A solidez defensiva é o ponto forte – ANÁLISE TÁTICA DO IRÃ

Por Davi Magalhães

A seleção do Irã chega até a Copa do Mundo após fazer uma campanha surpreendente nas eliminatórias, se classificando de forma antecipada. A equipe comandada pelo treinador português Carlos Queiroz terminou as eliminatórias sem nenhuma derrota, em primeiro lugar no Grupo 1 das eliminatórias da Ásia, no mesmo grupo da Coreia do Sul e da China.

Por ser uma equipe desprivilegiada de qualidade técnica, o treinador Carlos Queiroz procurou um modelo de jogo que potencializasse seus jogadores, extraísse o melhor de cada um deles, formando uma equipe competitiva. O técnico teve muito sucesso nessa estratégia, adotou um modelo de jogo reativo, convenceu seus atletas que o mais importante é o coletivo. Como não possuem grandes jogadores com muita habilidade, o Irã precisa jogar sempre com seus jogadores muito próximos para não dar espaço ao adversário, com todos os jogadores marcando e procurando após a roubada de bola, aproveitar os espaços que surgirem na defesa contrária. Para o modelo funcionar, é fundamental que a equipe jogue com intensidade, concentração e tenha disciplina.

WhatsApp Image 2018-06-07 at 17.30.37A provável escalação e esquema do Irã (Feito com o Tactical Pad)

O ponto forte da seleção é o sistema defensivo. A seleção iraniana só sofreu 5 gols em 18 jogos em sua campanha de classificação para a Copa. Desses 18 jogos, ficaram 14 sem sofrer gols. Esses números da campanha do Irã nas eliminatórias mostram como a equipe executou bem o modelo de jogo, obtendo muito sucesso na sua proposta de jogo, negando espaço aos seus adversários, tendo na sua defesa, no coletivo, o ponto forte da equipe.

A marcação do Irã geralmente é feita em bloco médio, começando a marcação a partir do meio-campo. Porém em alguns momentos que a equipe pretende se defender mais, que está com o placar a seu favor, recua suas linhas fazendo uma marcação pressão baixa, começando marcação a partir da intermediária defensiva. Vale destacar também a posição corporal dos jogadores. Queiroz sabe a importância da posição corporal, dificultando o prosseguimento do ataque adversário. Se quiser saber mais sobre o tema, tem um texto muito bom do André Andrade que pode ajudar.

IRÃ 1Irã marcando no 4-4-2. Perceba como a equipe joga compacta, sempre mantendo as linhas de marcação próximas. No momento defensivo, Shojaei se alinha com o centroavante.

O Irã também pode variar do 4-2-3-1 para o 4-1-4-1, com o volante Ezatolahi posicionado entre as linhas de marcação.

IRÃ 2Irã se posicionando no 4-1-4-1 no momento defensivo.

A marcação do Irã a partir do meio-campo possibilita que o time execute a subida da pressão, conceito que a equipe de Queiroz aplicou em alguns jogos para dificultar a saída de bola adversária.

Quando o adversário fica sem opção de passe na saída de bola, não há alternativa, a não ser recuar a bola. É nesse momento que acontece a subida da pressão. Assim que o adversário recua a bola, o jogador mais próximo vai pressionar o portador geralmente e seus companheiros cortam as linhas de passe dele.

IRÃ 3 Como a bola foi recuada, o jogador iraniano vai pressionar o goleiro adversário.

Após a roubada de bola, o Irã procura acelerar com a posse, procurando passes diretos, muitas vezes em direção aos extremos, apostando na velocidade ou na disputa da primeira e segunda bola. A seleção iraniana marcou 11 dos 21 gols marcados nas eliminatórias através de contra-ataques.

IRÃ 4Na reposição da bola, o goleiro procura encontrar os extremos, fundamentais na transição ofensiva. O Irã procura aproveitar a velocidade e habilidade dos extremos.

Quando enfrentou equipes mais fracas tecnicamente nas eliminatórias, o Irã teve que propor o jogo, nessas partidas, a equipe encontra dificuldades. Se sente muito mais confortável reagindo. Nessas partidas que a equipe teve mais a bola, procurava atacar sempre pelo lado do campo. Como não tem um time muito técnico, na construção ofensiva procura o jogo direto, com passes longos.

A equipe de Carlos Queiroz ataca muito pelos lados do campo, por isso, os laterais tem bastante importância no momento ofensivo. Os laterais avançam para cruzar a bola para a área. Quando a bola chega à linha de fundo, o extremo do lado oposto entra na área para finalizar. Entretanto, os laterais não tem a função de ficarem abertos, alargando o campo. Pois como a equipe procura jogar através de passes diretos, os laterais não podem avançar muito, visto que a equipe pode perder a bola e ficar desprotegida. Ainda que os extremos se desloquem para o meio, se aproximando do centroavante  e liberando o corredor, os laterais não ficam espetados no campo ofensivo, abrindo a defesa adversária.

IRÃ 5O lateral esquerdo que estava alinhado com os zagueiros ataca o espaço e avança, pois percebe que o Irã atacará pela esquerda. Corredor esquerdo liberado pelo extremo, que se deslocou para o meio.
IRÃ 6Como o Irã ataca pelo lado esquerdo, o lateral Mohammadi avança e procura ir até a linha de fundo cruzar. Na direita, o extremo direito foi para o meio, e o lateral direito se alinha com os zagueiros, ajudando na proteção defensiva. Mas se mantém atento, pode avançar e ir até alinha de fundo se a bola chegar à direita.
irApós a perda da bola no ataque, o jogador iraniano mais próximo pressiona o portador da bola

DESTAQUE DA EQUIPE

O destaque positivo do Irã é o extremo-direito Jahanbakhsh, o talentoso iraniano atua no futebol holandês, sendo um dos destaques do Az Alkamaar com 12 assistências e 21 gols marcados em 33 partidas disputadas no campeonato holandês.

jog

O extremo tem uma visão de jogo muito boa, com um ótimo passe, ele é fundamental nos contra-ataques iranianos. Em um texto do Sérgio Santana, sobre vinte jogadores para ficar de olho na Copa, ele cita o jogador do Irã.

 

PARA FICAR DE OLHO

IRÃ 8

Vale ficar de olho no goleiro do Irã, com sua equipe sofreu apenas 12 gols em 2430 minutos jogados. Beiranvand tem boa saída do gol e ótimo reflexo. Um dos responsáveis pelo ótimo desempenho defensivo da equipe nas eliminatórias.

@magalhaesdavi_

ANÁLISE GOLS

Por Pedro Cardoso Petrachini

 jogFoto: Amin M.Jamali – Getty Images

Gols a favor

Apesar da dura missão de encarar Espanha e Portugal logo na fase de grupos, o Irã conta com o padrão bem definido por Carlos Queiroz, comandante da equipe desde 2011. Para criar chances de gol, percebe-se um time bem treinado e que sabe o que fazer.

O time asiático sabe se adaptar às condições. Contra rivais fracos de seu continente, consegue tocar bola e procurar espaços, principalmente pelo lado direito, e muitas vezes com infiltrações. Nos jogos mais duros, também surge como arma a bola parada, responsável por 13 dos 72 gols marcados (18%) desde a última competição disputada pela seleção: a Copa da Ásia de 2015.

No aspecto individual, outro grande destaque é de Sardar Azmoun (foto). O jovem de 23 anos se posiciona muito bem na área, sabe finalizar e estará “em casa” na Rússia, já que joga no Rubin Kazan. Ele fez 19 tentos desde 2015, sendo o goleador máximo deste ciclo no Irã.

Gols contra

A defesa iraniana foi um dos pontos fortes na campanha nas Eliminatórias. Em 10 jogos na fase decisiva, levou dois gols, ambos no último duelo, contra a Síria, quando o time já estava garantido na Copa. Ao todo, em 34 jogos desde a Copa da Ásia 2015, foram 17 tentos sofridos, média de 0,5 por partida.

Para furar a forte barreira montada por Queiroz, a principal arma dos adversários acabou sendo construção de jogo pelos lados, finalizando em cruzamentos. As bolas invertidas de um lado para o outro, com velocidade, também se mostraram um antídoto contra o sistema defensivo iraniano.

@PedroPetrachi

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