Allez Les Bleus – ANÁLISE TÁTICA DA FRANÇA

Por Luiz Martins

 

Allez! Allez!

FRA 1

A seleção francesa, campeã mundial em 1998 e vice em 2006, possui uma das equipes com alta qualidade de jovens talentos entre os participantes, podendo realizar uma ótima campanha dentro do torneio.

A equipe iniciou sua caminhada até a fase de grupos, classificando-se em primeiro lugar no grupo A das eliminatórias europeias.

– Análise tática-

A equipe comanda por Didier Deschamps, capitão da seleção francesa em 1998, utiliza 2 formações, na maioria de seus jogos:

– 4-3-3

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– 4-2-3-1

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Em qualquer formação utilizada, os laterais buscam aprofundar o jogo, compondo a linha dos meias em momento ofensivo, participando ativamente da criação de jogadas.

Quando defendem, buscam sustentar a linha defensiva, assim evitando ser surpreendida com infiltrações, principalmente pelo centro do campo.

FRA 4Laterais atuando na linha dos meias, auxiliando na construção ofensiva

No centro da defesa, existe bastante solidez defensiva e ótima leitura de espaços com a dupla Varane e Umtiti, dois zagueiros de nível mundial.  O que pode ser crucial para a França, é o modo como Deschamps organiza a defesa em bolas paradas, porque este um dos quesitos onde a equipe sofre muitos gols.

O meio-campo é o lugar onde existem diversas possibilidades de composição, devido a qualidade e diversificação de jogadores no elenco, que podem realizar diversas funções, com isto ocorrendo mudanças de esquema tático inicialmente, dependendo de qual adversário o time irá enfrentar, ou durante a partida, conforme o jogo se apresentar.

Kanté é o jogador chave dentro da espinha dorsal que compõe o meio-campo francês. Altamente técnico, combativo e leitor de espaços, para compensar os companheiros no momento defensivo e também auxiliar na construção ofensiva. É o motor do time. Kanté é um dos melhores jogadores europeus em eficiência de desempenho em meio a mudanças frequentes de posse. O meio campista ganhou 62% dos desafios e 75% dos desafios na campanha de Qualificação da Copa do Mundo. Além disso, teve média de 16 rebotes pegos e interceptações por partida. Ele pode tanto compor uma linha junto a outro companheiro, ou jogar como volante posicionado atrás de outros 2 companheiros.

A preferência de Deschamps, de acordo com os jogos analisados é a utilização do esquema 4-3-3, com Pogba e Tolisso (este jogou bastante nesta posição no Bayern), mas pode optar pela utilização de Matuidi, um jogador que sabe realizar um jogo mais transicional, de área-a-área, com muita infiltração, N´zonzi, para ganhar um jogador de controle de bola na base da jogada, ou optar por Lemar e Fekir, jogadores que tem a capacidades ofensivas, e poderiam atacar vindo de posições mais longe da área.

No ataque também existem ótimas opções, mas aqui é onde a equipe possui maior liberdade e improvisação de seus jogadores. Equipe é bastante dependente da técnica de seus homens de frente e do entrosamento entre si, para ter efetividade no setor ofensivo.
Possui em Dembelé e Mbappé os escapes pelas laterais ou buscando o centro, sempre atacando o espaço com rapidez e dribles em velocidade.

Possuem em Griezmann, o melhor jogador da equipe, um finalizador nato, que pode se associar rapidamente com meio-campistas e atacantes, sendo utilizado como segundo atacante (atrás do centroavante), ponta ou Falso 9.Caso utilize os 3 jogadores citados acima juntos, a mobilidade e troca de posicionamento ocorrerá com frequência, buscando confundir a marcação da defesa adversária.

Outra opção é a utilização de Olivier Girourd, um centroavante clássico, capaz de segurar marcadores, realizar jogadas de pivô e exímio na bola aérea.

-Fase Defensiva-

 

A França é a equipa mais forte em termos físicos, são líderes europeus em eficiência de desafios defensivos. Possuem um alto índice de vitória em desafios próximo a sua área.

Como existe variação de esquemas táticos, a equipe pode atuar de 2 formas na fase defensiva:

– Optando pelo 4-3-3, marcação utiliza mesmo esquema

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– Optando pelo 4-2-3-1, marcação utiliza o esquema 4-4-2 em linha

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Equipe realizará a marcação nestas formações, sempre observando o lado que o adversário está com a bola. Desta forma o ponta do lado da bola, recua realizando a marcação, liberando o jogador centralizado e o ponta oposto, para já se posicionarem como opções de saída rápida em contra-ataque, caso o time retome a posse de bola.

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Ponta do lado da bola fechando linha de passe, enquanto o outro ponta e o atacante centralizado ficam posicionados para o contra-ataque

A pressão ao portador da bola, não é algo recorrente na equipe, em muitas situações ela deixa o adversário se organizar ofensivamente, na saída de bola, mas quando algum adversário se desloca, pra buscar a bola na linha dos zagueiros, um dos volantes realiza perseguição, buscando interceptar a ação. Caso o time comece a ser pressionado em seu campo, após adversário atravessar a linha do meio, a França realiza marcações individuais, pressionando principalmente o jogador adversário, com a posse de bola.

FRA 8

Meio-campista francês sai em perseguição a jogador

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Marcação individual da seleção francesa

-Fase Ofensiva-

A construção de jogadas inicia diretamente com os zagueiros, que levam a equipe a frente, até o meio-campo. Após um dos volantes gera linha de passe, para levar equipe a frente, juntamente com o lateral do lado que a bola se encontra.

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Quando a zaga está pressionada, o time não tem vergonha de realizar um chutão pra frente, seja o goleiro ou alguém da linha defensiva buscando alguma referência (Girourd ou Mbappé), para ganhar essa segunda bola.

Como já informado anteriormente, outra arma ofensiva é a imprevisibilidade dos jogadores de frente, que possuem um ótimo entrosamento pra se associarem, com toques curtos e sabem muito bem atacar os espaços deixados pelos adversários, principalmente em contra-ataques.

E como a equipe goste de contra-golpes!

A seleção francesa é uma das equipes que busca sempre deixar suas linhas muito próximas, durante todo o tempo da partida, mas principalmente quando está em momento ofensivo, é perceptível a proximidade de seus jogadores.

No vídeo abaixo, um exemplo de um gol em contra-ataque, que demonstra como os jogadores se postam próximos em campo:

A França é uma das equipas mais eficientes da Europa em contra ataques – 16% desses ataques terminaram com remates (22 remates, 4 golos marcados na campanha de Qualificação).

A equipe francesa é uma das equipes que tem alto rendimento em finalizações após situações de bola parada, do que outros rivais europeus, além de ser bem sucedida na eficiência de tentativas de drible.

O grupo parece ter um ótimo equilíbrio, tático e físico, além de aliar experiência e juventude, com muitas opções em todos os setores do time. Isso deverá proporcionar a Didier Deschamps, flexibilização tática em termos de configuração da equipe.

-Jogador Destaque-

 

Antoine Griezmann
Jogador habilidoso, rápido no raciocínio, sabe escolher muito bem as jogadas, possui velocidade para vencer o seu marcador através de desmarques e/ou dribles em velocidade. Ótimo em encontrar espaços entrelinhas de marcação. Sabe combinar muito bem seu jogo com seus companheiros, sendo muito associativo, além de ser um exímio finalizador.

Realizou uma de suas melhores temporadas pelo Atlético de Madrid, sendo coroado com o título de campeão da Liga Europa, sobre o Olympique de Marseille.

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-Fique de Olho-

Nabil Fekir

É um jogador de origem argelina que atua como meia. Nesta temporada defendeu a equipe do Lyon, mas existem rumores de que ele está já negociado com o Liverpool.
Jogador extremamente criativo, veloz, ótimo finalizador, posicionado na maioria das vezes em uma faixa central atrás do centroavante, podendo também atuar em uma faixa mais recuada do campo.
Tem uma predileção para atacar os espaços, buscando sempre a verticalidade em suas ações, pra agredir a defesa adversária.
Tem tudo para ser uma das principais armas da seleção francesa vindo do banco de reservas.
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@ojunomartins

Análise Gols

Por Pedro Cardoso Petrachini

International Friendly - France vs WalesFoto: Charles Platiau/Reuters

 

Gols a favor

A seleção da França, inegavelmente, tem um dos ataques mais poderosos do mundo. Com jogadores de talento enorme, como Griezmann, Mbappé, Pogba, entre outros nomes, a equipe de Didier Deschamps dificilmente não cria ótimas chances de balançar as redes nos duelos.

Após perder a Euro 2016, em casa, os campeões mundiais de 1998 disputaram 19 partidas no ciclo de dois anos até a Copa da Rússia. Foram 38 gols, com média de 2 por jogo. Apenas 4 vezes não conseguiu superar a defesa adversária.

Apesar dos números bons, fica a impressão de que o time poderia render ainda mais. Deschamps monta um sistema ofensivo de muita força e velocidade. Atacantes extremos passam pelos lados, Griezmann pelo meio também acelera, sem contar a chegada dos laterais. Talvez falte um pouco de cadência.

Construções verticais, com infiltrações na última linha de defesa adversária, geraram 7 gols (18%). Além disso, lances com trocas de passes rápidos e progredindo no campo também é uma arma. Quando o meio está fechado, as aberturas para as pontas também são importantes, até porque a França joga com atacantes abertos, gerando amplitude.

As bolas paradas, por outro lado, não são tão decisivas a favor da equipe de Deschamps. Foram 2 gols em lances de bola parada lançada para a área, além de um gol de pênalti e um de falta, marcado por Pogba em amistoso contra a Rússia. Ou seja, ao todo são apenas 4 de 38 (10,5%).

Com meias de força e velocidade, além de pontas habilidosos, a expectativa é de que os franceses não gastem tanto tempo rodando a bola no ataque. Jogadas mais verticais, com boa dose de talento individual, foram a tônica dos gols marcados no ciclo pós-Euro-2016.

Gols contra

Por não esperar tanto com a bola nos pés, preferindo definir com velocidade e força os lances, a França costuma, em parte dos jogos, deixar as partidas “lá e cá”, sem tanto equilíbrio como alguns dos principais rivais da equipe, considerando os principais candidatos ao título da Copa.

Ataca muito, mas também deixa algumas chances aos adversários em espaços abertos, principalmente na região do meio-campo, já que os atletas que atuam por ali se lançam ao ataque para dar mais força ao setor ofensivo. Nos 19 jogos, foram 17 tentos sofridos, média próxima a 1 por jogo (0,89 para ser exato).

Trocas de passes verticais, geradas por espaços dados no meio-campo, complicam a vida do sistema defensivo de Didier Deschamps. 4 gols saíram assim (23%). As construções pelos lados, geralmente também com lances mais rápidos e com campo para avançar, também foram preocupação, com 5 bolas nas redes em jogadas deste tipo.

Por fim, uma curiosidade relacionada à defesa francesa. O número de pênaltis cometidos, comparado com o total de gols sofridos, é bem alto. Das 17 vezes em que o goleiro da seleção foi vazado, 5 foram em penalidade máxima, um total de 29%.

@PedroPetrachini

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