REAL MADRID PROVOU QUE O JOGO MENTAL NÃO PODE SER SUBESTIMADO

Por Caio Alves

real 1Real Madrid iniciou no 4-4-2
 real 2Liverpool iniciou no 4-3-3

 

Quem acompanhou o pré-jogo da decisão, viu muito da análise em campo. Logo de início, atentei ao fato do jogo mental da equipe de Zinédine Zidane e a intensidade da equipe de Jürgen Klopp. E não foi diferente. Marcelo com suas descidas e assistências magistrais, Toni Kroos com seus passes que tiram a equipe da zona de pressão, Luka Modric e Isco flutuando no meio-campo como ninguém e Benzema com sua importância no modelo de jogo foram, de certo, essenciais, mas é importante destacar Varane-Ramos. real 3

Deixando de lado os protagonistas ofensivos, Ramos foi o melhor da partida, com Varane vindo logo atrás. Conhecendo o modelo de jogo do Liverpool e sabida de seu pressing e intensidade na primeira etapa, principalmente, a dupla de zaga foi de suma importância ao defender a área espanhola. E fizeram como nunca antes visto. Seja em tentativas de passes de ruptura, infiltrações, 1×1 ou bolas aéreas, Varane-Ramos exerceram uma superioridade em relação ao poderio ofensivo do Liverpool destacável.

Se levarmos em conta as últimas decisões de Champions em que o Real Madrid disputou, contra o Atletico de Madrid e Juventus, o Liverpool seria, consideravelmente, o adversário mais complicado dos três. E, nos minutos iniciais de jogo, o Liverpool mostrou que era verdade.

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O Liverpool atuou como de costume, no 4-3-3 bem definido de Jürgen Klopp. Na imagem, é possível notar que, no momento defensivo, Salah compõe a segunda linha pelo lado esquerdo juntamente com Milner e Henderson, enquanto Mané também volta pra ajudar defensivamente e fechar espaços. É possível notar, também, o momento ofensivo do Real Madrid. Enquanto o ataque forma uma linha de 3 com Benzema na ponta, Cristiano como referência e Isco na ponta esquerda, Marcelo atua por dentro, como costuma fazer na Seleção Brasileira.

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No momento defensivo do Real Madrid, por mais que estivesse atuando no 4-4-2 com Isco flutuando em todas as partes do campo, é possível ver muitas alternâncias táticas. No frame acima, o time se defende com uma linha de 5, tudo isso porque Casemiro subiu para fechar o espaço deixado por Carvajal. O lateral-direito quebrou a linha ao deixar sua posição pra marcar Robertson, deixando Sadio Mané livre. Foi aí que Casemiro, já acostumado com essa função, fechou o buraco.

Ainda na mesma imagem, observando o Real Madrid defendendo bem sua área e tendo uma considerável superioridade numérica, Firmino saiu da área para buscar jogo e oferecer opção.  Como é de conhecimento geral que Roberto Firmino é inteligente o suficiente na hora de ler o jogo e atacar espaços livres, Firmino o fez, virando uma alternativa na cabeça de área do Real e, logo após, atacando o espaço vazio deixado pela defesa adversária.

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À partir deste momento, em que Salah saiu do jogo, começa a entrar o motivo de eu ter citado a importância do jogo mental no futebol. Ao meu ver, o jogo mental anda lado a lado com a parte tática e física, todas essenciais para uma boa atuação, por exemplo. Por mais intenso e bem jogado que seja o futebol do Liverpool, foi a primeira decisão desse time na mão de Klopp. Lovren, Milner e Henderson são experientes, mas não se pode falar o mesmo de Karius, Robertson e até Firmino, que foi mal em Kiev. O time sentiu psicologicamente, vendo sua maior possibilidade de vitória sair do jogo e acabou caindo de rendimento, principalmente ofensivo.

Não demorou muito tempo para o Real Madrid perder um dos melhores laterais-direitos do mundo, Dani Carvajal. Por mais que Salah fosse importante pro Liverpool, Carvajal também era para o Real. E no que interferiu? Nada. Além de ter um treinador que preza muito pelo jogo mental forte de sua equipe, o Real jogara sua terceira final de Champions League e tinha jogadores acostumados com aquele contexto, como Cristiano Ronaldo e Sergio Ramos. E o Real começou a vencer à partir daí.

Taticamente, sem Salah, o Liverpool seguiu no 4-3-3, mas mudou. Wijnaldum passou a compor a linha defensiva de meio-campo (função de Salah) e Lallana entrou em seu lugar. Klopp, urgentemente, inverteu o lado dos extremos, passando Sadio Mané pra esquerda.

No frame acima também é possível identificar que, mesmo sem Carvajal, Nacho — que entrou em seu lugar — seguiu fazendo a mesma função. Assim como Isco, Nacho passou a dar amplitude pro Real abrindo os extremos.

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No gol do Liverpool, mesmo que de escanteio, é possível notar o dedo de Klopp. Durante a temporada, Milner e Salah — responsáveis pelas bolas paradas — procuravam achar Lovren e Van Dijk (os mais altos e melhores no jogo áereo). À partir daí, os zagueiros interpretavam se era melhor finalizar à gol ou tentar uma assistência. Em Kiev, Lovren soube administrar o tempo de bola, ganhar a disputa e tocar para o meio da área, aproveitando a velocidade e o oportunismo de Mané ao completar pro gol.

real 9Mané, inclusive, que foi o melhor do Liverpool na partida

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Por mais que, no sábado, a equipe de Zidane não tenha executado tanto o pressing na saída de bola — por conhecer o gegenpressing do Liverpool —, o Real ainda assim, se arriscou em alguns momentos. Acima, é possível notar a tentativa bem executada. Enquanto Karius tenta sair jogando, Cristiano Ronaldo cerca Van Dijk, Benzema cerca Lovren e Alexander-Arnold e Toni Kroos cerca Henderson.

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No contra-ataque do Liverpool, mais um exemplo citado no pré-jogo: o lado esquerdo espanhol. Ao Ramos-Marcelo saírem para o campo de ataque, o Liverpool contragolpeou, pegando o time desorganizado e gerando espaços. Acima, é possível notar Ramos e Marcelo tentando chegar na base da jogada, enquanto Casemiro e Modric são obrigados a comporem a linha e fecharem os espaços.

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Mais um exemplo da amplitude bem executada do Real Madrid. Sabendo que o meio-campo do Liverpool é povoado e a linha de 4 tem dificuldade em marcar as laterais, o Real abriu o campo. Bale abriu o campo do lado esquerdo, enquanto Benzema, do lado direito, aparece como opção. Isso sem falar de Cristiano Ronaldo preparado para proporcionar profundidade e aparecer como opção de passe.

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Por último, mais um exemplo citado no pré-jogo: as infiltrações de Gareth Bale. Foi possível notar que Bale atuou muito nas costas dos zagueiros do Villarreal, coisa que procurou fazer em Kiev. Ao ver a linha de 4 do Liverpool bem composta, Benzema se coloca no meio dos zagueiros, chamando a atenção dos mesmos. Assim, Bale tem a oportunidade de, além de dar amplitude ao time, infiltrar nas costas do adversário.

É claro que o papel tático das esquipes e o protagonismo de Bale, por exemplo, foram importantes pra construção do resultado. Mas, assim como os contextos citados acima, não podemos subestimar o jogo mental, tendo em vista que o Real Madrid começou a vencer o jogo aí. Afinal, um time sem confiança não é nada.

@caioalves

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