TER A BOLA X NÃO TER A BOLA – Análise de Atlético-PR 1 X 2 Atlético-MG

Por André Ribas e Matheus Eduardo

No duelo de dois estilos de jogo diferentes, o Atlético-MG venceu o Atlético-PR por 2 a 1. Mas por qual motivo ele alcançou essa vitória? Vamos analisar todos os detalhes desse jogo que colocou duas ideias diferentes em campo.

Mesmo com algumas mudanças, o Atlético-PR manteve a sua filosofia de jogo que vem utilizando nesta temporada. No 3-4-3, o rubro-negro procurou se impor e atrair o time mineiro para o seu campo de defesa, com sua habitual saída de bola.

O Furacão teve alguns problemas no início do jogo, muito pela forma que o Galo estava marcando sua saída de bola, procurando fechar suas linhas de passe, sem fazer uma pressão agressiva para recuperar a bola. O rubro-negro tentava as triangulações pelos lados, mas parou na boa marcação do time mineiro, que criava superioridade numérica ou igualava o número de jogadores na zona da bola e tirava as opções de apoio. Devido a isso, a equipe da casa rodava a bola, com intensidade e velocidade, para achar espaços e furar as linhas do Alvinegro.

CAP 11

CAP 22
Galo procurava igualar ou criar superioridade numérica pelos lados.

Foi a partir dos 20 minutos que o Furacão achou espaços e conseguiu executar as triangulações e as infiltrações pelos lados. Isso porque o Galo diminuiu sua intensidade e não executou tão bem sua marcação. Seus meias pareciam ter perdido o foco e a sintonia que o jogo pedia, cometendo erros de posicionamento e de passes. Os ataques aconteceram, mas o Atlético-PR errava no último terço, na tomada de decisão.

Pelo lado do time mineiro, muito foi visto em inferioridade física e movimentos mais lentos comparados aos do adversário em toda a primeira etapa de jogo. Apesar de se sentir cômodo em campo sem ter a posse (terminou a etapa inicial com a bola nos pés por apenas 34% do tempo), o trabalho de pressão sobre o rival, ainda em campo contrário, não surtiu o efeito esperado. Além das muitas faltas cometidas nos primeiros minutos – por isso, o ala esquerdo do Atlético Paranaense, Renan Lodi, acabou lesionado e substituído ainda aos dez minutos de jogo -, não demorou para os donos da casa conseguirem chegar com facilidade ao campo de ataque, triangulando e por meio de transições pelos lados do campo.

Assim, o Furacão passou a criar oportunidades e obrigou Victor a fazer intervenções que mantiveram o Galo vivo no jogo – ao todo, foram seis arremates a do CAP na primeira etapa. Se não fosse pelas boas defesas do goleiro alvinegro, certamente sua equipe iria para o intervalo com um placar adverso mais difícil de se reverter. Apesar disso, a desvantagem mineira de “apenas” 0 x 1 no placar, ao fim do primeiro tempo, deixou barato o que foi o duelo até então, em gol marcado pelo atacante Pablo, após bom cabeceio na cobrança de escanteio do Atlético-PR e projeção do atacante entre dois marcadores rivais, na primeira trave.

Atlético-PR coloca seu jogo em prática. Apoio para o portador da bola, passes rápidos, intensidade, infiltração e a finalização para o gol.
Outra jogada característica. Lance começa de um lado, e Carleto, no lado oposto, abre e se infiltra para aparecer de surpresa na grande área. Note que ele tem liberdade, mas falha na finalização. É algo automático, o jogador sabe que vai ter algum companheiro entrando naquele espaço.

É importante destacar que o Atlético-PR tinha o jogo sob controle, com 66% de posse de bola e 10 finalizações (6 pro gol e 4 pra fora) sem correr riscos na defesa, além de ser rápido, eficiente e preciso na transição defensiva, anulando os contra-ataques do time visitante. Durante os primeiros 45 minutos de jogo, o Galo acertou apenas três finalizações em direção ao gol defendido por Santos e teve muita dificuldade para acelerar em contragolpes, em vista da proposta mais reativa diante de uma equipe que sabe trabalhar com a bola nos pés.

Ainda na primeira metade de jogo, a inferioridade física implicou em duas substituições para o Galo. Com apenas 38 minutos de jogo, Elias e Cazares ocuparam as vagas de Luan e Otero e, gradativamente, as alterações fizeram efeito na parte coletiva e anímica do time. O desenho da equipe, antes dentro do 4-3-3 (variando ao 4-1-4-1 quando a equipe perde a bola, com os dois pontas mais recuados para fechar espaços), se tornou um 4-3-1-2/4-1-3-2 em quase toda a segunda metade de jogo. No novo plano, Elias e Blanco protegiam os espaços na intermediária e realizavam infiltrações à medida que lhes sobrassem espaços, enquanto Cazares ficava livre para dar passes mais verticais para colocar Roger Guedes e Ricardo Oliveira – os homens mais avançados – de frente para o gol. A reação se mostrou efetiva posteriormente.

0932849f-58f3-4c0e-813b-f054db9c6eab (1)4-1-4-1 do Atlético-MG antes de fazer as duas substituições: time procurava se manter compacto para bloquear espaços ao rival no seu campo defensivo.

Com a volta do intervalo, a diferença física do primeiro tempo se desfez, e o Galo passou a tomar as rédeas da partida. Como em momentos anteriores da temporada, a intensidade elevada se mostrou um ponto positivo dos mineiros em mais um confronto parelho. Tendo mais meio-campistas por dentro e o campo de defesa em melhor preenchimento, a saída de bola era sempre feita com jogadores aproximados e a equipe passou a trocar mais passes (209 contra 231 do rival durante o 2º tempo), equilibrando controle e criação de chances. Mesmo tendo menos posse, agora as ações com a bola nos pés eram melhor pensadas, além de gerar mais perigo ao rival e menos erros.

galo
Atlético-PR tentando ataque com vantagem numérica e seis jogadores muito adiantados para ocupar o espaço e ganhar superioridade; Galo retraído e no 4-1-3-2 (Cazares e Ricardo Oliveira adiantados enquanto Roger Guedes fecha a linha defensiva momentaneamente) para acelerar no contragolpe em retomada, diante de um rival exposto e com quase todo o time no campo de ataque. Tônica do segundo tempo, no que decretou a virada do Galo

Com campo ocupado e rotação na troca de passes, sobraram espaços na ponta esquerda para Roger Guedes atacar e buscar finalizações. A partir desses espaços e transições rápidas, surgiram os dois gols do Galo. O primeiro saiu após escanteio cobrado por Cazares na esquerda e bom cabeceio do zagueiro Bremer, em vantagem física no forte aproveitamento de bolas paradas da equipe.

O segundo, que gerou a virada e decretou o placar final, aconteceu em um lance que resumiu o que foi o segundo tempo: o Atlético-PR mais cansado e incapaz de fazer as transições com intensidade, errou em um lance ofensivo e, por consequência, se expôs com toda a equipe no campo de ataque e sofreu um contragolpe do rival mineiro. Era tudo o que o Galo queria, e se preparou para reagir a isso.

No ataque acelerado, Cazares encontrou espaço entre os últimos defensores do Furacão e, após corte ruim do goleiro Santos, já adiantado, Roger Guedes conseguiu concluir diante de um gol aberto. Em um lance, o CAP foi desarmado no ataque, contra-atacado em velocidade, exposto e superado na parte física por uma jogada de poucos toques do adversário e, com quase todo o time instalado no campo rival, acabou induzido a um erro individual – com o goleiro se adiantando e saindo da área para cortar um passe, mas errando a direção da bola e dando-a de presente a um adversário, com gol aberto.

Nos últimos jogos, as dificuldades ficaram evidentes na equipe de Fernando Diniz, e os problemas em manter o ritmo da troca de passes (e a necessidade de tantos acertos dentro dessa proposta) trouxeram consequências duras, as quais custaram três derrotas consecutivas. O rubro-negro ainda busca o equilibro e ser mais decisivo quando se tem o domínio do jogo. A parte física pesa e o desequilibro é evidente. A ideia é boa, mas falta ajustes para que a execução seja perfeita.

Já o Atlético-MG mostrou seu poder de reação durante a partida e a importância do seu técnico, que com duas mudanças alterou o jogo. O contra-ataque é a sua arma que a cada jogo que passa fica mais forte.

@andre_frehse e @matheusesouza

Dados: InStat e Galo Estatísticas (@galoestatisticas no Twitter)

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s