RETRANCA X TER A BOLA – Análise tática Paraná 0 x 0 Grêmio

Por André Ribas e Maurício Wiklicky

Paraná e Grêmio fizeram um jogo de propostas. O tricolor paranaense mudou seu esquema para o 4-1-4-1 e jogou de forma reativa, esperando a ação do adversário para contra-atacar. Já o tricolor gaúcho, como sempre, no seu modelo de jogo, propôs o jogo, teve maior posse de bola (29% x 71%) e tentou furar as linhas do time da casa, mas teve problemas. Afinal, quem foi melhor?

Mapa de calor mostra as regiões que os times mais ficaram com a bola:

def

A partida começou e logo de cara deu pra ver como as equipes se comportariam. O Paraná, que entrou com três volantes (Leandro Vilela, Jhonny Lucas e Torito), tinha como objetivo jogar em transição, esperando a ação do Grêmio para achar espaços.

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Paraná no 4-1-4-1. Repare que Leandro Vilela fica entre as linhas do Tricolor.

Defensivamente o time foi muito bem e conseguiu anular as chegadas do Grêmio, deixando suas linhas compactas, e Vilela circulando entre elas. Os laterais, Júnior e Mansur, tiveram um papel importante nessa organização, já que nos últimos jogos o Tricolor Paranaense sofreu pelos lados, principalmente com jogadas nas costas dos seus laterais.

Repare na movimentação do Leandro Vilela. Ele se posiciona entre as linhas, mas, quando um jogador do Grêmio tenta se infiltrar, ele recua e fecha a primeira linha paranista. Esse tipo de posicionamento defensivo o Grêmio já enfrentou e enfrentará muitas vezes. Como exemplo, temos o Grenal do último domingo, onde Rodrigo Dourado fez a função de “quebrar a linha do adversário” e o primeiro jogo da Libertadores, com Marcone jogando na frente da zaga.

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Dourado na frente da zaga do rival.

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Lanus

Time do Lanús na final contra o Grêmio

Com este posicionamento os adversários tentam impedir a principal jogada ofensiva do Grêmio, ou seja, anulando Luan, que no esquema de Renato fica livre para se movimentar, e fazer todo o tipo de combinações no campo de ataque, justamente entre as linhas de defesa do adversário. Com este posicionamento adversário Luan fica sem espaço, e isso se refletiu em sua atuação no domingo, onde não conseguiu produzir como de costume.

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Passes de Luan contra o Paraná. Fonte: Instatscout

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Além disso os volantes foram bem e conseguiram dificultar a vida do Tricolor gaúcho no ataque. O time paranista não dava espaços e procurava criar superioridade ou igualdade numérica na zona da bola.

Júnior se destacou e os números refletem bem o seu desempenho. O lateral mostrou superioridade ao Alemão, que era o titular da posição.

Confira:

JUNIOR
Dados: Sofascore.

Com este zagueiro na frente da zaga e o meio congestionado com volantes (Inter e Paraná atuaram com três volantes cada), o Grêmio precisará se reinventar novamente sob o comando de Renato. Alguns pontos para serem destacados:

  • 1×1 – tentativa de dribles, seja dos laterais ou extremas, haja visto que pelo meio está congestionado e ficará muito difícil o drible
  • Cruzamentos – reparem como Ramiro, nos poucos minutos como lateral, foi melhor que Leo Moura e Cortez. Seus cruzamentos foram mais eficazes e geraram situações de gol. Ramiro 7 cruzamentos/3 certos ; Leo Moura 3 cruzamentos / 0 certos ; Cortez 4 cruzamentos / 0 certos.
  • Entrada dos volantes: sem Arthur, que gera espaço para o melhor posicionamento de Maicon, o time precisa que Jailson em velocidade entre mais na área. Caso não fizer isso é melhor tentar Cícero, que é uma melhor opção na bola aérea (complementando o item de cruzamentos acima, conforme podemos ver no vídeo) e tem um excelente lançamento (também no exemplo do vídeo acima, ele que lança para o cruzamento de Ramiro)

  • André x Jael: apesar de André ser tecnicamente melhor que Jael, hoje Jael faz falta para o time contra defesas fechadas. Entrosamento, fazer a parede, proteger a bola, cavar faltas, são características melhores quando o jogo está truncado. André tem alta mobilidade, mas sem espaço não consegue produzir o necessário para o time.
  • Chutes de fora da área: arriscar, tentar, chutar. Claro que o estilo de jogo pede maior

Ofensivamente o Paraná jogou no contra-ataque, procurando recuperar rapidamente a bola para sair em velocidade com os seus pontas (Carlos e Silvinho), enquanto Caio Henrique tentava trabalhar pelo meio. O time conseguiu encaixar alguns contragolpes, mas não tomou as melhores decisões no ataque. Um número que representa bem isso é que o Tricolor Paranaense finalizou seis vezes: cinco foram pra fora e um foi bloqueado. O Grêmio teve pouca preocupação defensiva, não há muito o que avaliar de um time que o goleiro não tocou na bola.

foots
Direção e distância dos chutes. Imagem: Footstats.

Silvinho foi o jogador que mais conduziu as jogadas do time. O atacante fez um bom jogo, mas podia ter sido o nome da partida se fosse melhor nas suas decisões, como nos exemplos abaixo.

O Tricolor paranaense foi seguro defensivamente, mas precisa criar mais e ser mais eficiente nos contra-ataques. Rogério Micale entendeu que o Paraná vai ter que abdicar da bola em alguns jogos. Agora, o torcedor precisa ter paciência e compreender que é dessa forma que o time pode permanecer na primeira divisão.

Já o tricolor gaúcho precisa manter o controle do jogo, afim de evitar desgastes defensivos, mas tendo que mudar algumas opções de ataque para romper essas retrancas que aparecerão cada vez mais.

@Andre_Frehse e @mwgremio

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