JAIR VENTURA x DIEGO SIMEONE: Análise tática santista do SanSão

Por Charlton Junior

São Paulo e Santos se enfrentaram no Morumbi, no último domingo e o Alvinegro da Vila Belmiro conheceu a sua 11ª derrota em apenas 4 meses de trabalho do técnico Jair Ventura, o que gera muita preocupação a toda torcida Santista. Quando o mesmo chegou ao clube, a expectativa era de um bom trabalho, pelas características do seu antigo clube, o Botafogo, um time que era muito forte fisicamente, muito bem definido taticamente, com uma entrega absurda e que o plantel abraçava a proposta de jogo do comandante, o jogo reativo.

Declaradamente fã do trabalho do argentino Diego Simeone (técnico do Atlético de Madrid), Jair Ventura era considerado por parte da imprensa um treinador com características parecidas do treinador do clube de Madrid, seria isso um absurdo? Vamos nessa análise confrontar os dois clubes, obviamente, reconhecendo a diferença técnica abissal entre elencos, porém, na tentativa de identificar semelhanças entre os estilos.

san 2O Santos usa muitas vezes o mesmo esquema do Atlético de Madrid, o 4-4-2.

A dificuldade que o Santos teve e ainda tem em contratar o famigerado camisa 10, contribuiu para que o esquema definido (na prática) fosse o 4-4-2, com o objetivo de sempre tentar neutralizar os lados do campo adversário (visto que, o futebol praticado no mundo todo geralmente joga-se com pontas dando bastante amplitude), e se bem compacto, oferece pouco espaço na zona central.

san 3Comparativo 1: Vemos a diferença posicional entre as duas linhas do Atlético (do Simeone) e do Santos (de Jair). O time de Madrid sempre muito bem compacto oferecendo dificuldade para um jogador estar entrelinhas e assim reduzindo o máximo as opções de ataque ao adversário e permitindo uma maior segurança a defesa, por parte do Santos, observamos uma “quebra posicional” no que seria uma segunda linha de 4, que prontamente foi ocupado por 3 jogadores do São Paulo e resultou num chute perigoso do Reinaldo.
san 4Comparativo 2: A diferença brutal de organização para atacar, o Santos (de Jair) demonstra sempre não estar preparado para o ataque, os 3 atacantes (Rodrygo, Sasha e Gabriel) no papel, sempre muito espaçados e muita das vezes em um “tempo a menos”, já o Atlético (de Simeone) ataca em bloco, os jogadores próximos uns aos outros o que possibilita sempre opções ofensivas,
san 5Comparativo 3: A dificuldade de se reorganizar defensivamente, o Santos (de Jair) ofereceu muito espaço ao São Paulo na partida de ontem. Os jogadores Santistas parecem criar raízes dentro da grande área, pouca pressão é exercida, grandes chances são cedidas. O Atlético (de Simeone) novamente fecha todos os espaços possíveis e varia entre a marcação alta, média e baixa com muita naturalidade.

O JOGO

Alguns aspectos supracitados contribuíram para a derrota do time da Vila Belmiro, a desorganização tática e passividade (sobretudo no primeiro tempo) foram os fatores principais. O Santos foi completamente dominado no primeiro tempo, apenas assistiu e sofreu diante do São Paulo que adotou uma postura muito agressiva, marcando alto, de muita intensidade, atacando os muitos espaços cedidos pelo Santos, oferecendo muito perigo à meta do Vanderlei através das bolas aéreas (muitas vezes alertadas aqui no MW).

san 6Imagem mostra jogador do São Paulo livre para cabecear. Reflexo do mau posicionamento da defesa e da falta de concentração.

Mesmo sendo bastante pressionado o Santos terminou com uma maior posse de bola no primeiro tempo (53%), mas era uma posse “irreal”, uma posse que não não dá para ser palpável, onde o alvinegro pouco agredia o São Paulo, obviamente, teve também mais passes trocados (254). Após muitas tentativas em cruzamentos (24 no total) por parte do Tricolor Paulista, o gol saiu, a partir disso, o Santos viu-se obrigado a sair mais para o jogo, algumas mudanças foram feitas, nenhuma surtiu efeito e como um “bando” foi em busca do gol, mas esbarrou na incapacidade dos homens de frente que não estavam numa tarde tão inspiradora. Os números usados por Jair Ventura na coletiva para confrontar aqueles que consideram um time recuado, iludem alguns, principalmente o de posse de bola, os seus comandados terminaram o jogo com 61% de posse, porém com apenas 7 finalizações, contra 14 do São Paulo, ou seja, muito pouca efetividade.

CONCLUSÃO

Podemos perceber que não existem semelhanças entre Jair Ventura e Diego Simeone, visto que, o argentino (com mais tempo de trabalho e um melhor elenco, óbvio) consegue ter o seu time nas mãos a ponto em que eles (jogadores) exercem com maestria a sua filosofia de jogo, já o brasileiro, demonstra um jogo um tanto pobre de ideias ofensivas e não consegue reproduzir o seu jogo reativo, o que confunde muito os torcedores, que veem um time jogando atrás da linha da bola, e se deparam com um argumento de time controlador dado pelo comandante, que ontem mais uma vez foi pífio e sucumbiu diante de um São Paulo muito mais organizado e acima de tudo aguerrido, com sede de vencer.

Frames do Atlético de Madrid: Ícaro Caldas @caldas_icaro

@focosantos

#AprendemosJuntos

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