CONTRA LINHA DE 5, A MESMA DIFICULDADE PARA PROPOR – Análise de Juventude 1 x 1 Paysandu

Por Nícolas Wagner

10 dias após a fundamental, porém inconvincente, primeira vitória na Série B, fora de casa, contra o Boa Esporte, o Juventude voltou a atuar no Alfredo Jaconi na noite dessa sexta-feira (11). Diante do sistema com três zagueiros do Paysandu, a equipe de Julinho Camargo tentou se adaptar, mas novamente teve suas debilidades ofensivas deflagradas, concluindo mais uma partida sem vencer em casa. Menos mal que o gol de Yuri Mamute, já quando o adversário estava com um jogador a menos, fez com que o alviverde não fosse derrotado após sair perdendo no 1º tempo.

Assim como o Avaí, que ganhou por 3 a 1 no Jaconi há duas semanas, o Paysandu veio a campo montado num 3-4-3 que se transformava em 5-4-1 na fase defensiva. Foi dessa forma que o time comandado por Dado Cavalcanti chegou à final da Copa Verde, cuja partida de volta, a ser realizada na próxima quarta-feira, fez com que o treinador poupasse alguns atletas no confronto em Caxias do Sul. Mas a organização do papão permaneceu a mesma, fazendo com que Julinho escalasse o zagueiro César Martins na lateral-direita e o lateral-direito Guilherme Choco na segunda linha de marcação, de modo que este “batesse” com o ala-esquerdo do Paysandu, Mateus Müller. O acompanhamento constante de Choco a Müller foi uma tentativa de minimizar o desencaixe que o 3-4-3 proporciona à marcação individual do 4-2-3-1 juventudista, algo que resultou em problemas na derrota para o Avaí. Assim, quando Müller avançava na fase ofensiva do papão, Choco descia e por vezes se alinhava aos defensores juventudistas, compondo a última linha de marcação com 5 homens. Do outro lado, Caio Rangel ficava no meio termo entre o zagueiro pela direita Edimar e o ala-direito Matheus Silva.

 ju 1Observe como se deu o encaixe do 4-2-3-1 do Juventude no 3-4-3 do Paysandu. De um lado, Choco acompanhava Mateus Müller até o final. Do outro, Rangel não recuava tanto, ficando no meio-termo entre Edimar e Matheus Silva. Imagem: TacticalPad

 

A mudança de viés defensivo no lado direito, por mais necessária que fosse, acabou limitando o momento ofensivo do Ju, já que Choco e Caio Rangel, pontas agudos, ficavam bem abertos em simultâneo. Com os laterais também na amplitude e os volantes trabalhando na base da jogada, o espaço entre a linha média e a linha defensiva do Paysandu ficou mal ocupada, com Fellipe Mateus ilhado e Yuri Mamute preso entre os zagueiros.

 ju 2Com Choco e Rangel na amplitude, Fellipe Mateus se movimentava sozinho entre as linhas de marcação, enquanto Yuri Mamute ficava entre os zagueiros

Dessa forma, o jogo com a bola do Juventude novamente se limitou a inversões e lançamentos buscando os pontas. Ao lateralizar demais e não ter eficiência nos cruzamentos, resultado também da boa organização da linha defensiva do Paysandu, o alviverde ficou pouco com a bola e praticamente não criou na primeira etapa. A única finalização a gol foi em cobrança de falta direta de Fred, que Renan Rocha defendeu em dois tempos. O papão, por sua vez, saiu na boa e se aproveitou dos espaços deixados pelo Juventude. Na primeira grande chance do jogo, aos 31 minutos, Thomaz sai da ponta para o centro. César Martins persegue e quebra a linha. Renan Gorne se projeta entre os zagueiros e recebe grande passe em profundidade de Thomaz, finalizando para defesaça de Matheus Cavichioli.

 ju 3César Martins persegue Thomaz e quebra a linha. O jogador do Paysandu aproveita e lança Renan Gorne, que se projeta entre os zagueiros para receber em profundidade.

O gol dos visitantes surge em contra-ataque. Fellipe Mateus cai pedindo falta no campo de ataque. O árbitro não marca, e o Paysandu sai em velocidade no lado direito. Rafael Bonfim vai ao combate, e Fred, precipitadamente, faz o mesmo. Com isso, após dividida, César Martins se vê obrigado a ir para o centro. Efeito dominó que deixa Thomaz com liberdade na esquerda para chutar e marcar.

 ju 4Fred toma decisão errada ao abandonar seu setor e ir ao combate no lado esquerdo. Com isso César Martins precisa cobri-lo, e Thomaz passa livre. Frame: Mathaus Prauxis/@torotatico

 

Com Leandrinho, tentativa de abafa

Em desvantagem no placar, uma substituição natural para o Juventude seria a entrada de um meia (Leandrinho ou Tony) no lugar de César Martins, recuando Choco para a lateral. Foi o que Julinho fez já no intervalo, optando por Leandrinho. Por mais que o acompanhamento de Matheus Müller ficasse prejudicado, era importante ter mais alguém trabalhando entre as linhas de marcação do Paysandu junto a Fellipe Mateus. Na prática isso aconteceu pouco, mas Leandrinho agregou qualidade e o Ju passou a ser incisivo com Caio Rangel no lado esquerdo. Dessa forma, conseguiu fazer um “abafa” nos primeiros 10 minutos da segunda etapa, período em que teve 65% da posse de bola.

Contudo, continuava presente a dificuldade de trabalhar por dentro, com triangulações que gerassem algum desequilíbrio nas linhas do Paysandu. Isso limitava o ataque alviverde a jogadas pelo lado, com muitos cruzamentos (ao todo, no jogo, foram 39, sendo 30 errados), e bola parada.

 Somente com a desestruturação ocasionada pela expulsão de Alan Calbergue, do papão, o Ju conseguiu encontrar o espaço que tanto procurava. Dado Cavalcanti foi obrigado a reposicionar sua equipe com duas linhas de 4, e quatro minutos depois da expulsão, aos 36 minutos, o Ju conseguiu o empate em jogada construída pelos dois centroavantes nos quais Julinho apostou para o final da partida. Ricardo Jesus, que recém havia ingressado em campo, teve espaço para raciocinar e lançar Yuri Mamute em profundidade. O camisa 9 utilizou sua principal característica, a força física, para ganhar do marcador e bater forte de pé esquerdo para empatar. Um gol que pode representar a “ressurreição” de Mamute, cujo contrato de 2 temporadas até agora tem sido de péssimo custo-benefício para o Juventude.

 ju 5Ricardo Jesus tem espaço para lançar Yuri Mamute em profundidade. O camisa 9 ganha na força de Edimar e finaliza cruzado para empatar: Frame: Mathaus Prauxis/@torotatico

Motivado pelo gol, o alviverde ainda buscou pressionar na base de mais cruzamentos, mas Mamute e Jesus não tiveram êxito no acabamento, desperdiçando boas oportunidades de virar a partida. No final, o misto de aplausos e protestos da torcida resumiu bem tanto o que foi a partida quanto o momento que o Ju vive na temporada: se por um lado a postura agressiva e o poder de reação na busca pelo empate merece ser salutado, a equipe carece de um jogo ofensivo mais elaborado. O elenco tem características e potencial para fazer um jogo de triangulações e menos dependente das inversões e da iniciativa pessoal de Caio Rangel. Mas, por enquanto, o que vimos foram apenas espasmos de bom futebol propositivo. E isso ajuda a explicar a sequência sem vitórias no Alfredo Jaconi (com Julinho, 3 empates e 2 derrotas).

 Estatísticas: Footstats

@analiseecj

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