BOM JOGO APESAR DA DERROTA – Análise  tática botafoguense de Cruzeiro 1 x 0 Botafogo

Por Sergio Santana

Após três rodadas, o Botafogo conheceu sua primeira derrota no Campeonato Brasileiro. Diante do Cruzeiro, a equipe de Alberto Valentim fez um jogo quase perfeito defensivamente e, após levar um gol originado de lance de bola parada, saiu do Mineirão sem nenhum ponto, o que representou a queda para a 10ª colocação do torneio.

Apesar da derrota, a atuação do Botafogo não foi ruim. Em alguns momentos, faltou um pouco de criatividade no último terço do campo ofensivo, mas outros pontos, como o desempenho defensivo e a alta pressão devem ser exaltados. No segundo duelo diante de uma equipe do ‘primeiro escalão’ do país – já que o alvinegro enfrentou um Grêmio misto e desentrosado – o saldo é neutro, mas com a sensação de que poderia ser melhor.

Incômodo na saída de bola adversária

A pressão na saída de bola vem se tornando a principal cartada do Botafogo de Alberto Valentim. Nesta partida, obviamente, não foi diferente e, de praxe, Renatinho foi o jogador mais importante nesse contexto. Por vezes, o 4-1-4-1 original dava vaga a um 4-2-3-1 e até um 4-2-2-2, já que o camisa 11 se adiantava, chegando a ficar do lado de Brenner, para tentar trazer dificuldade à construção de jogadas por parte do Cruzeiro.

cru 1Renatinho e Brenner em conjunto, o que pode representar, apenas neste momento, um 4-2-2-2 por parte do Botafogo. Neste lance, o camisa 11 conseguiu recuperar a bola, mas o atacante finalizou para fora (Foto: Reprodução)

Apesar da importância de Renatinho na pressão, a atuação do meio-campo foi abaixo daquilo que ele vinha apresentando em outras oportunidades. Com apenas 31 passes certos (86% de aproveitamento), o jogador não foi capaz de oferecer a criatividade que a equipe precisava, pecando também em algumas cobranças de bola parada. Taticamente, porém, teve bons números: 5 duelos vencidos, 3 tentativas de drible sucedidas, 2 interceptações e 1 chute bloqueado.

Excelente atuação defensiva no último terço, mas, e no resto?

Inegavelmente, Dedé foi o grande destaque partida, com o gol da vitória e todos os cortes na defesa. Mas, a atuação de Joel Carli também não desejou a desejar: o argentino foi o principal nome do Botafogo no jogo, sendo o responsável por anular Sassá e, posteriormente, Raniel. Apesar do destaque do camisa 3, todos os integrantes da linha defensiva de Alberto Valentim tiveram um bom desempenho, o que exemplifica uma ótima atuação no terço defensivo do campo.

Por outro lado, a marcação do Botafogo em outros setores deixou muito a desejar. Com a intenção de continuar pressionando a saída de bola da Raposa, o alvinegro ficou, em muitas oportunidades, desprotegido no meio-campo, já que a maioria dos jogadores se encontravam adiantados, o que consequentemente gerava um espaço para o Cruzeiro antes da entrada da área.

cru 2Linha de quatro mais adiantada tenta pressionar o Cruzeiro, que consegue suportar a situação, o que gera um desequilíbrio para Rodrigo Lindoso, que fica sozinho contra Thiago Neves e Henrique. (Foto: Reprodução)

Nesse contexto, os jogadores do Cruzeiro, geralmente, possuíam espaço para pensar muito nesta faixa do campo e, como estava difícil de penetrar na segunda linha de quatro do Botafogo, alguns jogadores tentavam arriscar chutes de média distância, que obrigaram Jefferson a fazer algumas defesas. Outro fator desequilibrante para os mandantes foi a ‘marcação de olho’ do Botafogo: muitas vezes, Arrascaeta, Thiago Neves e Rafinha saíam desses espaços vazios até a entrada da área e não tinham o trabalho de se livrar de nenhum bote de algum marcador alvinegro, já que a maioria apenas acompanhava seus passos.

Efetividade abaixo da média dos jogadores de lado

Rodrigo Pimpão e Leonardo Valencia, apesar de ser importante na bola parada, não tiveram bons desempenhos na partida, já que pouco criavam pelos lados e viam o Cruzeiro assustar pelo setor. Com isso, Alberto Valentim colocou, logo no intervalo, Luiz Fernando no lugar do camisa 7 – o atleta que veio do Atlético-GO no início do ano, que passava por um bom período antes de se machucar, melhorou a equipe em termos ofensivos, ajudando no controle da bola e nas trocas de passes.

Após o gol do Cruzeiro, Valentim resolveu atacar de qualquer jeito para tentar reverter o resultado. As entradas de Kieza e do estreante João Pedro representaram um Botafogo oficialmente no 4-2-2-2, tendo a movimentação do atleta emprestado pelo Atlético-PR e Luiz Fernando como chaves para o funcionamento do esquema, que também não rendeu o esperado em termos de criação de chances, o que resultou em muitos cruzamentos pela parte do Botafogo.

cru 3Botafogo em parte do segundo tempo: João Pedro e Luiz Fernando pelos lados, um legítimo 4-2-2-2 (Foto: Reprodução)

A conta

A partida foi muito equilibrada. O Cruzeiro, de fato, esteve melhor no jogo, obrigou Jefferson a fazer algumas defesas e foi perigoso, principalmente nas jogadas que envolviam os atletas que recebiam a bola sem marcação no espaço entrelinhas do Botafogo, que, em uma tarde pouco criativa, viu nos cruzamentos e nos avanços de Gilson a possibilidade de tentar marcar, mas parou em uma tarde inspirada de Dedé.

A liberdade para os meio-campistas adversários foi o grande problema da equipe de Alberto Valentim, que, numa tentativa desenfreada de tentar pressionar a saída de bola, ficou desguarnecida e sofreu com os espaços deixados nesses setores. Com algumas mudanças no segundo tempo, a equipe equilibrou a posse da bola – 51% para os cruzeirenses e 49% alvinegros no total – e passou a criar mais, apesar do baixo número de finalizações corretas (apenas uma).

Mais uma vez, a bola aérea defensiva se mostra como o calcanhar de aquiles do time no ano. Foi o 13º tento sofrido originado de uma jogada pelo ar, o que representa metade dos gols que a equipe de General Severiano tomou em 2018 – contando jogos com Felipe Conceição e Alberto Valentim. Apesar da partida regular, um segundo de desatenção gerou a primeira derrota do alvinegro no Brasileirão.

@sergiostn_

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