas todas se resumiram à velocidade de transição e conclusão de jogada e uma pitada de sorte nas finalizações.

Defensivamente, o time pode se destacar pela forte pressão à bola, não sendo raros os lances em que vemos 2 ou 3 jogadores irem em direção do centro do jogo. Raras vezes veremos uma linha de 5, mas quando isso ocorrer será pela pressão de um dos pontas. E o resultado disso é o sufocamento do portador da bola que muitas vezes acaba cruzando sem destino para a área e lá os australianos se mostraram seguros. Veja:

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Entretanto, essa também pode ser a armadilha da equipe. A pressão muitas vezes toma um ar mais emocional e desesperado do que racional e não são raros os buracos deixados pelos defensores que saem para marcar. Repare neste frame do jogo contra a Colômbia (0–0):

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Também não será estranho vermos grandes buracos entre o meio e a defesa em transições defensivas muito lentas. Inclusive, como marca registrada negativa fica a baixa capacidade de recuperar a bola em primeira oportunidade, normalmente tendo que recorrer à corrido atrás do portador da bola. Veja essa oportunidade dos tchecos e o buraco deixado no meio:

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Para ficar de olho!

Andrew Nabbout, 25 anos, meia-atacante do Urawa Red Diamonds

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Com um meio de campo bastante decepcionante, o foco australiano fica para seu ataque e Nabbout é um dos nomes longe do mainstream que pode surpreender aos que farão maratona de Copa do Mundo.

Depois de decepcionantes anos em sua carreira ele parece ter encontrado seu espaço e ganhado uma vaga no time de van Marwijk. Tendo a possibilidade de jogar tanto pela ponta aposta à Leckie quanto no ataque (seja junto de Juric ou ganhando seu posição) o camisa 11 pode se destacar tanto pela sua velocidade quanto pela sua capacidade de finalização. Pelo modelo de jogo da equipe acaba se tornando uma peça bastante importante.

O craque

Mathew Leckie, 27 anos, ponta do Hertha Berlim

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Nem venha com a ideia de que Tim Cahill continua sendo destaque em terras australianas. É ídolo, ficará na memória, mas hoje o destaque do time é Leckie, jogador que você com certeza se recorda pela sua semelhança com Eden Hazard no álbum de figurinhas da Copa passada.

É um ponta rápido e totalmente protagonista. Lembra-se da jogada que falei de fazer a transição rápida para o ataque buscando ou meio ou um cruzamento para o lado oposto? Essa é a especialidade do camisa 7, que além de assistência também marca gols (foram 2 na goleada sobre os tchecos).

Expectativas

Sinceramente não podemos acreditar tanto no time de van Marwijk. Pragmático, mas de jogo interessante e de certa forma eficiente, não passa de um esquema para buscar uma eliminação menos humilhante para a empolgada torcida. Após cair no grupo do Brasil em 2006, no da Alemanha, Sérvia e Gana em 2010 e no da morte em 2014 (com Holanda, Chile e Espanha), os Socceroos pegam mais uma pedreira. Terão que enfrentam a França (16 de junho), a Dinamarca (21 de junho) e o Peru (26 de junho) e sair com zero pontos e alguns poucos gols marcados da Rússia não seria tanta surpresa.

@felipesimonetti

@imigrantescast

 

ANÁLISE GOLS

Por Pedro Cardoso Petrachini

tecFoto: Michael Regan/Getty Images

Gols a favor

A Austrália é um caso bem particular. Afinal, o técnico Bert Van Marwijk (foto) assumiu o comando já no início de 2018, após a saída de Ange Postecoglou, responsável por classificar o time à Copa.

Ao todo, o comandante responsável por levar a Holanda à decisão em 2010, contra a Espanha, teve apenas dois amistosos antes de reunir o grupo para a disputa do Mundial.

Com derrota para a Noruega (4 a 1) e empate com a Colômbia (0 a 0), os resultados não foram tão animadores. O único tento, marcado por Irvine, veio em bola parada lançada na área. E esta deve ser uma arma australiana, já que o time tem atletas altos e de boa força física.

Gols contra

Com 4 tentos sofridos, todos noruegueses, a defesa de Van Marwijk não foi das mais confiáveis. Porém, o treinador nem teve tempo de ajeitar. A esperança é evoluir nos treinos pré-Mundial.

Para efeito de estatística, os gols no amistoso contra a Noruega saíram das seguintes maneiras: bola parada jogada na área, perda de bola na defesa, lance que saiu do meio e chegou para chute cruzado no lado esquerdo e, por fim, jogada pela esquerda concluída após cruzamento.

@PedroPetrachini

 

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