A COPA E SUAS TENDÊNCIAS TÁTICAS

Por Fernando Campos, comentarista dos canais Esporte Interativo

A Copa do Mundo da Rússia está próxima do seu início e com ela inúmeros debates são gerados automaticamente. Alguns abordam o nível técnico, outros apontam as principais favoritas, existem os que projetam quais serão os legados que ficarão enraizados no futebol e aqueles que dissecam as estratégias traçadas para a maior competição de clubes do planeta.

Esse texto traz uma reflexão e uma projeção sobre as tendências táticas que poderão ser mais vistas na Copa nos próximos dias. Historicamente, Seleções do passado (Holanda de 74, por exemplo) sempre ditaram o que seria feito nos clubes e no futebol mundial no futuro, mas isso não deve ser visto em 2018. O fluxo foi invertido e atualmente o que é feito no clube com trabalhos diários é que influencia o projeto das seleções que disputarão a Copa do Mundo. Não esperem um Mundial revolucionário e sim uma Copa padronizada. Óbvio que com diferentes modelos e filosofias, mas nada que já não tenha sido observado anteriormente.

O Mundial ofensivo (com média de gols de 2,71) e de jogos abertos visto em 2014 no Brasil não deve ser repetido na Rússia. A competição deve ser ditada por um tom mais conservador e não por trabalhos mais ricos e elaborados. Tudo indica que vamos ver bons trabalhos defensivos e poucos trabalhos impressionantes na parte ofensiva. O futebol vistoso fica em segundo plano e a limitação de riscos entra em cena.

Na fase defensiva veremos a grande maioria das seleções marcando por zona e ocupando bem os espaços para não desorganizar o encaixe coletivo. Quanto menor a perseguição individual, melhor o rendimento do sistema. Observaremos que algumas adotam uma marcação mais alta para forçar o erro na saída de bola adversária como a Espanha de Lopetegui e o Brasil de Tite, por exemplo. Outras adotam um posicionamento de marcação mais concentrado no bloco intermediário como o Uruguai de Tabárez, a Argentina de Sampaoli e Alemanha de Löw. Suécia, Rússia, Islândia e Austrália são alguns dos exemplos que marcam com linhas mais baixas e buscam os contra-ataques ou bolas longas para surpreender.

A linha de 5 defensiva também vai ser muito utilizada na Copa do Mundo. Rússia, Bélgica, Inglaterra, Costa Rica, México e talvez a Argentina são algumas das equipes que podem usar essa estratégia. Algumas com escolas mais resguardas e com pouca ultrapassagem dos homens de lado e outras que desejam abrir o campo com a velocidade dos pontas.

A ideia central será baseada na tática de povoar o meio de campo quando atacado, alinhar uma equipe com muita compactação e ter intensidade na retomada ao ataque. Perdeu a bola? Automaticamente o time já cerca para pressionar pela retomada da bola e inicia a conexão ofensiva. Como está dando para perceber será uma Copa de muita marcação, compactação, organização, de shows de transições e de goleiros participando com os pés das ações de circulação. A bola quase sempre deve passar muito rápida pelo setor de meio-campo.

A grande maioria das seleções vai adotar uma estratégia de construção de jogo muito visualizada, por exemplo, em equipes do gênio Pep Guardiola. Para espaçar a defesa e confundir marcação por zona, o meia pelo lado trabalha por dentro e abre o corredor para o lateral gerar amplitude e produzir agressividade pela beirada. Esse vai ser um estilo muito sólido na Copa.

O jogo mais rico e elaborado vai ser mais raro e pode ser mais esperado nas atuações de Brasil, Alemanha, França, Espanha e Bélgica. Com bola a ideia é se associar pelas laterais com trocas de passes rápidas e triangulações. Cada posicionamento pensado e cada movimento bem executado para tornar a equipe mais imprevisível. Capacidade de criação mais ampla que caracteriza uma seleção qualificada que sabe encaixar grandes individualidades em um ótimo conjunto.

O jogou evoluiu muito nos últimos anos e a Copa do Mundo é o combate das grandes escolas e o palco do que foi trabalhado nos modelos formados nos clubes. Agora é esperar e desfrutar de mais um capítulo histórico do futebol que está prestes a ser escrito.

@fcamposoficial

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