PRECISAMOS FALAR DAS TRANSIÇÕES E SEUS PRINCÍPIOS

Por Camila Lima

transições 1

Dentro desta série tática já explanamos os princípios táticos ofensivos https://mwfutebol.com.br/2018/03/19/conheca-e-entenda-os-principios-taticos-ofensivos/ e defensivos do jogo https://mwfutebol.com.br/2018/04/19/sua-equipe-defende-bem-conheca-e-entenda-os-principios-taticos-defensivos/ e agora chegou a vez de jogarmos em transição, mas o que isso significa? Transição no futebol representa os segundos após a perda da bola (transição defensiva) ou os segundos após a sua recuperação (transição ofensiva).

A transição defensiva é objetivada pela busca da equipe em estabelecer com menor tempo possível seu equilíbrio. Por outro lado, a transição ofensiva oportuniza a equipe a aproveitar a desorganização do seu adversário na tentativa de buscar o gol, por muitas vezes em superioridade numérica.

Como já apresentamos em outro texto, existem algumas subdivisões de princípios: gerais, operacionais, estruturais (também chamados de fundamentais). Para entendê-los clique aqui: https://mwfutebol.com.br/2018/03/04/principios-taticos-de-jogo/. E assim como nos momentos ofensivos e defensivos, as transições também apresentam princípios que precisam ser respeitados e estimulados nos atletas dentro do modelo de jogo de uma equipe.

Os princípios operacionais de transição, seja ela ofensiva ou defensiva, são mais perceptíveis até mesmo quando assistimos jogos pela televisão. O treinador Leandro Zago, ex-comandante da equipe sub20 da Ponte Preta, cita que no momento da perda da posse de bola a equipe já deve apresentar respostas individuais e coletivas que estejam conjecturadas com seu modelo de jogo independentemente do que este propõe. Os jogadores devem ter claro quais são as ações que eles deverão tomar no instante imediato após a recuperação da bola ou de sua perda.

Alguns autores, inclusive o supracitado defendem que é possível fazermos duas escolhas ao perdemos a posse: pressionar o portador da bola a priori ou recompor-se atrás da linha da bola, como ilustrado na imagem abaixo:

transições 2Fonte: Leandro Zago

Pressionar o portador da bola é um comportamento de transição defensiva muito comum às equipes de Guardiola, por exemplo. Assim que a equipe entra nesse momento a regra é de exercer forte pressão sobre o adversário, a fim de retoma-la o mais rápido possível ou atrasar sua progressão pelo campo (temporizar). Caso a escolha seja de recompor as linhas têm-se como referência a linha da bola, com os jogadores retornando aos seus respectivos setores, para que assim exerçam ou não pressão no portador da bola e em suas possíveis linhas de passe.

Alguns treinadores também costumam utilizar uma estratégia que não está relacionada na imagem acima: a ‘’falta tática’’. Essa constatação, embora não apareça em livros ou artigos foi vivenciada no ano passado quando Vinícius Eutrópio comandava a equipe do Santa Cruz Futebol Clube. No modelo de jogo, suas transições defensivas eram caracterizadas pela busca por parar a jogada e assim recompor-se em linha. Segundo o analista de desempenho Eduardo Cecconi essa informação deve constar nos relatórios de análise e são mais comuns do que parecem nas equipes brasileiras.

Assim como no momento da perda, tais princípios também guiarão os jogadores quando estes recuperam a posse de bola, entrando em transição ofensiva. Visualize:

transições 3Fonte: Leandro Zago

Tirar a bola da zona de pressão significa transferi-la para um espaço de menor pressão do adversário para que se possa buscar a progressão pelo campo de jogo. Eduardo Cecconi, analista de desempenho, define ‘’progredir com a bola em direção ao gol’’ como uma progressão coletiva, mais precisamente chamada de “contra-atacar em apoio”, onde mais de um jogador se projeta e dá opção ao homem com a bola, movimentando-se para ultrapassar a linha da bola e dar opção de passe em profundidade.

Essas ações surgirão a partir de estímulos durante as sessões de treino, a fim de se criar um comportamento padrão na equipe ou como resposta à situação do jogo que se está confrontando (tomada de decisão), pois quando recupera a bola a equipe deve saber se é o momento de contra atacar, tirar simplesmente a bola da zona de pressão, ou alternar entre ambos de acordo com o comportamento do adversário. Ao perder a bola, deve-se definir referências para pressionar o portador da bola rapidamente, reorganizar-se em linhas mais recuadas ou coordenar as duas respostas numa análise rápida da situação que o jogo está propondo. Essa coordenação tem que estar muito bem construída, porque a transição tem como uma de suas características um pequeno tempo para sua ocorrência, não permitindo na maioria das vezes que as dúvidas sejam solucionadas em tempo hábil de resolver o problema”.

Tendo conhecimento desses princípios ao assistir ao próximo jogo que tal tentar anotar quais as regras de transição que a sua equipe segue e assim ir treinando cada vez mais os olhos, pois analisar perpassa muito por isso. Em 15 dias volto pra falar dos princípios estruturais da transição, que não são tão fáceis de perceber na televisão. Até breve!

@camilaaveiro

 

 

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2 comentários sobre “PRECISAMOS FALAR DAS TRANSIÇÕES E SEUS PRINCÍPIOS

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