SPFC perde em noite infeliz, mas não deve se abalar

Por Pedro Galante

Todos sabemos da relevância que clássicos possuem. São jogos onde independentemente do desempenho o vencedor sai fortalecido e o perdedor diminuído. Mas na maioria das vezes, esse ganho/perda na moral é ilusório.

O São Paulo fez um primeiro tempo dentro da sua proposta. Defendeu os espaços, brigou pela bola no meio campo e buscou o contra-ataque. O grande problema foi na hora de executar o contra-ataque, quando a jogada não era parada com falta ou bote da equipe palmeirense, ela não prosseguia por erro de passe ou falta de controle da bola. Não foi uma noite feliz para o trio Everton, Nenê e Diego.

No segundo tempo, os comandados de Aguirre mantiveram a postura. O São Paulo negava espaços a um Palmeiras que já não era tão engessado e seguia com dificuldades no contra-ataque. Num raro momento de bom uso da velocidade de Keno, o Palmeiras conseguiu uma jogada pelo lado e contando com uma falha bisonha de Sidão, abriu o placar.

O Palmeiras se fortaleceu emocionalmente, e partiu para cima. William marcou um belo gol, mas sua posição era duvidosa. E no terceiro gol, uma bela jogada de Hyoran aproveitando os espaços de um São Paulo que se lançava ao ataque.

O São Paulo tentava buscar algum gol, mas não conseguia furar a defesa alviverde, a entrada de Petros só dificultou o processo.

O placar engana. O Palmeiras não está de todo bem, mais uma vez teve dificuldades em transformar sua posse em chances de gol. O São Paulo não está de todo mal, jogou de acordo com sua proposta, mas não conseguiu encaixar suas jogadas como vinha fazendo.

Questionar coisas pontuais do trabalho de Diego Aguirre é totalmente aceitável. Coisas como o porquê de ter colocado Petros e não Liziero, ou o porquê de Jean não ter recebido nenhuma chance mesmo com Sidão não passando confiança, ou o porquê de jovens como Shaylon e Lucas Fernandes não receberem tantas oportunidades. Mas criticar o trabalho como um todo beira a covardia. Aguirre faz no São Paulo o mais próximo que o clube teve de um padrão de jogo desde Bauza em 2016. Pode ser que a sua proposta mais defensiva e conservadora não te agrade, mas o clube foi o último a perder a invencibilidade e está entre os primeiros do campeonato.

Não é hora de fazer tempestade aonde não há. Os três pontos do clássico valem o mesmo que os três pontos de qualquer outra partida.

(Foto: Globoesporte)

@pedro17galante

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