O que os campeões Europeus podem fazer na Rússia – ANÁLISE TÁTICA DE PORTUGAL

Por Pedro Galante

 

Depois de conquistar a Eurocopa em 2016, a seleção portuguesa vai a Rússia em busca de uma boa campanha após não ter conseguido nem passar na fase de grupos na Copa do Mundo de 2014. A melhor posição dos lusos em uma copa foi o terceiro lugar em 1966, repetir esse desempenho seria um feito gigantesco.

Nas eliminatórias, Portugal venceu nove de dez partidas. Mas, o caminho à Rússia foi mais complicado do que os resultados dizem. Os portugueses só não tiveram de jogar a repescagem, pois venceram a Suíça por 2 a 0 na última rodada.

Taticamente, o desafio de Fernando Santos é montar um entorno que potencialize o talento de Cristiano Ronaldo, mas sem tornar a seleção totalmente dependente do gajo. São três as possibilidades de uso de CR7: pela ponta esquerda; como segundo atacante, com liberdade para atacar os espaços; ou como único centroavante.

Cristiano já não é mais aquele ponta veloz e driblador, usá-lo na ponta, mais distante do gol, diminui aquilo que é sua maior qualidade: a finalização. A posição de centroavante também não é ideal, Ronaldo não tem o costume de jogar de costas para o zagueiro, tendo que fazer o papel de pivô. Ele é muito mais nocivo vindo de trás, aproveitando os espaços deixados pelos companheiros, por isso a melhor função para ele é a de segundo atacante ao lado de André Silva. André Silva não fez uma boa temporada no Milan, e poderia dar lugar a jogadores que estão em melhor fase, mas sua presença é ideal e necessária para que CR7 jogue melhor. E aqui entramos em mais um desafio de Fernando Santos.

Gonçalo Guedes e Bruno Fernandes fizeram temporadas excelentes e fazem por merecer uma chance entre os titulares. Mas André Silva e João Mario, apesar da fraca temporada em seus respectivos clubes, são muito importantes ao modelo da seleção. A tendência é que João e André mantenham a titularidade e Gonçalo e Bruno entrem ao longo das partidas, mas nada impede que ao longo da competição esses papéis se invertam.

por 1Provável equipe titular de Portugal. (Foto: TacticalPad/ Pedro Galante)

Portugal deve jogar em um 4-4-2, com André Silva e Ronaldo a frente; Bernando Silva pela direita, João Mario pela esquerda, mas podendo aparecer pelo meio para criar superioridade ou ajudar na marcação; e William Carvalho e João Moutinho fazendo a proteção.

A criação acontece principalmente pelos lados. Os laterais jogam bem abertos, o que permite que os pontas apareçam por dentro para ajudar na construção. Outro mecanismo usado é o do ponta do lado oposto a bola ter liberdade para se juntar a dupla de ataque, assim Portugal consegue atacar a área com muitos jogadores em caso de cruzamento.

por 2Portugal ataca a área com quatro jogadores. Em amarelo, os pontas, J. Mario e B. Silva aparecendo por dentro. (Foto: Footballia/ Pedro Galante)

No momento defensivo, os lusos se caracterizam por uma pressão alta. Cristiano Ronaldo é quase nulo nessas ações. No frame abaixo um momento de transição contra a Suíça, Cristiano não se preocupa com a recomposição e João Mario aparece por dentro para dar o combate.

por 3Foto: Footballia/ Pedro Galante

– Destaque: Cristiano Ronaldo

Todos sabemos que Cristiano Ronaldo é o principal jogador de Portugal. O gajo conquistou a terceira Champions League consecutiva com o Real Madrid e tem grandes chances de ganhar a sua sexta bola de ouro. Foram 40 partidas, 41 gols e oito assistências na temporada 17/18. O ponto forte de Cristiano é a finalização, não à toa ele é a grande esperança de gols da seleção. A maioria das jogadas devem passar por seus pés com grandes chances de acabar nas redes do adversário.

– Fique de olho: Bruno Fernandes

Bruno Fernandes é o português a ser observado nessa Copa do Mundo. O meio campista de 23 anos fez uma excelente temporada no Sporting: em 54 partidas marcou 16 gols e deu 12 assistências. A principal qualidade de Bruno é o passe, ele ajuda muito o processo de criação das jogadas e é capaz de colocar seus companheiros na cara do gol em um piscar de olhos.

@pedro17galante

 

ANÁLISE GOLS

Por Pedro Cardoso Petrachini

POR 4Foto: Arnd Wiegemann – Reuters

Gols a favor

Fernando Santos assumiu Portugal em 2014. Ou seja, teve bastante tempo e muito jogos para formatar a seleção da melhor forma possível. E não é difícil notar o padrão dado pelo treinador ao time. Ao todo, em 48 jogos sob o comando de Santos, foram 95 gols, praticamente dois por jogo na média (1,979, para ser preciso).

Vale pontuar que, nas Eliminatórias para a Copa, os lusos pegaram uma chave com Ilhas Faroe, Andorra e Letônia, o que contribuiu para o alto número de tentos. Nos seis duelos contra essas seleções, foram 26 (média de 4,33). Além disso, amistosos contra Estônia (7×0) e Gibraltar (5×0) completam a ajuda para o setor ofensivo português.

Isso deve ser dito porque, nos jogos de maior peso, o que se viu foi um time bem menos goleador, padrão que pode se repetir na Copa. Na Euro 2016, na qual a equipe saiu com a taça, os comandados de Fernando Santos fizeram 9 gols em 7 partidas. A média cai bastante, para 1,28, e indica com mais precisão o que podemos esperar de Portugal em jogos mais equilibrados.

A construção lusitana preza, principalmente, pela força nos lados do campo. Jogando geralmente no 4-4-2, com dois meias abertos, o time constrói a maioria dos lances com apoio dos laterais e superioridade numérica pelo lado. Ainda que, ao longo do trabalho, Santos tenha conseguido fazer os atletas rodarem mais a bola, cruzamentos ainda são as principais fontes de assistências.

Com o genial Cristiano Ronaldo (artilheiro disparado da era Fernando Santos, com 31 gols) sempre bem posicionado, essas jogadas foram letais. 25 gols saíram desta forma, com construções pelo lado e lançamentos para a área (15 pela direita, 10 pela esquerda). Isso sem contar tabelas e ataques centrais que também, de alguma forma, chegaram aos lados e se tornaram cruzamentos. A força pelos flancos é uma arma fortíssima de Portugal.

 

Gols contra

Uma característica dos lusos foi a forte retaguarda. Nos 48 jogos com Santos, a equipe levou 33 gols, com ótima média de apenas 0,68 por partida. No título da Euro, por exemplo, foram 5 tentos sofridos, e só 1 nos 4 jogos eliminatórios, considerando ainda que 3 deles tiveram 120 minutos com a prorrogação.

Para encontrar espaços na forte defesa, as soluções costumaram vir pelos lados. Pelo meio, com zagueiros de imposição física e ainda uma segunda linha de 4 bem postada, foi muito difícil para os adversários. Assim, construções laterais acabaram sendo uma das únicas formas de achar espaço: 11 tentos (33,3%) saíram desta forma.

Outra forma de furar a defesa portuguesa foi o uso das bolas paradas jogadas na área. Por 6 vezes, os arqueiros portugueses foram buscar a pelota na rede após este tipo de lance. Ainda assim, o número é baixo. Se pensarmos que foram 48 duelos, este número significa que os lusos sofrem com a bola parada uma vez a cada 8 partidas. A Copa, no máximo, tem 7.

@PedroPetrachini

 

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