INTER DEFENSIVO, NÃO REATIVO – Analise Tática de Grêmio 0 x 0 Internacional

Por Luiz Martins

No sábado, dia 12/05/18, ocorreu o primeiro Grenal, pelo Brasileirão 2018. Neste jogo a tônica que vinha se desenhando, seria uma disputa de Davi vs Golias. O Grêmio, que saiu de uma ideia de futebol mais posicional, que tinha na figura de Pedro Rocha, ao buscar posicionamento mais fixo, sempre no limite da última linha defensiva do adversário, buscando a diagonal para finalizar ou encontrar o melhor companheiro. Agora possui um futebol de IMPREVISIBILIDADE (palavra que melhor define a ideia de jogo, na minha opinião), muito na figura de seus volantes (agora sim médio apoiadores) e de Everton, jogador de bom drible e totalmente imprevisível.

Do outro lado do campo, um Inter que teve suas últimas glórias e feitos, entre 2006-2011, com um futebol de extrema compreensão tática e gestos técnicos, muito em função de jogadores de alto QI, com técnica apurada e entendimento de jogo (Fernandão, Nilmar, Tinga e D´alessandro), mas que após ser destruído aos poucos, culminando em um descenso a segunda divisão, tenta se reerguer, demonstrando lapsos de bom futebol, contra times de menor expressão e ao enfrentar grandes camisas do futebol brasileiro, busca muito mais a superação e vontade de vencer, do que demonstrar uma ideia de jogo clara.

Este é o cenário montado dentro da Arena, de um dos maiores (se não o maior)  clássicos do futebol brasileiro.

Desde os primeiros minutos, já se percebia como seria o jogo. Grêmio teria a posse de bola, tentaria agredir o adversário com sua rápida troca de passes e mobilidade, enquanto o Inter tentaria ter uma proposta reativa/defensiva e buscar a saída em velocidade, visando a chegada na área e marcar seus gols.

Nitidamente um time tentava controlar a partida através do tempo (Grêmio) e o outro através do espaço (Internacional), tendo desta forma um jogo altamente de esforço mental, na tentativa de vencer, de ambas as equipes.

A proposta do Inter no início da partida era buscar a vitória através de um jogo reativo, que consiste em primeiro fechar espaços, se defender e após buscar o ataque.  Só que a cada minuto descontado, a solidez defensiva do Internacional conseguia baixar o ritmo de agressividade do ataque tricolor, ao mesmo tempo que o entrosamento defensivo do Grêmio, segurava as tentativas de saída rápida do colorado.

Ao passar do tempo essa proposta foi sendo diminuída e se tornou apenas um jogo defensivo, muito em função do adversário e nisto o Inter foi bem, não correndo tantos riscos, reduzindo o ataque do adversário a apenas um chute a gol, do total de 11.

Algumas situações chamaram bastante a atenção neste jogo:

– Inter ao utilizar uma estratégia de fechamento de espaços, utilizou muitos encaixes e pressão, para marcar a equipe do Grêmio, impossibilitando o adversário de pisar na área na maior parte do jogo.

inter 1Na foto, Inter utilizando encaixes individuais, para marcar a saída de bola adversária em certos momentos do jogo, principalmente no primeiro tempo.

– Time ao adotar uma estratégia defensiva, utilizou uma marcação em bloco baixo, com as linhas do bloco bem próximas, dificultando bastante o jogo entrelinhas de imprevisibilidade do Grêmio. Luan, Everton e Alisson tinha dificuldades de se associarem entre si e com André, principalmente no setor de Rodrigo Dourado, onde Zeca muitas vezes fazia muito bem a cobertura no meio-espaço e também auxiliando Fabiano na cobertura de Everton, que gosta muito de transitar no setor. Rossi também foi importante na recomposição, sempre acompanhando Cortez e também fechando a linha junto ao lateral colorado.

inter 2

 

– Pelo lado esquerdo Patrick realizava o mesmo trabalho de Zeca, auxiliando Iago na marcação a Alisson e Madson, dois jogadores de extrema velocidade. Neste caso é algo mais comum vermos esse tipo de situação, porque Patrick sempre busca esse tipo de auxilio desde sua chegada ao Inter.

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Inter conseguiu ser efetivo, em sua estratégia de jogo defensivo, fechando os espaços e obrigando o Grêmio a utilizar muitos cruzamentos e lançamentos longos, para tentar quebrar as linhas de marcação.

O que fica de ruim para a equipe deste clássico é a parte ofensiva, que é carente e pobre de entendimento de jogo, porque nos poucos momentos que teve pra atacar (3 finalizações, sendo 1 no gol), chegou com volume ofensivo, mas pecou principalmente na tomada de decisão de seus jogadores. O modo como o time ataca (tanto a saída de bola, fase ofensiva e transição ofensiva), deve ser uma das preocupações dentro do Beira-Rio, pois o time é muito pobre de jogadas mais bem trabalhadas, principalmente das que necessitam de maior velocidade e aceleração. Outro ponto a ser revisto é se não vale a pena, pra este momento a equipe adotar uma postura mais reativa, mesmo que utilizando toques curtos na saída de bola e acelerando quando já se encontra no campo do adversário.

Jogador destaque da partida

O destaque da partida fica por conta de 2 jogadores:
Rodrigo Moledo e Rodrigo Dourado, foram os pilares da estratégia adotada, sendo importantíssimos na defesa, que com suas capacidades de leitura de espaço, visão de jogo e antecipação de jogadas, realizaram as principais ações do jogo defensivo realizado no clássico Grenal.

inter 3 a

inter 4

@ojunomartins

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