POR QUE ARTHUR AINDA PODE SER, O QUE GANSO NUNCA FOI

Por Juan Carlos e Rafael Lima

As portas da Copa do Mundo de 2010, criou se uma grande expectativa pela convocação de um jovem meio campista que despontava com a camisa 10 do Santos.

Em 2018 uma expectativa semelhante ocorreu com outro jovem meio campista, Artur.

Coincidência ou não, os dois atletas não foram chamados para suas respectivas Copas, mas existe algo mais em comum entre eles?

Após o Mundial de 2010 o então técnico da seleção brasileira Mano Menezes tinha o P. H como referência do seu meio campo, tanto que após sua lesão no joelho direito que o afastou dos gramados por aproximadamente 7 meses, Mano em uma coletiva disse:

” A seleção espera por Paulo Henrique Ganso”.

A declaração fazia sentido na época, depois de uma Copa do Mundo deprimente, em que o Brasil tinha um meio campo acéfalo, e com as equipes brasileiras jogando um futebol sofrível, Ganso representava o (velho) novo, o diferente.

Na temporada 2010 o atleta tinha uma característica rara naquele momento do futebol brasileiro, com 2 toques na bola o atleta cadenciava o jogo ditando o ritmo que ele queria, e com 1 toque o jogador acelerava a partida, usando e abusando da velocidade de Neymar, Robinho e André.

Sua estreia na seleção contra a seleção dos Estados Unidos, foi de encher os olhos, bola na trave, elástico, assistência e participação em quase todas as jogadas de ataque.

Após se recuperar da lesão, o craque voltou a tempo de ajudar o Santos a ser tri-campeão da Libertadores em 2011.

” Ôoooo O Maestro Voltou

Ôoooo O Maestro Voltou”

Entoava a torcida.

Mas nem tudo eram flores, o futebol mundial passava por uma revolução, o jogo de posição do Barcelona de Pep Guardiola mudou drásticamente o modo como as equipes passaram a atacar e se defender.

As marcações individuais, perseguições setorizadas, jogadas aleatórias, entre outras, deram lugar a um jogo mais coordenado.

A partir do Barça de Guardiola não se pode afirmar que o futebol no mundo passou a ser melhor do que a 10, 20 ou 30 anos atrás, mas sem dúvidas o jogo ficou muito mais inteligente.

Raramente um movimento é por acaso, tudo é treinado e analisado, o objetivo passou a ser potencializar ao máximo o jogo coletivo.

A velocidade e intensidade aumentaram substancialmente.

Ganso pode sentir a diferença do jogo praticado em terras tupiniquins e no Velho Continente, quando seu Santos foi triturado pelo Barcelona de Messi na final do Mundial interclubes de 2011.

Um exemplo de como o futebol brasileiro evolui a passos de tartaruga nas últimas décadas, é a semifinal do campeonato Paulista de 1983. O volante Marcio do Palmeiras marcou de forma individual o corinthiano Sócrates. O volante anulou o doutor no primeiro jogo e anulava novamente o atleta alvi negro no jogo de volta. Aos 22 do primeiro tempo o meia recebeu passe de Biro Biro deu um drible desconcertante e fez o gol que valeu a classificação a final do Paulistão.

arthur 1Dr.Sócrates e Márcio grudado nele.

Ganso tem esse perfil, pouco aparece no jogo mas em uma jogada individual pode decidir qualquer jogada, pois tem técnica e visão de jogo privilegiada.

O futebol pós Barcelona não aceita mais esse tipo de atleta, não vale mais a pena contar com um atleta que pouco participa do jogo, tem baixa intensidade e velocidade. Se o jogador não for decisivo em um passe, é como se as equipes do P. H jogassem com 1 a menos. O Sevilla que o diga.

Não concordo com as afirmações que P. H precisava entrar mais na área, fazer mais gols para ser decisivo.

Não comparando o nível técnico de cada atleta, mas Andrés Iniesta foi titular por mais de 10 anos do Barcelona e fez apenas 57 gols. Toni Kross, Modric, Pogba… Também fazem poucos gols. O que os torna diferenciados são a intensidade e participação do jogo, com e sem a bola que os tornam alguns dos melhores meio-campistas do mundo.

Arthur que ficou de fora da lista final do técnico Tite para a Copa do Mundo, é exatamente a antítese de P. H Ganso. Intenso, participativo, extremamente técnico (sem comparações entre os atletas) e principalmente, velocidade e tomadas de decisão das jogadas em um ritmo muito acima do futebol brasileiro. Dá pra afirmar que o Grêmio tem um meio-campista de 1° escalão do futebol mundial em seu elenco. Pra quem dúvida assista a final da taça Libertadores 2017 em que o atleta foi escolhido o melhor jogador da final, atuando apenas o 1° tempo.

Muito se fala do tiki – taka, do passe, passe, passe… Mas alguns jogadores de meio campo, tem o dom de influenciar as decisões do adversários, através de movimentos sutis. A condução de bola, acelerando e desacelerando as jogadas, fazendo giros e mudando o lado da jogada, ou efetuando um passe vertical, são fundamentais para quebrar linhas defensivas. Pode se dizer que ludibriavam as ações do adversário. Xavi, De Bruyne e Pirlo são atletas que tem (ou tinham) essa qualidade.

Artur também tem.

É um jogador raro formado no Brasil. Na última temporada o Brasil apresentou alguns outros ótimos meio campistas, como Douglas Silva ex Vasco (hoje no Girona) Wendel ex Fluminense (Sporting) e o faz tudo Maycon.

Jogadores que tem intensidade, velocidade e tempo de reação (cognitiva e de ação) em nível acima do futebol brasileiro.

Mas têm características diferentes do Artur, têm boa técnica, atacam muito os espaços, enxergam na frente como a jogada pode se definir e definem muitas dessas jogadas. Winadoum, Paulinho e Khedira são jogadores que têm essa qualidade.

Por isso Artur é tão raro/valorizado. O Barça enxergou esse perfil do atleta, e há rumores que possa solicitar sua chega a Cataluna na janela pós Copa do Mundo.

Pode se dizer que é um Plus, mas se Ganso era bastante cobrado por chegar pouco a área e fazer poucos gols, Artur têm por característica pisar mais na área (Longe de ser um Paulinho), como sendo algo natural do seu jogo. Não é um excelente definidor de jogadas, mas é jovem e pode aprimorar esse fundamento.

Porém pode se tornar um craque Que aliás muitas vezes depende mais de concentração e visão, por que técnica para bater na bola o gremista tem de sobra

Tite optou por preterir o jogador em prol do excelente Fred (não vamos comparar as qualidades de cada um) por que entende que falta maturidade e rodagem internacional ao atleta, além é claro de estar lesionado à época dos amistosos contra Rússia e Alemanha, e por estar contundido atualmente. A comissão já convocou outros dois jogadores que estão em processo de recuperação (Neymar e Fagner) talvez não quis ter um terceiro.

Analisando os dois atletas citados no texto, pode se dizer que Ganso (infelizmente) não evoluiu, era o craque do futuro, futuro esse que nunca chegou, ficou no imaginário dos saudosistas. E que hoje esta encostado no Sevilla.

Artur é uma realidade e também é o futuro. Se ele terá essa evolução apenas o tempo irá dizer

@10juancarlitos

@rafjoga101983

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