O DILEMA DE JOGAR BEM – Análise tática de Chapecoense 0 (4) x 0 (3) Atlético MG pela Copa do Brasil

Por Davi Magalhães

O Atlético foi até Chapecó enfrentar a Chapecoense pelo jogo de volta das oitavas de final da Copa do Brasil. A equipe mineira precisava de uma vitória para se classificar para as quartas de final da Copa do Brasil, pois o primeiro jogo no Independência, acabou empatado por 0 a 0, em um jogo onde o time teve muito mais posse de bola, mas pouca efetividade.

A expectativa era de uma partida parecida com a partida de ida, onde a Chapecoense procuraria se defender com linhas de marcação bem próximas e entregaria a bola ao Atlético. Mas nos primeiros minutos de jogo a Chape começou marcando com suas linhas de marcação mais adiantadas, procurando pressionar a saída de bola dos visitantes.

galo 1Chapecoense pressionando a saída de bola atleticana. Na imagem, enquanto um jogador pressiona o portador da bola, os outros cortam as linhas de passe dele.

Essa marcação na saída de bola gerou muita dificuldade ao time atleticano que fez muitos lançamentos (foram 39 lançamentos do time na partida). Tirando essa marcação na saída de bola do Atlético que a equipe catarinense realizou, o jogo foi aquilo que se esperava com a Chape procurando controlar os espaços, compactando suas linhas de marcação. Quando a bola chegava na intermediária, a equipe marcava em bloco baixo, próximo ao seu próprio gol e assim negava espaços ao time mineiro, que tinha muito mais posse de bola, como gosta Thiago Larghi, um treinador que implementa na equipe um jogo de toque de bola, com triangulação pelos lados e mobilidade ofensiva.

Porém, a Chapecoense era superior no jogo, a equipe visitante não conseguia transformar sua posse de bola em chance real de gol. Não tinha profundidade. Aí entra o mérito da equipe catarinense que executava muito bem sua proposta de jogo, se defendia muito bem, procurando sempre criar superioridade numérica no setor da bola.

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galo 4Em todas as imagens, a Chapecoense cria superioridade numérica no setor da bola, impedindo o Atlético de dar prosseguimento ao ataque, fazendo com que o jogador com a bola atrase a jogada, dando um passe para trás e impedindo o time de furar a defesa da Chapecoense.

No primeiro tempo a equipe mineira teve 62 % de posse de bola e finalizou 5 vezes ao gol. Não conseguia furar a defesa adversária. Via o adversário executar melhor sua proposta de jogo. Em jogos contra equipes assim é importante que o time tenha amplitude, usar toda a largura do campo para abrir a defesa adversária. Isso faltou ao Atlético, que começava o ataque por um lado e terminava pelo mesmo lado, facilitando a marcação da Chape, que era muito compacta e não dava espaços.

galo 5Raro momento do jogo em que o time atleticano começa o ataque por um lado e termina pelo outro. Na imagem, Guedes se desloca para o meio e abre o corredor para Fábio Santos ocupar.

O Atlético jogou muito pela esquerda, ainda que Roger Guedes se movimentasse e procurasse o jogo, o jogador sempre parava na boa marcação da Chape. E, como o time de Larghi começava e terminava o ataque pelo setor, a Chapecoense sempre tinha superioridade numérica por ali, impedindo que Guedes conseguisse criar alguma chance de gol.

A grande mudança no segundo tempo foi justamente a tentativa de jogar mais pela direita, aproveitar toda a largura do campo, abrir a defesa adversária, principalmente com a entrada de Erik, que entrou aberto por aquele lado. A alteração fez com que o time melhorasse e conseguisse criar algumas chances de gol, mas não foi suficiente para furar o ótimo sistema defensiva da Chape , que foi superior no jogo executando muito bem sua proposta de jogo, sendo uma equipe organizada, que se defende com linhas de marcação compactas, negando espaços ao adversário.

Os números do jogo mostram como a Chape jogou melhor, o Atlético teve 62% de posse de bola e finalizou 11 vezes no gol. A Chapecoense com 38% de posse de bola finalizou 16 vezes, mostrando como foi superior e ao final dos 180 minutos mereceu a classificação para as quartas de final da Copa do Brasil.

Jogar bem se trata de executar bem sua proposta de jogo, e o confronto entre Atlético e Chapecoense mostra isso. Passou a equipe que executou melhor sua proposta , uma equipe reativa que negou espaços e se defendeu muito bem nas duas partidas.

@magalhaesDavi_ do @PoucaMid_MtFut

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