A INTENSIDADE DE JÜRGEN KLOPP OU O MENTAL FORTE DE ZINÉDINE ZIDANE?

Por Caio Alves

Neste sábado, em Kiev, na Ucrânia, veremos a decisão da UEFA Champions League 17-18. Enquanto o Real Madrid busca La Decima Tercera, o Liverpool tenta conquistar o torneio após 13 anos. Como trata-se de um pré-jogo, acompanhei as últimas partidas e os scouts das duas equipes.

REAL 1

No duelo contra o Celta de Vigo, por La Liga, no qual venceu por 6×0, foi possível notar o crescimento técnico de Gareth Bale. Bale, neste jogo, substituiu Cristiano Ronaldo muito bem, proporcionando amplitude e intensidade ao time. Na imagem, é possível ver Isco fazendo o passe de ruptura, enquanto o jogador corre em profundidade. Quando o galês joga, o time de Zidane usa muito desse artifício.

REAL 2

Durante a temporada, o Real Madrid de Zidane vem, cada vez mais, executando o pressing em seus adversários, seja atuando dentro ou fora de casa. É possível ver que todos os jogadores do meio pra frente apertam a saída de bola do Celta. Todo jogador adversário foi cercado por um jogador, enquanto o portador da bola é cercado por 4 jogadores (Toni Kroos, Karim Benzema, Luka Modric e Gareth Bale).

REAL 3

Mais uma vez, nota-se que, quando Gareth Bale joga, o Real Madrid ganha profundidade. Enquanto Benzema tem a qualidade de abrir espaços pra quem vem de trás, Bale se infiltra bem na defesa adversária. Assim como contra o Celta, é possível ver o galês trabalhando nas costas do jogador do Villarreal. No lance, Cristiano não o viu infiltrando — o que mostra a falta de entrosamento — e preferiu a finalizar. Se tivesse escolhido a melhor opção, encontraria Bale proporcionando profundidade, ocasionando em uma ótima oportunidade de gol.

 REAL 4

Algo muito recorrente no time de Zidane é a quebra da linha defensiva, principalmente do lado esquerdo, com Ramos-Marcelo. Inúmeras vezes foi possível observar Casemiro cobrindo o zagueiro quando o mesmo sai pro desarme — ou até mesmo pro ataque. Quando isso não acontece e Ramos não recompõe, o Madrid acaba gerando espaço no último terço do campo adversário. Contra Roberto Firmino de uma leitura de espaço acima da média e Salah-Mané de uma intensidade fora do comum, qualquer quebra de linha sem recomposição pode ser fatal.

 REAL 5

Mais um exemplo de erro defensivo, dessa vez pelo lado direito, com Varane-Carvajal. Ao contra-atacar, o Villarreal encontra um Real descompactado e gerando espaços em seu campo, tendo a oportunidade de aproveitá-los. Fosse Mané-Firmino, a história poderia ter sido outra. A partida contra o Villarreal foi a última atuação do Real Madrid antes de encarar o Liverpool — e com o time titular, tendo apenas Luca Zidane no lugar de Keylor Navas.

 REAL 6

Nesse contragolpe do Madrid, com Isco-Cristiano-Bale, é possível ver Cristiano Ronaldo atraindo a atenção e marcação adversária —  papel que Karim Benzema faz pro próprio Cristiano —, o que acaba proporcionando a infiltração do lado oposto da base da jogada.

 REAL 7

Em sua última partida antes da decisão em Kiev, o Liverpool enfrentou o Brighton pela Premier League, vencendo, em casa, por 4×0. O resultado foi o espelho do jogo, onde o Liverpool proporcionou o que de melhor fez durante a temporada.

Com intensidade, pressing e dinamismo, o Brighton não existiu. Neste jogo, Klopp escalou Solanke como atacante, recuando Roberto Firmino pra armação, sua posição de origem. Solanke, diferentemente do que se foi imaginado, fez o papel que costuma ser de Firmino de maneira excepcional, abrindo espaços, alternando papéis táticos e armando o jogo.

É possível notar que, no contra-ataque, Solanke tem três opções de passe. Enquanto Salah, o pior colocado, vinha de trás, Mané proporcionava amplitude e Firmino corria nas costas de Schelotto. Tudo isso foi causado pelo pressing de Klopp e pela descompactação defensiva do Brighton.

 REAL 8

Novamente, contragolpe do Liverpool, mas dessa vez com Firmino na base da jogada. Enquanto Mané, novamente, proporciona a possibilidade de profundidade, Salah atua nas costas de Bong. O Brighton seguia tão perdido defensivamente que não era possível decifrar seu desenho tático.

 REAL 9

No momento defensivo, o time de Klopp mostrou-se compacto. Enquanto o Brighton atacava no 4-2-3-1, o Liverpool defendia-se no 4-3-3. O detalhe fica por conta de Mohamed Salah. Solanke, Mané e Firmino aguardavam o gegenpressing (contra-ataque do contra-ataque), então Salah, o mais intenso do quarteto ofensivo, compunha a segunda linha de meio-campo.

REAL 10

No seguimento do lance, o Liverpool rouba a bola ao executar o gegenpressing com Salah. No contra-ataque intenso e cirúrgico, Mané apareceu como opção de passe e Solanke gerou profundidade. Em seguida, Salah fez o passe pra Solanke nas costas de Duffy, que converteu à gol. Compactação defensiva e gegenpressing por parte do time, profundidade e infiltração por parte de Solanke e, por fim, o passe de ruptura de Mohamed Salah. Tudo no mesmo lance.

É claro que, defensivamente, o Real Madrid é extremamente superior ao Brighton, que não se mostrou minimamente compacto durante o jogo, mas é necessário que o time tenha atenção redobrada na recomposição defensiva — e na transição ofensiva, já que o Liverpool pratica o gegenpressing como poucos.

Outro ponto importante é a escalação do Real Madrid. Dúvidas pairam a cabeça de Zinédine Zidane, tudo por culpa de Gareth Bale. O galês, como já citado, vive excelente fase e crescimento técnico, sendo merecedor da titularidade. O problema é que, sendo titular, Isco ou Benzema sairiam do time.

REAL 11

Acima, o Madrid quando no 4-3-1-2, esquema tático utilizado apenas quando Isco joga. Nesse esquema, Isco tem liberdade entrelinhas pra criar e flutuar no campo ofensivo, sem contar que Cristiano assume seu papel de atacante e Benzema atua como falso 9, recuando, abrindo espaços e criando chances.

REAL 12

Ao escalar Bale como titular, Zidane, provavelmente, voltará ao 4-3-3, esquema que utilizava na Era BBC. No 4-3-3, ainda há chance de Cristiano tomar a vaga de Benzema como 9 e Isco entrar como extremo pelo lado direito.

Particularmente, vejo Benzema como titular, possibilitando a disputa da vaga entre Isco e Bale. Tendo em vista toda a intensidade proposta pelo Liverpool de Klopp citada na análise, eu iniciaria no 4-3-1-2 de Isco, deixando Gareth Bale pra segunda etapa, onde, por se tratar de uma decisão, o time, provavelmente, necessitará de intensidade nas infiltrações, função muito bem exercida pelo galês.

@caioalves

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