A subvalorizada celeste – ANÁLISE TÁTICA DO URUGUAI

Por Kauê Monteiro

Sem delongas, a Celeste chega na Copa após uma eliminatória onde, apesar da segunda colocação – atrás apenas de um mortal Brasil – penou na reta final trás 2 empates e 1 derrota nos últimos 5 jogos. O gol de Fede Valverde ante a seleção paraguaia acalmou os ânimos na rambla, dando a pontuação necessária para o paisíto ir a mais um Mundial.

Postado num 4-4-2 clássico, pressionando sem a bola e buscando um jogo mais direto, aproveitando muito as subidas dos laterais. O entrosamento da dupla de zaga é uma das forças Charrua, visto que Godín e Josema Giménez atuam juntos no Atlético de Madrid desde a temporada 14/15, sendo parceiros de zaga inclusive na Copa de 2014.

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No meio campo, o surgimento de Matías Vecino e Rodrigo Bentancur neste último ciclo elevam muito o tratamento da esférica no meio de campo. Bentancur, tendo como função verticalizar de forma acelerada a fim de acionar Suárez e Cavani no terço final do campo, é um dos caminhos para o gol. Ambos os atacantes, na temporada que acaba de terminar, somam 73 bolas na rede.

Já Matías Vecino foi uma das melhores notícias (senão a melhor) em San Siro. É termômetro e relógio da seleção uruguaia. Dando sustentação à saída de bola, o volante é intenso, tem qualidade no passe e ajuda muito na marcação, é quem ditará a saída de um time que buscará contra golpes em momentos de dificuldade na partida.

Destaque – Cavani

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Dispensa apresentações. Um dos melhores do mundo, Cavani é, seguramente, o referente da Celeste juntamente com seu companheiro de ataque. Na última temporada foram 40 gols e 7 assistências em 3269 minutos jogados e, num grupo hipoteticamente fácil, é favorito à artilharia do torneio. Nas eliminatórias foi artilheiro isolado com 10 gols e é o atacante que melhor se adapta ao estilo uruguaio de jogo direto.

Olho nele – Nahitan Nández

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Seria abraçar o senso comum bater novamente na tecla de Matías Vecino, portanto, sugiro a todo que fiquem de olho no volante Nahitan Nández. De uma personalidade forte, aos 20 ganhou a braçadeira de capitão no Peñarol e logo na temporada seguinte foi vendido ao Boca Juniors. Na Celeste atua na faixa central pela direita, contribui muito para a mobilidade do time além de ser um grande recuperador de bolas.

A Celeste estreia sexta, dia 15, às 9h contra o Egito.

@kaueok

 

ANÁLISE DOS GOLS

Por Pedro Cardoso Petrachini

golsFoto: Pablo Porciuncula – AFP

 

Gols a favor

Após o desempenho ruim na Copa América Centenário, o Uruguai de Óscar Tabárez ainda insistiu com o estilo de jogo direto por algum tempo. Com duas linhas de 4, formada por jogadores de força, o objetivo era acionar, por meio de ligação direta, a talentosa dupla Suárez-Cavani. Lá na frente, os dois brigavam e, muitas vezes, saíam vitoriosos, chegando aos gols.

A dependência dos dois atacantes se mostra na porcentagem dos tentos marcados. Neste período de dois anos, o Uruguai jogou 18 vezes e fez 25 gols (média de 1,38 por jogo). Destes, 15 foram da parceria, o que representa 60% do total. Cavani fez 10, enquanto Suárez foi às redes 5 vezes. Vale destacar que o atleta do Barcelona é mais participativo no jogo, enquanto Edinson fica mais na área, e até por isso finaliza mais.

Além das ligações diretas, a bola parada cruzada na área também costuma ser fatal, o que ajuda a explicar o fato de defensores como Coates, Giménez e Cáceres também terem deixados suas marcas neste período.

Porém, é importante destacar que, a partir dos jogos finais de 2017, após uma série de 5 derrotas seguidas, somando Eliminatórias e amistosos, Tabárez promoveu uma renovação nos nomes, principalmente no meio-campo. Jovens como Bentancur, Nández e Arrascaeta ganharam espaço, nas vagas de antigas referências, como Arévalo Ríos, Sánchez, Alvaro González…

Com isso, o Uruguai passou a diminuir um pouco as ligações diretas e trabalhar mais a bola. Não que seja um jogo de domínio da posse e longas trocas de passe, ataques posicionais. Mas o fato é que a bola passa mais pelo meio-campo e alguns gols saíram de forma mais construída pelo chão.

 

Gols contra

 Na defesa, o ciclo da seleção uruguaia foi irregular, digamos assim. Ao todo, foram 24 gols sofridos em 18 partidas, média de 1,33 por jogo. Porém, o pior momento foi entre o fim de 2016 e o início de 2017. Neste período, justamente o das 5 derrotas seguidas, a equipe levou nada menos que 15 tentos (média de 3 por duelo). Se tirarmos essa série, foram apenas 9 nos 13 confrontos restantes, baixando para 0,69.

Contra-ataques e construções pelos lados foram os principais problemas. 8 gols saíram desta forma. Destaque positivo ficou para o bom aproveitamento na bola parada defensiva. Foram apenas 2 tentos sofridos neste tipo de lance. Ou seja, 1 a cada 9 jogos.

Com linhas de marcação bem postadas, a retaguarda uruguaia também não sofre tanto com ataques mais posicionais. Lances verticais complicam mais. Jogadas de rebote, seja após lançamento da defesa ou mesmo após cortes em cruzamentos para a área, também incomodaram.

@PedroPetrachini

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