DEPOIS DA TEMPESTADE, O “ALENTO” – Análise tática Santos 5 x 1 Luverdense pela Copa do Brasil

Por Charlton Junior

Santos e Luverdense se enfrentaram na Vila Belmiro, nesta última quinta-feira (10), o placar que foi desfavorável ao Alvinegro no domingo, desta vez a favor. Esse resultado largo pode ser interpretado de inúmeras formas, como um divisor de águas? Talvez! É preciso ver mais. Como um motivo para derrubar as convicções do Jair Ventura? Esperamos que sim, todavia, o jogo de ontem serviu para acalmar um pouco os ânimos na Baixada que estavam um tanto exaltados.

Quem não assistiu a partida, deve ter pensado que foi um jogo completamente dominado pelo Peixe, não foi bem assim, vamos com detalhes nessa análise mostrar como tudo ocorreu na Vila. O Santos entrou no seu 4-3-3 tradicional na teoria e dessa vez, também na prática, Jair escolheu Gustavo Henrique, Victor Ferraz e Vitor Bueno para substituírem David Braz, Daniel Guedes e Léo Cittadini (respectivamente), mudou o posicionamento do Gabriel Barbosa, colocando-o em uma zona do campo (lado direito) em que lhe é mais confortável e que potencializa uma das suas principais características que é o “corte para dentro” seguido do chute, Eduardo Sasha foi realocado para a zona central do ataque (mais próximo de gol) e o menino Rodrygo pelo lado direito. Essas alterações deram muita mobilidade ao ataque do Santos, com muita troca de posição e muita intensidade, confundindo a defesa do Luverdense em que boa parte do jogo se manteve muito organizada.

santos 1Posicionamento médio da equipe do Santos. Diferentemente de outras partidas, o Santos dessa vez esteve mais presente no campo do adversário.

 

1º Tempo

Santos teve bons números no primeiro tempo, maior posse de bola (65,5%), 13 finalizações (4 certas e 9 erradas), mas a sensação que dava era que o time jogava de forma morna, sem muita inspiração, abusando dos cruzamentos (10 certos e 16 errados), com pouca bola no chão e organização, diferente do Luverdense que parecia estar mais concentrado no jogo, mais organizado, oferecendo perigo ao gol do Vanderlei e assim numa bola alçada na área (problema crônico no ano até então, mencionado nessa análise: ) o Alvinegro tomou o gol, num lance raro de falha do arqueiro.

O gol do Santos saiu numa jogada que por muito tempo foi uma das principais armas do time, as jogadas pelo lado direito, antes, Lucas Lima e ontem, Rodrygo/Gabriel com o contestado Victor Ferraz. O lateral que hoje não é mais unanimidade entre a torcida atuou como há tempos não atuava, diferentemente do Daniel Guedes que é um jogador que dá mais amplitude ao Santos, que chega muito a linha de fundo para efetuar seus bons cruzamentos, o Victor Ferraz costuma afunilar mais o jogo, buscando triangulações perto da grande área, para poder infiltrar e assim dar as suas assistências.

Foi uma partida muito segura do lateral, que não teve muito com o que se preocupar na marcação, tendo total liberdade para fazer o seu jogo, no seu retorno jogou os 90 minutos e muito provavelmente será o novo/velho dono da posição, tendo em vista, o mau momento do Daniel. Essa volta equilibra um pouco mais o time quanto ao assunto ações ofensivas que ficavam muito presas a dupla Dodô e Rodrygo pelo lado esquerdo.

santos 2Lance do primeiro gol, Rodrygo ocupa o lugar do Victor Ferraz que faz a infiltração por dentro e assim cruzar para o Gabriel surgir entre dois zagueiros preocupados em marcar o E. Sasha.

 

2º Tempo

O Alvinegro voltou mais ligado, as anotações feitas pelo comandante Santista parecem ter sidas levadas ao vestiário na intenção de corrigi-las, e assim foi feito. Com mais organização, menos desespero o Santos impôs o estilo de jogo que todo torcedor Santista espera por parte dos comandados de Jair Ventura (principalmente na Vila Belmiro), um jogo de alta mobilidade, de transições rápidas, de posse de bola produtiva (que ofereça perigo, e que incapacite as ações do adversário). A mudança de postura do time no segundo tempo é refletida na eficiência dos números o que lhe tornam mais reais e confiáveis, a posse de bola aumentou para 70,3 %, o uso do cruzamento não foi uma saída tão adotada (9 no total, 4 certos e 5 errados) e as finalizações melhoraram (7 certas e apenas 3 erradas), valorizando também as peças que atuaram e não estavam tão bem no primeiro tempo, são eles, Gabriel, Jean Mota e principalmente Vitor Bueno que passou boa parte do jogo escondido.

santos 3Imagem mostra o que a torcida pede faz muito tempo, triangulações, aproximação por parte dos jogadores para oferecer opções e até mesmo abrir espaços para infiltrações como foi no gol do Gabriel com assistência do Victor Ferraz.
 santos 4Mais uma jogada de ultrapassagem atacando o espaço vazio ofertado pelo adversário, originando o gol do Yuri Alberto.

 

DE VILÃO À HERÓI

Certamente o nome do jogo foi o Gabriel Barbosa, que vem duramente criticado pela torcida principalmente no primeiro tempo, após fazer o seu primeiro gol o jogador deslanchou e marcou outros 2, esperamos que com uma sequência de jogos considerados mais fáceis teoricamente, o menino da Vila faça valer o seu investimento e dê continuidade aos seus gols, com os 3 tentos de ontem (o seu primeiro hat-trick na carreira), ele é atualmente o artilheiro do Santos. Todavia o Jair Ventura tem a missão de corrigir alguns aspectos que o “Gabigol” vem demonstrando na temporada, o principal deles é o seu destemperamento, ontem, mais um cartão amarelo de forma desnecessária, outro, é a sua displicência na hora do passe, só ontem foram 6 passes errados, somados a sua desatenção ao jogo, resultaram em 8 perdas de bola.

PASSANDO A RÉGUA

 Ontem dois Santos entraram em campo, o do primeiro tempo, e o do segundo tempo, obviamente o que mais agradou foi o do segundo, onde mostrou o futebol que todos querem ver. Contudo, não pode se iludir com esse resultado de ontem, pra muitos, era uma obrigação “atropelar” o frágil Luverdense (com todo respeito), e a “máquina” Santista depois de muito “tranco” resolveu “ligar” e fazer valer o seu investimento e a qualidade do seu elenco frente a um time que se encontra lutando para fugir da Série C.

Os destaques da partida ficaram por conta do Gabriel (já mencionado); o novo raio da Vila, o Rodrygo, que atormentou a todo tempo os adversários com a sua movimentação após ter liberdade para jogar; Alison que mais uma vez mostrou a sua regularidade participando não só do momento defensivo, mas também dos ofensivos; Jean Mota que teve uma boa participação na marcação e nas criações de jogadas; Victor Ferraz por suas características que deram mais equilíbrio ao time; o destaque negativo ficou com o Vitor Bueno que mais uma vez não aproveitou a chance dada e segue sem a confiança da torcida.

Seguimos esperando boas atuações contra equipes de nível técnico parecido para poder falar de evolução.

@focosantos

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