FEITO ÁGUA E ÓLEO – Visão santista de Atlético-PR 2 x 0 Santos

Por Charlton Junior

Após quase 5 meses de comando, a filosofia do técnico Jair Ventura está para o Santos, como o óleo está para a água, ou seja, não se misturam, não se equilibram, não se complementam. A equipe Santista perdeu mais um jogo na última quinta feira (31), contra o CAP do Fernando Diniz, somando já 5 partidas sem vitórias juntando todas as competições que participam, a torcida mostra-se impaciente, o time evolui muito pouco em alguns aspectos do jogo e regride de forma escandalosa em outros.

 

– ORGANIZAÇÃO ESTRUTURAL

O Santos com a bola pretendia adotar o 4-3-3, um esquema muito tradicional, teoricamente ofensivo, que explora a amplitude oferecida principalmente pelos pontas, no caso do Santos, Rodrygo, e Gabriel ou Sasha visto que eles em muitos momentos das partidas trocam de posição. O intuito dessa fluidez no ataque é sempre tentar confundir o adversário, na equipe Santista não tem surtido tanto efeito assim, visto que já são 5 jogos também sem fazer gol, inadmissível para o time que mais marcou na história do futebol mundial.

santos 1

Já sem a bola, o esquema preferido pelo treinador foi o 4-4-2, Santos se fechava em duas linhas de 4. Diego Pituca e Renato faziam os médios centrais, Jean Mota fechava o lado esquerdo, Sasha/Gabriel cobriam o lado direito e revezavam entre si a parceria para o menino Rodrygo.

santos 2

– ORGANIZAÇÃO DEFENSIVA

Os times que saíram vitoriosos lá da Arena da Baixada recentemente, utilizaram em boa parte do jogo a marcação alta, sempre pressionando o time Paranaense com o objetivo de forçá-lo ao erro. Jair Ventura declarou na entrevista pré-jogo que sabia como o Atlético jogava, que era um time que tem um bom jogo apoiado e que iria variar a marcação (alta, média e baixa), o time da Vila Belmiro até começou marcando no campo do adversário, mas, logo depois recuou os seus blocos e deu muito espaço para o CAP que prontamente se impôs e passou a ocupar os espaços cedidos e gerar muito perigo.  Nos jogos recentes, já são 8 sofrendo gols de jogo aéreo.

santos 3Na imagem, Rodrygo e Gabriel exercendo a pressão aos defensores do Atlético, forçando o goleiro a dar o “chutão” para frente.
 santos 4O CAP passou a punir o Santos em seus espaços cedidos pela falta de organização da defesa. Podemos perceber a liberdade que Nikão tem para receber a bola e finalizar na trave. Dodô e David Braz em superioridade numérica (2×1) dentro da área, quando na verdade o necessário seria apenas a marcação individual.
santos 5Sem o mínimo de organização o Santos cedeu muitos espaços a jogadores chaves do CAP.

– ORGANIZAÇÃO OFENSIVA

Deserto de ideias! É o que define o Santos atualmente, na verdade, é o que vem definindo o time desde o início da temporada. Existe algo que é difícil de explicar, o motivo do qual o alvinegro não consegue ter equilíbrio, a toada é sempre a mesma, a dependência de uma jogada individual geralmente de Rodrygo, e assim o time não flui, as poucas oportunidades são perdidas.

santos 6A imagem mostra a dependência do Santos numa jogada de talento do Rodrygo

O Santos terminou o jogo com 5 atacantes, sendo eles, Gabriel, Yuri Alberto, Rodrygo, Eduardo Sasha e Bruno Henrique, reflexo do desespero de Jair para fazer o gol, mas do que adianta um time repleto de atacantes, se a bola não chega com qualidade ao ataque? É preciso repensar esse método de trabalho.

– FIQUE DE OLHO

santos 7

Diego Pituca, é o jogador mais lúcido do Santos nos últimos jogos, com a ausência do Alison ele têm suprido a falta um dos principais jogadores do time na temporada. Consegue proteger a defesa, dar qualidade a saída de bola sempre sendo opção para os zagueiros, e sempre que recrutado na zona central do campo ele não compromete. Mostrou-se um jogador clássico e elegante, faz poucas faltas, rouba bolas, varia bem entre passe curto e longos com uma taxa muito pequena de erro, contra o CAP a efetividade foi de 98%. Em suma, é moderno como o futebol atual pede para ser.

– CONCLUSÃO

Que o trabalho do Jair Ventura não vem agradando, isso é fato, afinal, são 5 jogos sem vencer e o Santos tem uma sequência muito complicada pela frente, contra o Vitória na próxima rodada, o seu trabalho será reavaliado, dependendo do desempenho, ele corre sérios riscos de ser demitido com 5 meses de trabalho a frente do Santos, o que a maioria da torcida vê com bons olhos, como no título da análise, o comandante Santista é uma antítese do que é o Santos em sua história, em seu DNA, isso talvez todos sabiam desde o início, mas, esperavam que a proposta reativa do treinador fosse executada de maneira decente, o que não vem acontecendo. Aguardemos cenas dos próximos capítulos…

#AprendemosJuntos

@focosantos

Anúncios