ASPECTOS TÉCNICOS E TÁTICOS FRAGILIZAM O BAHIA COMO VISITANTE

Por Michel Corbacho

O Bahia segue sem vencer longe da Arena Fonte Nova no Campeonato Brasileiro. Seria a falta do apoio da torcida tricolor? Pode até sentir a ausência do apoio incondicional do seu torcedor, porém existem questões técnicas e táticas que corroboram a fragilidade do Bahia fora dos seus domínios.

A equipe dirigida por Guto Ferreira perdeu para o Internacional, Sport, Palmeiras e Flamengo nas últimas partidas longe da Fonte Nova. Até então foram nove gols sofridos e nenhum marcado como visitante. Todos os pontos conquistados pelo tricolor foram diante da sua torcida.

Quando atua na Arena Fonte Nova o Bahia vai muito bem – foram seis gols marcados e apenas dois sofridos – domina os seus adversários, tem maior posse de bola e maior domínio territorial.

O Bahia tem excelente aproveitamento quando atua dentro de casa, porém, a eficiência cai de maneira abissal quando precisa enfrentar aos adversários como visitante. A postura da equipe de Guto Ferreira também é completamente distinta longe da Fonte Nova.

BAH 1

Como mandante, o Bahia tem uma postura agressiva com troca de passes, maior quantidade de passes para finalizações e mais efetivo no quesito. A média é 51% de acertos nas finalizações dentro da Fonte Nova. Quando atua longe dos seus domínios, essa efetividade cai para 36%.

Outra diferença é na quantidade de lançamentos. Dentro de casa, o Bahia tenta trocar mais passes curtos, fazer triangulações ou associações entre os atletas que atuam mais próximos dentro de campo. O tricolor também perde menos a posse de bola quando atua na Fonte Nova, aumentando a pressão diante dos adversários.

Como visitante, o tricolor perde muito a posse de bola, tenta mais viradas de jogos e lançamentos, visto que, o Bahia busca baixar suas linhas e tentar surpreender nos contra-ataques. Porém, geralmente, as linhas de marcação estão distantes dos homens do setor de ataque.

Guto Ferreira, geralmente, mantém a mesma formação (ideia tática) atuando fora de casa. É possível identificar o 4-2-3-1 do Bahia quando tem a posse de bola, porém, sem ela, o tricolor tenta se apresentar no 4-5-1, com a recomposição dos homens de lado e o auxílio na marcação do meio-campista central.

Apesar da ideia ser viável para as equipes que atuam longe de casa, na prática, a equipe de Guto Ferreira apresenta uma distância entre as suas linhas, na qual os adversários – principalmente os mais técnicos – se aproveitam desta falha defensiva.

O sistema defensivo da equipe de Guto Ferreira sofre por sobrecarregar os dois volantes da equipe, tendo que dar o primeiro combate e sem auxílio dos homens de lado e muito menos do meio-campista à sua frente, geralmente, Vinícius.

BAH 2Na partida contra o Sport, por vezes, pôde-se notar o sistema defensivo do Bahia apenas com os seis homens de marcação – os quatro da linha de trás e os dois volantes – sendo que os mesmos ficam sobrecarregados, principalmente quando as equipes adversárias exploram com velocidade as jogadas pelos flancos.
BAH 3No embate diante do Flamengo, o flagra demonstra a distância entre as linhas do sistema defensivo do Bahia. Os homens de frente distantes dos volantes, por onde se infiltra Diego, um dos armadores da equipe flamenguista, e gera total desconforto para a marcação tricolor.

Baixar as linhas, atrair os adversários e apostar no sistema defensivo tem sido um erro de Guto Ferreira quando atua fora de casa. Pelos flancos, apenas Zé Rafael, que não é um jogador forte na marcação, recompõe para auxiliar no sistema defensivo. Entretanto, pelo meio, setor onde o Bahia tem dificuldades de marcação, Vinícius tem sido pouco efetivo na criação e praticamente nulo na recomposição.

Uma trinca de volantes no meio de campo pode ser a alternativa para evitar essas falhas de marcação pelo centro. A recomposição dos homens de lado, Zé Rafael e Élber titulares nas últimas partidas, precisa ser mais efetiva e que eles possam recompor até a linha da área defensiva da equipe tricolor.

BAH 4O mapa de calor de Zé Rafael na partida diante do Palmeiras demonstra que o meio-campista se posiciona mais pelo flanco esquerdo, como um extremo, porém recompôs pouco para auxiliar na marcação pelo setor.
BAH 5Da mesma forma, Vinícius diante do Flamengo ajudou muito pouco na recomposição pelo centro. Além do pouco auxílio aos volantes para a marcação, o meio-campista esteve pouco efetivo na criação da equipe.

Contudo, o Bahia de Guto Ferreira precisa ser mais efetivo no sistema defensivo quando atua longe dos seus domínios, principalmente, com maior intensidade e obediência tática dos homens de frente.

Vale lembrar que o sistema defensivo não é composto apenas pelos jogadores mais de trás, mas sim a marcação deve iniciar desde o ataque, quando os jogadores mais adiantados têm por obrigação pressionar a saída de bola adversária e, nas transições defensivas, os meias devem recompor, se aproximar e auxiliar os laterais e volantes no processo de marcação e recuperação da posse de bola.

Assim, o Bahia pode equilibrar as suas atuações como mandante e visitante para pontuar também longe da sua torcida, o que é fundamental na competição nacional de pontos corridos.

@michelcorbacho

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