A anfitriã da Copa do Mundo 2018 – ANÁLISE TÁTICA DA RÚSSIA

Por André Andrade  

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A Rússia do técnico Stanislav Tchertchesov vem sofrendo pré-Copa, com resultados desapontadores na Copa das Confederações 2017 e também na maior parte dos amistosos. Terá uma campanha complicada enfrentando o Uruguai e o Egito que conta com Salah, caso consigam avançar da fase de grupos, já será motivo de comemoração.

Como jogam os anfitriões?

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Os anfitriões tem uma estrutura de jogo muito bem definida, que se caracteriza por um sistema defensivo no 5–3-2 , com algumas variações dependendo dos jogadores que estão em campo e dos adversários(pode variar para um 5–4–1 ou 5–3–1–1). No momento defensivo, os 3 zagueiros formam a primeira linha de defesa com o ala-direito e o ala-esquerdo.

A frente deles, uma linha se forma com os 3 meio-campistas que costumam se movimentar de um lado para o outro de acordo com o local da bola, mais a frente os 2 atacantes ficam responsáveis por dar o primeiro combate e muitas vezes fazem a primeira pressão que pode ser quebrada se o outro time usar bem os laterais. É comum ver os russos realizarem perseguições curtas no setor de defesa, por parte dos zagueiros e outros jogadores e isso algumas vezes pode desestruturar a linha de defesa.

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Uma das falhas desse sistema intenso de jogo se encontra nas laterais, os russos tem muita dificuldade com viradas de jogo, pois deixam os alas sozinhos muitas vezes nessas situações para defender o setor, o que gera uma vantagem de espaço-tempo para o time atacante realizar sua ação.Dois jogadores que chamam atenção no setor defensivo russo são: o goleiro Akinfeeev , e o zagueiro Kudryashov , que tem boa qualidade no passe.

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O time russo sofre com viradas de jogo, com o atacante/ponta do adversário sempre tendo espaço e tempo para realizar a jogada no 1×1 contra os alas. E também com jogadas de cruzamento à área.

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Nota-se também um espaçamento da linha de 5 em diversos jogos, contribuindo muito para gols de bola enfiada, como o gol de Mbappe na partida vs França.

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Na transição da defesa para o ataque, os russos não tem jogadas muito elaboradas, muitas vezes optam por uma jogada mais rápida e direta, usando a bola longa ou então os flancos, com os alas. O zagueiro Kudryashov é peça importante quando há alguma tentativa de passe mais curto procurando os homens do meio para a saída de bola, ou um passe mais direto e verticalizado.

Quando em posse de bola, ou seja, em fase ofensiva, a Rússia busca até tentar controlar o jogo em algumas vezes, mas lhe falta qualidade principalmente quando Dzagoev não começa jogando(o que tem acontecido) pela falta de intensidade e comprometimento tático e nível físico que o modelo da Seleção Russa requer. Com isso as principais alternativas são ataques rápidos, sempre buscando o móvel e preciso Smolov a frente, é muito comum a participação de Zhirkov pela faixa esquerda do campo no apoio e também uma chegada em bloco, com vários jogadores russos na área para tentarem concluir as jogadas, muitos gols da Rússia também saem de 2as bolas.

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Na transição defensiva, buscam abusar da fisicalidade do time, realizar uma pressão na bola e na zona próxima para tentar a recuperação, caso não ocorra, se fecham e ajustam a altura do bloco de acordo com o adversário.

Principal jogador

Além do já tradicional, carimbado e bom goleiro Akinfeev do CSKA Moscou que pode garantir algum resultado para os anfitriões nessa fase de grupos, há também um destaque no setor ofensivo que também joga no futebol russo.

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Fedor Smolov, atacante de 28 anos do FK Krasnodar impressiona no setor ofensivo, jogador de mobilidade, precisão nas finalizações e energia e aplicação tática no momento defensivo, referência no momento de ofensivo(até pela ausência de Kokorin), a maioria das jogadas buscam o jogador que tem marcado muitos gols por clube e seleção. Smolov é um jogador que realiza um pressing muito bom em momento defensivo, ajudando o time russo na fase de transição defensiva.

 

Para ficar de olho

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Aleksandr Golovin , meio-campista de 21 anos do CSKA Moscow.

O jogador tem uma boa técnica para dribles em espaços curtos, boa condução de bola que pode ajudar muito a Rússia nas transições, um bom desarme e também um ótimo passe tanto curto, quanto mais longo. É um jogador que sabe bater muito bem na bola.

Dependendo das atuações na Copa pode conseguir uma transferência para um clube maior, tem potencial e é considerado a jóia desse time e do CSKA. Na Europa League dessa temporada obteve 2,6 dribles/jogo(87% de sucesso nas tentativas) , além de 1,6 interceptações por jogo e teve participações importantes, como um belo gol de falta marcado contra o Arsenal no Emirates Stadium. O jovem será peça fundamental nos jogos da Rússia, tanto na fase defensiva como na ofensiva, sua participação será fundamental principalmente contra Egito e Arábia Saudita, seleções contra as quais a Rússia pode almejar somar pontos e são os considerados na teoria “confrontos diretos” por uma vaga desse Grupo A da Copa.

Elenco

GOLEIROS: Igor Akinfeev (CSKA Moscou-RUS), Vladimir Gabulov (Club Brugge-BEL), Andrei Lunev (Zenit-RUS).

LATERAIS/ALAS: Yuri Zhirkov (Zenit-RUS) , Mario Fernandes-(CSKA Moscou-RUS), Alexander Samedov (Spartak Moscou-RUS), Igor Smolnikov (Zenit-RUS).

ZAGUEIROS: Vladimir Granat (Rubin Kazan-RUS), Fedor Kudryashov (Rubin Kazan-RUS), Ilya Kutepov (Spartak Moscou-RUS), Sergey Ignashevich (CSKA Moscou-RUS) , Andrey Semenov (Akhmat Grozny-RUS).

MEIO-CAMPISTAS: Yuri Gazinsky (Krasnodar-RUS), Alexander Golovin (CSKA Moscou-RUS), Alan Dzagoev (CSKA Moscou-RUS), Alexander Erokhin (Zenit São Petersburgo-RUS, Roman Zobnin (Spartak Moscou-RUS), Daler Kuziyev (Zenit São Petersburgo-RUS), Anton Miranchuk (Lokomotiv Moscou-RUS, Denis Cheryshev (Villarreal/ESP).

ATACANTES: Artem Dzyuba (Arsenal Tula-RUS), Alexei Miranchuk (Lokomotiv Moscou-RUS) e Fedor Smolov (FK Krasnodar-RUS).

TÉCNICO: Stanislav Tchertchesov.

Será que os anfitriões conseguirão a classificação para as Oitavas de Final? É um ótimo desafio para Akinfeev, Golovin e companhia!

@pepgenius

ANÁLISE DOS GOLS

Por Pedro Cardoso Petrachini

golsFoto: Kirill Kudryavtsev – AFP

Gols a favor

Uma característica dos gols da Rússia foram as construções de jogadas mais rápidas . O
time de Stanislav Cherchesov não se propõe a trocar muitos passes no campo de ataque.
Prefere avançar com vários atletas e definir com mais velocidade, praticando jogo vertical. Foram 25 gols marcados (média de 1,38 por jogo), sendo 9 deles com conclusões apóscruzamentos para a área, seja em bolas paradas, construções curtas ou, em poucos casos, ataque mais posicional.

Pressão na saída rival, com roubada e definição rápida, também surtiu efeito , com 3 tentos saindo desta maneira. Além disso, a rede também balançou para os russos em lances de ganho na segunda bola, geralmente aproveitando bolas que sobram após disputas pelo alto. Atuando no 3-5-2 na maioria das vezes, a Rússia usa bastante os alas, que se aproximam com velocidade e força, seja para cruzar, finalizar, ou apenas gerar superioridade numérica e confundir a marcação.

Uma curiosidade sobre a equipe de Cherchesov é o número considerável também de gols
contra. Foram 4 dos 25 (0,16%), o que não é pouco considerando a incidência baixa que
temos de tentos marcados contra a própria meta. O atacante Fyodor Smolov foi quem mais balançou as redes, com 7.

 

Gols contra

No aspecto defensivo, os russos devem ter duas preocupações principais: cruzamentos para a área , seja qual for a forma de construção dos ataques rivais, e infiltrações que superam a última linha.

Ao todo, os europeus levaram 28 gols nos 18 duelos com o atual treinador. Ou seja, 1,55 por partida. Número não pode ser considerado baixo, ainda mais levando em conta que, em 5 dos 18 confrontos, a meta russa foi vazada 3 vezes ou mais.

Por meio de lançamentos para a área, os adversários conseguiram marcar 9 gols, contando muitas vezes com espaços generosos nas costas dos marcadores que protegiam a área. Outra forma bastante recorrente foram as infiltrações na última linha , geralmente formada por 5 defensores. E os meios para invadir a área e sair de frente para o gol foram variados. Saíram a partir de jogadas posicionais, ou construções mais curtas e verticais.

@PedroPetrachini

 

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