PARA VIRAR A PÁGINA – Análise tática de Flamengo 1 x 1 Vasco

Por Ricardo Leite

O Vasco entrou em campo hoje, com o objetivo maior de não piorar a má fase recente da equipe. Vindo de goleadas, eliminação, derrota para equipe frágil dentro de casa e muita contestação da torcida em relação alguns jogadores e até o treinador. E o primeiro passo para isso era não ser derrotado para o maior rival (muito menos goleado). Mas o Vasco fez mais que isso, principalmente no primeiro tempo, quando apesar de ter menos a bola que o adversário, foi mais incisivo e mostrou boa organização e equilíbrio (antes em falta na equipe cruzmaltina). Mas uma coisa não mudou. Mais uma vez quando estava melhor na partida sofreu o gol. Mas dessa vez o empate veio em seguida, para alívio dos torcedores.

ESTATÍSTICAS:

O Flamengo teve 60% do tempo de posse de bola na partida, mas o Vasco conseguiu finalizar 13 vezes, sendo 7 delas no alvo, enquanto o time da Gávea acertou apenas 3 finalizações no gol em 10 tentativas.

O Vasco também teve um alto número de escanteios: 11, e viu 6 cantos serem assinalados para o adversário.

Por ter mais a bola o Flamengo trocou maior número de passes (460 contra apenas 298 do Gigante da Colina), e mesmo assim teve maior precisão nesse fundamento (83% x 77%). Isso pode ser entendido também, porque o time reativo, normalmente é mais objetivo e tenta passes mais verticais quando tem a bola (caso do Vasco hoje).

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MODELO DE JOGO

Zé Ricardo foi a campo com o mesmo 4-2-3-1 habitual, marcando prioritariamente no 4-4-2 com Galhardo mais adiantado fazendo companhia para Andrés Rios na marcação. Quando o Flamengo conseguia romper esse primeiro bloqueio, Galhardo buscava recuar e compor uma linha de 4 (com Wagner, Pikachu e Bruno Silva), enquanto o Desábato se posicionava como um “volante líbero”, atrás dessa linha para cobrir possíveis progressões do adversário num 4-1-4-1.

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ESTRATÉGIA

Apesar de manter o mesmo modelo de jogo, Zé Ricardo fez algumas alterações pontuais, como a inversão dos meias abertos (Pikachu foi para esquerda, enquanto Wagner atuou na direita), pensando na transição defensiva, reforçando a marcação do lado onde Rodinei e Everton Ribeiro jogam.

Além disso, Desábato que normalmente atua centralizado, caindo para esquerda, dessa vez se deslocou mais para direita e foi bem. Bruno Silva ficou com a marcação mais do lado esquerdo e apesar de uma partida fraca (pouco efetivo na marcação – com apenas uma interceptação e nenhum desarme – e nulo ofensivamente), se posicionou bem, de forma correta e não sobrecarregou Desábato.

O Vasco também voltou a apresentar uma característica que parecia ser marca desse time no início da temporada, mas foi se perdendo a cada jogo: A marcação alta nos zagueiros e volantes adversários para prejudicar a saída de bola e criar oportunidades ofensivas originadas a partir dessa roubada de bola. Fez muito bem durante o primeiro tempo, mas cansou no segundo.

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SEGUNDO TEMPO

Sobre o segundo tempo, há pouquíssimo a se dizer, o jogo já estava se desenhando para ser menos inspirador que a etapa inicial, e o cansaço do Vasco não permitiu que a equipe mantivesse a mesma intensidade com e sem a bola.
Para piorar, as saídas de Wagner e Galhardo (lesionados), inibiram o volume ofensivo vascaíno e engessaram a equipe. Para completar o fracasso da segunda metade, confusão, e expulsões ao término do jogo.

VIRANDO A PÁGINA

O Vasco mostrou uma solidez defensiva como há muito não se via. Breno voltou em alto nível (fará falta contra o Bahia, pela expulsão desnecessária), Werley teve uma atuação extremamente segura e os laterais foram eficientes e contaram com auxílio dos volantes e dos meias. Era isso que o Vasco precisava. Lógico que uma vitória seria essencial (e a possibilidade de vencer foi real), mas o Vasco precisava mais do que da vitória de uma atuação equilibrada e defensivamente elogiável. Conseguiu. Que agora o Zé tenha tranquilidade para trabalhar e traçar as estratégias de jogo para os próximos adversários.

@analisevasco

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