PRIMEIRO TEMPO DOS SONHOS GARANTE VITÓRIA AO BOTAFOGO – Análise tática Vasco 1 x 2 Botafogo

Por Sergio Santana

Após oito rodadas, o Botafogo voltou a apresentar uma boa atuação no Campeonato Brasileiro. Assim como na partida contra o São Paulo, Alberto Valentim escalou a equipe em um 4-2-3-1, com Jean ocupando a vaga do suspenso Matheus Fernandes e oferecendo uma maior sustentação defensiva no terço médio do campo e três jogadores atrás de Kieza, o que representava mais criatividade e dinamicidade ao jogo alvinegro, que conseguia ser forte nos dois estágios do campo.

bot 1Desenho tático que define perfeitamente o Botafogo na partida: 4-2-3-1, com três atletas atrás de Kieza, oferecendo suporte ao atacante (Foto: Reprodução)

Dentro de campo, uma equipe bem postada, tendo jogadores que sabiam exatamente o que fazer. Sem a bola, focar o jogo em reter os avanços laterais do Vasco, principalmente com Yago Pikachu, e adotar uma postura paciente, que deixasse o adversário ficar com a bola nos pés. Ofensivamente, uma equipe energética, que atacava os espaços gerados na defesa com intensidade e qualidade, que conseguia oferecer perigo sempre que chegava ao terço final do gramado.

Assim como na última partida, o Botafogo perdeu seu principal meia por lesão nos minutos iniciais. Marcos Vinícius levou uma pancada, não aguentou e deu lugar a Rodrigo Pimpão. Teoricamente, uma mudança que acarretaria algum tipo de nova formação ao Botafogo, mas Valentim manteve o desenho anterior puxando Leonardo Valencia para atuar no meio, enquanto que o camisa 17 ocupou o espaço deixado no lado esquerdo. Desse jeito, a maneira de jogar da equipe de General Severiano se manteve inalterada.

Com apenas 27% da posse da bola, o Botafogo conseguiu colocar o Vasco contra si mesmo: sem ter a possibilidade do contra-ataque, o Cruzmaltino parou nas suas próprias limitações criativas e não conseguiu ameaçar o alvinegro, que apenas esperava a hora certa de recuperar a bola e criar uma situação de perigo atacando os espaços deixados pelos mandantes no seu próprio campo. Assim, a equipe de Alberto Valentim adotava um jogo reativo, mas que não ameaçava sua segurança.

bot 2Após a saída de Marcos Vinícius, Leonardo Valencia assumiu a função de ser o meia central da equipe; Rodrigo Pimpão, que entrou no lugar do atleta lesionado, foi para o lado esquerdo – 4-2-3-1 mantido (Foto: Reprodução)

Além disso, outro lado explorado pelo Botafogo foi focar nos próprios erros que o Vasco cometia. Tendo muito a bola consigo, foi comum ver alguns lampejos de jogadores cruzmaltinos, o que acabava gerando vantagens aos visitantes. O primeiro gol, aliás, surge em situação de cenário parecido: Jean aproveitou o cochilo dos defensores, roubou a bola, entrou na área sem marcação e cruzou para Kieza apenas empurrar para o fundo da rede.

Defensivamente, era possível enxergar uma variação no Botafogo, que saía do 4-2-3-1 e assumia um legítimo 4-4-2 inglês, com duas linhas de quatro jogadores – defesa e no meio-campo – combatendo as investidas do Vasco. Para isso, Leonardo Valencia frequentemente avançava, se juntando a Kieza – ou o camisa 9, que teve boa atuação tática, contribuindo com uma interceptação e um desarme, recuava para acompanhar o chileno, que deu mais uma assistência, a sétima no ano.

As linhas eram bastante compactadas. O espaço entrelinhas para os jogadores do Vasco foi, na maioria das vezes, mínimo. Todas essas afirmações definem um sistema que deu muito certo e foi a tradução dos melhores 45 minutos do Botafogo no ano – e que também foram muito bem aproveitados em grande parte do segundo tempo. Aguirre, mesmo longe da forma física ideal e jogando longe do gol, e Pimpão foram essenciais na marcação nas beiradas do campo.

bot 3Valencia se junta a Kieza formando a primeira linha de combate, enquanto que os outros jogadores não-defensores se juntam para formar outro nível de marcação em bloco média: o Botafogo defensivamente (Foto: Reprodução)

Apesar do gigantesco baque gerado pelo primeiro tempo, a equipe de Zé Ricardo voltou melhor para a etapa complementar. Deixou de tentar infiltrar na definida marcação do Botafogo e passou a arriscar mais de média/longa distância. Dessa maneira, sai o gol do Vasco: em uma das poucas oportunidades em que o meio-campo alvinegro deixou espaços, Andrey recebeu com liberdade e acertou um chute de rara felicidade.

Dessa maneira, a comum empolgação vascaína começou. Mas, apesar de não conseguir aproveitar o contra-ataque como fez no primeiro tempo – por conta de alguns passes precipitados ainda na primeira metade do campo –, o Botafogo continuou com uma atuação defensiva quase perfeita. Nesse contexto, os desempenhos de Joel Carli e Igor Rabello foram brutais: 13 rebatidas e 3 interceptações combinados, além da clara contribuição com um gol de cabeça do zagueiro brasileiro.

Passados alguns minutos após o gol, a pressão do Vasco teve fim. O Botafogo, com inteligência, voltou a ter o jogo em mãos, entrando no mesmo contexto do primeiro tempo, em que o adversário tinha a bola, mas não conseguia ameaçar à meta de Jefferson. A diferença foi que, diferentemente dos 45 minutos iniciais, o alvinegro não conseguiu aproveitar os espaços deixados pelos ataques do cruzmaltino após a recuperação da bola.

bot 4Exemplo de como a noção de marcação do Botafogo foi fiel durante todo o jogo: mesmo com o Vasco se aproximando do terço final, a estrutura defensiva não mudou, o que traduz a organização do jogo alvinegro (Foto: Reprodução)

A conta

O esquema 4-2-3-1 de Alberto Valentim se torna ainda mais interessante pela sua adaptabilidade. Contra o São Paulo, os minutos que representaram um Botafogo focado no jogo foram marcados por uma equipe de rápida troca de passes e pela intensa movimentação dos homens de frente. Dessa vez, o time jogou esperando o adversário, com uma postura mais reativa: linhas defensivas bem definidas e uma precisão cirúrgica no ataque.

A presença de Jean foi fundamental para esse cenário. Fazendo seu primeiro jogo como titular, o volante foi peça-chave para aumentar a capacidade defensiva do meio-campo do Botafogo. Contra o Ceará, adversário da próxima quarta-feira, o desempenho deverá ser o mesmo caso a equipe de General Severiano queira sair com um resultado positivo do Estádio Nilton Santos, já que os cearenses possuem uma equipe repleta de jogadores que arriscam ao gol de média distância, o que representa que a marcação entrelinhas deve ser de alto nível.

@sergiostn_

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