Os filhos do deserto na Copa do Mundo 2018 – ANÁLISE TÁTICA DA ARÁBIA SAUDITA

 

Por André Frehse Ribas

Após doze anos sem disputar uma Copa do Mundo, a Arábia Saudita retorna à maior competição de futebol do planeta. Nas Eliminatórias, a seleção desbancou a Austrália, que ficou com a terceira colocação do grupo B, que teve o Japão em primeiro. A classificação veio no saldo de gols, já que as duas seleções ficaram empatadas com o mesmo número de pontos.

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CAMPANHA ARÁBIA ELIMINATÓRIAS – SEGUNDA E TERCEIRA FASE
 
JOGOS: 19
 
VITÓRIAS: 12
 
EMPATES: 03
 
DERROTAS: 04
 

O técnico argentino Juan Antonio Pizzi, ex-treinador da seleção do Chile, terá a missão de colocar a seleção da Arábia Saudita na segunda fase da Copa. Ele chegou em novembro e disputou diversos amistosos para definir uma ideia de jogo, um padrão para equipe.

 
Hoje, a seleção chega definida, mas com uma limitação técnica bem grande. Nas eliminatórias, quando era comandada por outro técnico, jogava com uma postura mais ofensiva, com ataques mais posicionais,  já que o nível das equipes era menor. Agora, enfrentando adversários fortes em amistosos, Pizzi adota um estilo mais cauteloso com um bloco baixo, mas, que mesmo assim, sofre defensivamente devido a falta de qualidade de seus jogadores. 
 
No 4-2-3-1, a seleção tenta sair jogando com passes curtos e rápidos, com ataques posicionais ou contra-ataques, sem adotar apenas um estilo. Quando saem para o ataque, os laterais abrem o jogo pelos lados, enquanto os pontas se movimentam por dentro, para surpreender o adversário. o problema é que a bola pouco chega ao ataque, devido aos erros técnicos dos zagueiros e laterais. 

 

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Equipe no 4-2-3-1. Um lateral mais aberto e outro mais recuado.
 DESTAQUE
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Foto: Mohammed al-sahlawi/divulgação
O  atacante Al-Sahlawi foi o principal nome do time nas eliminatórias, marcando 16 gols. O que não se sabe é como vai ser o rendimento dele contra seleções mais fortes. Mas, para ele poder mostrar seu futebol, é preciso que a bola chegue com qualidade, coisa que não acontece com muita frequência na Arábia Saudita. 
Em seu clube, o centroavante fez bons jogos na temporada 17/18. Em 21 jogos, marcou 10 gols pelo Al Nassr. 
FIQUE DE OLHO
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Foto: Zimbio.
Vale ficar de olho no volante Otayf, de 25 anos, que defende o Al Hilal, da Arábia. É um execlente passador e é responsável por organizar a saída de bola da seleção. Otays sabe o momento certo de realizar o passe, além ocupar muito bem os espaços e ter uma boa leitura de jogo, como você pode observar no vídeo abaixo. 
Passe do Otayf para o gol:
 
Na defesa, os filhos do deserto marcam por encaixes, com seus pontas voltando e formando, em algumas vezes, uma linha de seis atrás. A transição defensiva é bem problemática.  A equipe  demora para recompor e deixa muitos espaços, facilitando a vida do adversário. Nos embates individuais, os jogadores acabam indo com  muita sede ao pote e acabam errando nos desarmes, abrindo espaços desnecessários no campo de defesa. 
Tecnicamente é o setor mais frágil da equipe. Falta qualidade e organização para ficar  mais compacto na defesa. Os adversários tiveram facilidade para tocar a bola, infiltrar, ultrapassar e finalizar. 
Time deixa muitos espaços na defesa:

 

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Marcação por encaixes.
A Arábia Saudita não deve ir muito longe na Copa do Mundo. Com diversos problemas, os filhos dos deserto devem brigar com a Rússia pela última colocação do Grupo A. Por isso é importante conquistar um resultado positivo na estreia para, quem sabe, se manter vivo até a última rodada da primeira fase. O MW Futebol vai acompanhar e trazer pré e pós-jogos da seleção durante a competição. Fique ligado!

Os 23 convocados da Arábia Saudita:


GOLEIROS
 – Mohammed Al-Owais, Yasser Al-Musailem (Al Ahli), Abdullah Al-Mayuf (Al Hilal FC)

DEFENSORES – Mansoor Al-Harbi (Al Ahli), Yasser Al-Shahrani (Al Hilal), Mohammed Al-Breik (Al Hilal), Motaz Hawsawi (Al Ahli), Osama Hawsawi (Al Ahli), Omar Hawsawi (Al Nassr FC), Ali Al-Bulaihi (Al Hilal)

MEIO-CAMPISTAS – Abdullah Al-Khaibari (Al Shabab), Abdullah Otayf (Al Hilal), Taiseer Al-Jassim (Al Ahli), Hussain Al-Mogahwi (Al Ahli), Salman Al-Faraj (Al Hilal), Mohammed Kanno (Al Hilal), Hattan Bahebri (Al Shabab FC), Salem Al-Dawsari (Villarreal), Yahya Al-Shehri (Leganés-ESP)

ATACANTES – Fahad Al-Muwallad (Levante-ESP), Mohammad Al-Sahlawi (Al Nassr), Muhannad Assiri (Al Ahli), Abdulmalek Al-Khaibri (Al Hilal)

ANÁLISE DOS GOLS

 

Por Pedro Cardoso Petrachini

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(Foto: AFP)

Gols a favor

Com poucos jogos para dar padrão ao time, o técnico Juan Antonio Pizzi, nome mais conhecido da delegação da Arábia Saudita, estreou já em 2018 e não conseguiu dar uma cara tão clara ao ataque. O time é leve, tenta trocar passes geralmente em velocidade para tentar chegar ao gol. Um dos trunfos até aqui foi a diversidade. Nos seis duelos, foram nove gols (média de 1,5), e todos marcados por jogadores diferentes. Nenhum atleta marcou mais de uma vez, o que denota a falta de uma grande referência no setor ofensivo.

Sem características tão claras, os sauditas chegaram às redes tanto em ataques posicionais como também em construções mais curtas e em transição. Vale ressaltar que boa parte dos gols saiu contra rivais bem limitados, como Moldávia, Iraque, além de times alternativos de Argélia e Grécia. Contra adversários mais fortes, como a Bélgica, os avançados da seleção árabe pouco fizeram.

Outro destaque foram os gols de falta. Foram 2 dos 9 (22%). E atletas diferentes marcaram neste tipo de jogada: Muath (em frangaço do goleiro do Iraque, diga-se) e Al Faraj.

Gols contra

Na retaguarda, a Arábia Saudita mostra dificuldades técnicas, além da questão coletiva. Os jogadores são limitados, muitas vezes dão botes desnecessários, com intensidade baixa e deixando buracos. A compactação na marcação também é um problema.

Os rivais da equipe de Pizzi tiveram muito sucesso aproveitando os espaços entre zaga e meio-campo. Sem serem pressionados, chegam de frente, em bloco, para enfrentarem a frágil linha de defesa. Neste tipo de jogada, saiu a maioria dos gols. Como os espaços se oferecem, os sistemas ofensivos nem precisam trocar muitos passes para conseguirem finalizar os lances.

Erros na saída de bola e contra-ataques também geraram tentos para os adversários dos sauditas. Ao todo, foram nove gols sofridos em seis partidas, média de 1,5 (exatamente igual à do ataque). Outro ponto a ser observado é a insegurança dos goleiros. Pizzi usou alguns (Al Owais, Al Mosailem, Abdullah…), mas nenhum se mostrou totalmente confiável, ainda que, em três dos seis duelos, a equipe tenha saído intacta, sem ser vazada.

@PedroPetrachini

 

 

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