O DÉRBI DE LISBOA PELOS MILHÕES DA CHAMPIONS – Análise tática de Sporting 0 x 0 Benfica

Por Nelson Duarte

 

Fim de semana de Derby em Lisboa. Um Sporting-Benfica que mereceu a atenção de tudo e de todos, fundamentalmente marcado pela luta dos milhões da Champions League da próxima época desportiva. Apesar do empate (0-0), este claramente serviu para o Sporting (pois permitiu aos Leões ficarem, confortavelmente, dependentes de si próprios para agarrarem o 2º lugar, em definitivo).

Na 1ª parte, muito devido à organização estrutural de ambas as equipas, foi possível ao Benfica ter superioridade numérica ofensiva no CCEN (corredor central), no entanto tal superioridade foi pouco aproveitada quer por Fejsa (quando com bola), quer por Varela (quando tinha a possibilidade de colocar a bola no homem livre). Também devido ao posicionamento defensivo do Sporting, era possível ao Benfica sair em construção curta através de apoio frontal aos centrais, por parte de médios (R. Dias – Pizzi; Jardel – Zivkovic) e, posteriormente, estes últimos – médios – abrirem nas opções livres por fora (Douglas do lado direito e Grimaldo do lado esquerdo). O Benfica ainda tentou algumas vezes esta possível saída, porém revelou pouco critério/consistência para progredir no terreno de jogo (seria um excelente caminho se melhor aproveitado).

Assim, durante a 1ª parte, vi-mos um Benfica com bola que, tanto quanto o Sporting, procuraram concentrar um grande número de jogadores do adversário num dos CLATs (corredores laterais) para, posteriormente, explorarem a menor concentração de jogadores adversários no lado contrário (o Sporting até revelou melhor critério neste tipo de dinâmica ofensiva do que o Benfica).

Um detalhe crucial de toda a partida: o Sporting é uma equipa que se caracteriza por colocar os seus centrais e laterais a seguirem, respetivamente, os movimentos interiores do Avançado e Alas do adversário. Todavia, na grande maioria das vezes (até porque jogam frente a equipas com inferior qualidade coletiva) tendem a desleixarem-se as coberturas. E foi exatamente neste ponto que a equipa de Alvalade voltou a mostrar fragilidades frente ao rival encarnado. Sempre que o Benfica conseguiu arrastar os laterais e centrais do Sporting para zonas interiores, as coberturas por parte de homens do Sporting não eram feitas e o Benfica poderia ter feito 2 golos em 2 lances assim (Rafa que atira ao poste e Samaris que isolado frente a Patrício, obriga a uma grande defesa do guardião leonino). Porém e apesar desta fragilidade defensiva do Sporting, o Benfica não soube explorar, mais uma vez, com critério esta possível vantagem.

O Sporting, com bola, revelou ser uma equipa algo descaracterizada daquilo que vinha sendo, isto é, revelou pouca capacidade para progredir no terreno de jogo, por dentro da organização estrutural do Benfica (conseguiu-o fazer muito mais por fora do que por dentro). Houve mérito do Benfica para impedir as receções de Bruno Fernandes, Bas Dost e Gelson por zonas interiores, todavia, fundamentalmente, durante a 1ª parte, o portador da bola leonino raramente encontrava soluções dentro da estrutura encarnada – daí o recurso algo “exagerado” à bola longa em profundidade (que nunca causou perigo para a baliza de Varela).

1ª parte

Relativamente à 2ª parte do Derby, o encontro revelou-se de menor qualidade no que à capacidade para construir e criar situações de finalização, diz respeito.

O Benfica voltou a mostrar menor fulgor, durante as 2ª partes, para desequilibrar o seu adversário. Os constantes desequilíbrios com bola e critérios posicionais verificados na 1ª parte, já não aconteceram na 2ª parte com tanta frequência.

Continuo a ter a mesma opinião: quando, nos vários jogos, o Benfica procura alterar de organização estrutural, passando de 1-4-1-4-1 para 1-4-4-2, a equipa deixa de ter o mesmo critério ofensivo (nomeadamente em encontrar soluções de progressão entre-linhas e dentro da estrutura do adversário), bem como, deixa de revelar o mesmo rigor defensivo (a linha de médios – Samaris/Fejsa – foi constantemente atacada, deixando, muito cedo, de haver proteções da 1ª linha defensiva do Benfica). O Benfica torna-se uma equipa muito exposta, muito cedo.

O Sporting, inicia a 2ª parte, novamente, com o recurso à bola longa. Posteriormente, quando procuram colocar (não sempre, mas constantemente) Battaglia – Bruno – Ruiz – Gelson por dentro, a equipa leonina começa a construir e criar situações de perigo eminente para a baliza encarnada. Isto é, a partir dos 75’, o Benfica teve que defender várias situações de inferioridade numérica (Fejsa – Samaris frente a Battaglia – Bruno – Ruiz – Gelson), que poderiam ter tido consequências bem piores para a equipa de Rui Vitória.

Terminado o Derby, sai o Benfica de Alvalade com a sensação de que poderia ter ganho o jogo e o Sporting com a sensação de que os milhões já poderão estar no bolso.

2ª parte

 

Para saberem mais sobre mim, bem como o meu percurso (académico e profissional) visitem: LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/nelsondiogoduarte/

@NelsonDuarteee

Anúncios