POLÊMICAS A PARTE, FALTOU APTIDÃO PARA O BOTAFOGO – Análise tática de São Paulo 3 x 2 Botafogo

Por Sergio Santana

Após uma série de atuações ruins e resultados longe do ideal, Alberto Valentim promoveu mudanças no corpo do Botafogo para a partida contra o São Paulo: deixou o 4-1-4-1, com dois interiores e um primeiro volante, de lado, dando lugar ao 4-2-3-1, que, com um homem mais à frente na linha avançada do meio-campo, poderia garantir mais qualidade e mobilidade no terço final, área em que o alvinegro possuía dificuldades para chegar em outras ocasiões.

Essa, de fato, era a escolha ideal para aquilo que o Botafogo pecava em produzir. Apesar da saída de João Pedro, que está sob observação em estado estável, o alvinegro começou melhor na partida – indo além, a equipe de General Severiano reproduziu seus melhores momentos neste Campeonato Brasileiro nesse período de tempo: ataque posicional, troca de passes inteligente e movimentação para quebrar a boa marcação do São Paulo no meio-campo.

sp 1Foto: Reprodução

A foto deixa bem clara a proposta do Botafogo: trocar passar no campo de ataque e, consequentemente, colocar em prática o jogo posicional, que representa quando muitos atletas estão posicionados em campo rival para a construção de uma jogada. No lance do gol (que é relatado no frame), Luiz Fernando troca de posição com Kieza, enquanto que Marcos Vinícius infiltra como um “terceiro atacante”. Todas as movimentações e os toques desde o campo defensivo – Botafogo permaneceu com a bola por quase um minuto e meio – geraram espaço para Valencia dominar e acertar um chute de rara felicidade, abrindo o placar no Morumbi.

O início quase perfeito, porém, seria arruinado no lance seguinte: dentro da área, Everton e Igor Rabello se chocaram, com o zagueiro conseguindo cortar a bola antes da chegada do camisa 22, mas tocando em sua perna. Em uma decisão um tanto quanto polêmica, já que esse toque do alvinegro no atacante foi questionável, o árbitro assinalou o pênalti, convertido por Nenê minutos depois.

Não tem nada a ver com tática, mas diz muito sobre a sequência dentro das quatro linhas: os jogadores do Botafogo, revoltados com a marcação da penalidade máxima, parece que depositaram todas as suas energias reclamando com os homens de amarelo que guiavam o duelo. O alvinegro sentiu o gol, e os atletas mais ainda: perderam a cabeça para aquilo que o jogo mostrava, sendo, a partir daquele momento, dominados pelo São Paulo, que se aproveitou de erros do próprio Botafogo para aumentar o placar.

Esse conceito fica ainda mais claro pelas estatísticas da partida: o Botafogo, com 60% da posse da bola, tentava construir jogadas por meio do cenário criado no início da partida, mas as movimentações não eram as mesmas daquelas do período citado. A equipe de Diego Aguirre, por sua vez, focava em se defender e colocar intensos ataques pós-recuperação da bola, que ameaçavam a defesa alvinegra, que se via incompleta diante do trio paulista: Diego Souza, Nenê e Everton.

sp 2Lance do terceiro gol são-paulino: após a recuperação da bola no meio-campo, time de Aguirre constrói um ataque de forma insana e Everton, aproveitando sua velocidade, completa para o fundo das redes – Alberto Valentim teve muitos problemas com esse tipo de lance (Foto: Reprodução)

No segundo tempo, Alberto Valentim tentou reagir com a entrada de Rodrigo Aguirre. Apesar da certa melhora gerada pelo uruguaio, que venceu 8 de 11 duelos e deu dois dribles, a situação do Botafogo apenas se acentuou e a equipe, dominada dentro de campo e em termos anímicos, pouco conseguiu criar, permitindo que Diego Aguirre trocasse seus três principais jogadores ainda no começo da etapa complementar, apesar do gol de Rodrigo Pimpão nos minutos finais.

Uma das poucas “luzes no fim do túnel” do Botafogo na partida foi a atuação de Leonardo Valencia. O chileno, que havia deixado o time titular por uma lesão, representou uma falta significativa, já que o nível atuação da equipe caiu de forma gradativa desde sua ausência. No Morumbi, o meia teve sua primeira oportunidade como titular pós-lesão e não decepcionou.

Partindo, como sempre, do lado esquerdo, Valencia muitas vezes foi visto no nível oposto, sendo participativo também no flanco direito. Sua qualidade técnica, muitas vezes questionada, foi exaltada: um gol e uma assistência, que exemplificam a importância ofensiva do chileno para o esquema de Alberto Valentim. Apesar disso, o resto dos atletas, apesar de não ter sido uma atuação – em termos técnicos – ruim, não acompanhou seu ritmo.

sp 3Números que exemplificam a expressiva atuação de Valencia: participação nos dois lados do campo e um ótimo aproveitamento nos passes (Foto: SofaScore)

@sergiostn_

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