PERNA DENTRO OU PERNA FORA – Análise do goleiro Ederson

Por Valdir Bardi 

Formado nas categorias de base do Benfica (Portugal), Ederson hoje é um dos destaques do badalado Manchester City e o suplente de Alisson (Roma-Itália) na Copa do Mundo da Rússia.

O arqueiro chegou sob olhares desconfiados na Inglaterra, porém a regularidade e o bom jogo com pés fez do jovem goleiro de 23 anos um dos destaques do time comandado por Pep Guardiola. Não bastasse as qualidades nos quesitos “defesa da baliza” e “jogo com os pés”,  o goleiro também impressiona com a calma e tranquilidade apresentado nos grandes jogos.

A equipe comandada por Guardiola atingiu a incrível marca de trinta jogos sem sofrer uma derrota. Obviamente, como disse o treinador, uma hora esse invencibilidade cairia, pois é muito difícil manter o ritmo com uma sequência tão forte de partidas. Eis então que a tão indesejada derrota chega num jogo bastante atípico, com muitos gols sofridos e uma busca incessante, dos dois lados, por balançar as redes, valorizando o espetáculo, como já é de costume na Inglaterra. E é exatamente sobre esses gols sofridos que vamos falar.

Apesar do goleiro brasileiro ter assumido a culpa por um erro que resultou no quarto gol adversário, nossos olhares devem se direcionar ao primeiro gol sofrido.

No meio de quatro defensores, Chamberlain acertou um bom chute que dificultou a vida do nosso camisa 1. Eis que surge a pergunta:

Seria mesmo indefensável esse chute? Pois bem, dessa forma analisaremos com olho clínico, uma vez que a posição do goleiro é baseada em detalhes. Por conta disso, notamos que:

*O goleiro poderia estar um pouco mais à frente, diminuindo o ângulo do batedor.
*Notem que a perna de impulsão para o lance é a perna de fora, logo o alcance não foi o mesmo que se utilizasse a perna de dentro como podemos ver a abaixo:

Entendendo o termo “perna de dentro, perna de fora” o lance acontecendo como foi nesse jogo, um chute vindo na diagonal esquerda na visão do goleiro, o termo perna de fora seria a direita e a perna de dentro a esquerda.

ederson 2 Primeiro gol na derrota Liverpool 4×3 Manchester City.

Aí que entramos na especificidade do goleiro.

É errado usar a perna de fora? NÃO.

Em lances no qual o goleiro necessita realizar defesas no contrapé, tendo o grau da velocidade de reação altíssimo, é indicado a técnica em questão. Mas o que aconteceu neste caso, por exemplo, foi um chute de média distância, e talvez pelo salto antes do chute, ou talvez por uma má tomada de decisão, Ederson acabou utilizando a técnica da perna invertida num momento inoportuno, e lhe custou um gol. Como podemos analisar melhor no vídeo a seguir:

Portanto, concluímos que o mais importante é saber o momento certo de usar a perna certa. Observamos que em lances de curta distância e lances no contrapé o mais indicado é a perna de fora. Já em situações que exigem mais impulsão dos goleiros o indicado é utilizar a perna de dentro. Exemplo: goleiro se posicionando de um cruzamento da direita para esquerda e o chute vem rápido para direita o mais eficiente, biomecânicamente falando, é usar a força na perna esquerda.

É possível treinar tais situações? Com certeza. Mas o mais comum são os lances usando a perna de fora, normalmente utilizado em chutes de média-longa distância. Embora não menos importante, mas pouco treinado, são os lances de curta distância utilizando a perna de dentro.
Abaixo o preparador de goleiros alemão Michael Rechner(TSG Hoffenhaim) estimula seus goleiros a usarem a perna de fora.

O quê nossos leitores acham da técnica? Concordam? Seria muito importante o feedback de vocês, grande abraço…

@bardigkcoach do @voagoleiro

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2 comentários sobre “PERNA DENTRO OU PERNA FORA – Análise do goleiro Ederson

  1. O ideal seria realizar alguns testes científicos para buscar um melhor entendimento da questão (já devem existir alguns). Falando baseado no empirismo, acredito que o ideal seja sempre utilizar a perna que estiver mais flexionada. Talvez escolher entre perna de fora ou dentro não seja a visão mais correta para o entendimento. Outra questão importante, seria a altura da bola (o movimento necessita diferentes angulações da perna).

    Matsukura et al (2014) encontraram que: Durante a parte de decolagem do movimento de mergulho de um GK, dependendo da altura da bola, a perna contrária controla a magnitude da potência e a perna do lado da bola controla tanto a magnitude quanto a direção da potência para que o GK possa mergulhar diretamente na direção da bola. Também encontraram que o movimento depende da altura da bola.

    Abraços,

    FSF

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  2. Fui goleiro e, durante um período treinei goleiros na base do Botafogo F.R.
    Um dos garotos que treinava tinha boa estatura, boa impulsão e pegada. Era o titular quando cheguei!
    Tinha, no entanto, uma tremenda dificuldade em saltar para um dos lados nas bolas laterais um pouco mais próximas! Filmei o treino e percebi que ele saltava para os dois lados dando impulso com a mesma perna. Ai , além de saltar pouco ele caia decúbito ventral. observar a posição do goleiro na hora do salto é muito importante para corrigirmos eventuais falhas. Não esquecendo que, mesmo efetuando a defesa, o movimento pode ter sido incorreto1

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