A BOLA PUNE – Análise tática de Atlético MG 0 x 1 Flamengo

Por Davi Magalhães

“Quem não faz, leva”. Nenhuma frase define melhor a partida entre Atlético e Flamengo do que essa. Afinal, de nada adianta criar muitas chances de gol se não for eficiente. É muito importante finalizar ao gol adversário, mas é preciso aproveitar as oportunidades de gol criadas. Foi justamente isso que aconteceu na vitória do Flamengo sábado. O rubro-negro foi mais eficiente na finalização, aproveitou a grande oportunidade de gol que teve e assumiu a liderança do Brasileirão.

O Atlético começou o jogo pressionando a saída de bola do Flamengo, jogando no seu modelo de jogo ofensivo, que privilegia a construção ofensiva através da posse de bola, da troca de passes. Consequentemente, o Flamengo adotou uma postura reativa, pode ter sido uma estratégia adotada pelo seu treinador ou uma consequência da forte marcação no campo de ataque que o Atlético fazia.

O Atlético jogava bem, tinha mais posse, procurava sair jogando desde a defesa, com velocidade na circulação da bola. Adilson e Luan são muito importantes na saída de bola junto com os laterais, que sempre se oferecem como opção de passe aos zagueiros. A construção de jogo sempre se dava pelo lado esquerdo com Fábio Santos, o lateral é muito importante no momento ofensivo, ajuda na saída de bola e realiza ultrapassagens no campo de ataque quando Roger Guedes faz a diagonal, saindo da esquerda para o meio.

galo 1Cazares se deslocando da direita para a esquerda. Atlético procurando criar superioridade numérica no setor da bola.

O Atlético tinha 66% de posse de bola na primeira etapa e conseguia progredir no campo adversário, com os jogadores se movimentando bastante para se oferecer como opção de passe ao companheiro, como tem sido um padrão da equipe.

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No primeiro tempo, o Atlético finalizou 7 vezes no gol adversário. A grande parte das oportunidades de gol criadas tiveram início pelo lado esquerdo, onde o Atlético tem Luan, Fábio Santos, Roger Guedes e por vezes Cazares vindo ajudar na criação ofensiva.

Mapa de calor do lateral-esquerdo (Fábio Santos), meio-campista esquerdo (Luan) e extremo-esquerdo (Guedes) ajudam a entender como lado esquerdo do ataque atleticano é forte.

O lado direito da defesa do Flamengo sofreu muito na primeira etapa. Por vezes, Cazares também se deslocava para o lado. A idéia de Larghi era de criar superioridade numérica no setor da bola, aproximando os jogadores para tabelar, triangular e assim criar chance de gol. Em alguns momentos, esse movimento atraia a defesa do Flamengo para aquele lado, possibilitando ao Atlético inverter o jogo e encontrar Emerson aberto pelo lado direito. O Flamengo apostava nos contra-ataques. Sempre que recuperava a bola, acelerava e procurava Vinícius Júnior pela esquerda. O menino foi muito bem no jogo e levava muito perigo quando recebia a bola e tinha campo para atacar. Emerson sofreu com a velocidade e a partida do Vinícius.

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Na segunda etapa, o jogo continuou da mesma forma, o Atlético com mais posse de bola, saindo jogando desde a defesa e o Flamengo reagindo, apostando na velocidade de Vinícius pela esquerda quando retomava a bola.

No segundo tempo faltou mais repertório ao time atleticano, que pecava no último passe, faltava aquele passe de ruptura para quebrar a linha defensiva adversária.

A saída era chutar de fora da área, assim Cazares finalizou 3 vezes no início do segundo tempo. Com o Atlético construindo o jogo e o camisa 10 finalizando de média distância. Com 20 minutos de segundo tempo, Alerrandro saiu para a entrada de Erik. Alerrandro não fez boa partida, não fez bem o pivô para seus companheiros, não conseguiu dar continuidade nas jogadas e finalizar bem as oportunidades que teve. A alteração não fez sentido, pois a essa altura, o Atlético se limitou a cruzar a bola na área, partiu para o desespero. E Erik não levaria vantagem sobre a defesa flamenguista. Sempre que a bola chegava ao último terço do campo, a equipe atleticana cruzava para a área, facilitando o trabalho da defesa adversária.

Um número que nos ajuda a entender isso, é o número de chutes de dentro da área rival. Foram 4 finalizações de dentro da área. No segundo tempo, a equipe finalizou 11 vezes ao gol, só duas em direção ao gol. Muito pouca eficiência. Essa ineficiência foi castigada. Aos 35 minutos da segunda etapa, o Flamengo marcou o gol da vitória. Em contra-ataque puxado por Vinícius Júnior novamente. Que rolou para Everton Ribeiro marcar. O contra-ataque surgiu de um escanteio do Atlético. Após Fábio Santos rebater mal, Emerson não afastou e falhou na frente de Vinícius.

Depois do gol Larghi tentou mudar o jogo. É nessas horas que o treinador sente falta de jogadores no elenco, de um plantel mais qualificado. Olha para o banco e não encontra boas opções para mudar a partida e tentar buscar o empate. A tentativa de colocar Otero e Tomás Andrade não surtiu efeito. E a equipe se limitou a cruzar a bola para a área nos minutos finais.

Apesar da boa partida atleticana, onde teve volume de jogo, criou boas oportunidades de gol, sobretudo na primeira etapa, o Flamengo venceu o jogo porque aproveitou a grande chance que criou. Coisa que faltou ao Atlético e que custou a liderança.

@magalhãesDavi_

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