GRÊMIO X ATLÉTICO PR: FOI UM SOPRO DE ESPERANÇA???

Por Juan Carlos e Rafael Lima

Fernando Diniz é um técnico com DNA futebolístico próprio e não abre mão dos seus conceitos de jogo, como dizem, com ele a “bola queima a grama” por 90 minutos.

O Grêmio idem, desde a passagem do técnico Roger Machado a equipe busca sempre o jogo apoiado e as triangulações. Renato Gaúcho chegou e acrescentou uma identidade vencedora (entre outros requisitos táticos e técnicos) coisa que o Grêmio parecia ter esquecido.

Com esses atributos, a partida foi muito aguardada.

Há alguns dias escrevi um texto sobre a monotonia que paira no futebol brasileiro.  https://mwfutebol.com.br/2018/04/22/a-monotonia-do-futebol-brasileiro/

Exceto as equipes citadas e o Corinthians, nenhum outro time tem um modelo de jogo estabelecido. Praticam invariavelmente um futebol aleatório. De bolas alçadas na área, escanteios e jogadas ensaiadas em bolas paradas e contra ataques. É importante citar o Corinthians, por que o modelo de jogo é muito diferente do aplicado por Grêmio e CAP, talvez menos plástico, procurando controlar mais o espaço do que a bola. Isso aponta que não é necessário todos jogarem da mesma forma, o importante é ter uma metodologia de jogo e seguir fielmente.

A partida das 19:00hs do dia 22-04-2018 ganhou mais notoriedade ainda, por que nos jogos anteriores da rodada (exceção ao jogo do Corinthians) , foi um festival de horrores. O Cruzeiro forte candidato ao título enfrentou o Fluminense com um jogador a mais por incríveis 75 minutos. Teve a bola por 65% do tempo, trocou 529 passes (50 errados) e fez inacreditáveis 50 cruzamentos (41 errados) dá quase um cruzamento a cada 10 trocas de passe. E perdeu por 1×0.

O Palmeiras venceu por 1×0 o Internacional, jogando muito mal. O mandante teve menos posse de bola (47% a 53%) trocou menos passes certos (323 contra 416) e finalizou 12 vezes (3 certas) contra 7 dos visitantes (2 no gol), ao final do jogo em entrevista o atacante Dudu questionou o fato de “todos” acharem que o Palmeiras vai atropelar todo mundo. Não vai. Mas a equipe desde a temporada passada esta no quarto técnico e não acha um rumo.

O São Paulo empatou sem gols contra o Ceará. Mesmo tendo investido R$51 milhões em contratações a equipe não sai do lugar (admitindo que o sistema defensivo esta bem sólido), nas últimas 6 partidas perdeu 2 vezes, empatou outras 3 e venceu 1 jogo acumulando 2 eliminações (Copa do Brasil e Campeonato Paulista). O Flamengo mesmo jogando em casa para mais de 50 mil torcedores trocou apenas 275 passes o mesmo número que o modesto (mas bem treinado) América MG e tomou uma enorme pressão no 2° tempo. Em todos os casos, alguns podem contestar argumentando que o que vale é os 3 pontos. Mas os jogos são de dar sono.

Na 1° rodada apenas o Grêmio venceu como visitante, na 2° rodada apenas o Corinthians (0x4 contra o Paraná) se tirarmos a partida do Timão, foram marcados apenas 12 gols na rodada, mais imprevisível e chato do que isso impossível.

Voltando ao jogo da Arena Grêmio, as duas equipes sabiam exatamente o que queriam em campo, e o que não queriam que o adversário fizesse. Por mais paradoxal que seja as duas equipes querem a bola, mas têm propostas de jogo bem distintas.

O Grêmio joga no 4-2-3-1,  com triangulações por dentro, afunilando o jogo pelo cone central do campo e espaçando o adversário com o rápido Everton pela esquerda e o faz tudo (muito bem) Ramiro pela direita. Defensivamente cede poucos espaços ao adversário. .

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                              Grêmio triangulando e Everton fazendo o “Facão”

A equipe de Fernando Diniz joga em um sistema mais híbrido e flexível.

Com a posse de bola espaça bem seus 3 zagueiros que contam com o apoio constante de Camacho, Lucho e por vezes Guilherme para a saída de bola, os alas afundam  nos extremos quase no campo ofensivo, os meias se movimentam bastante dando apoio aos alas e Guilherme e Pablo dão profundidade ao time. 

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                  Saída com 3 homens, Guilherme e camacho dando apoio na saída de bola.

Diniz entende que para jogar é necessário a bola, e a bola precisa se movimentar incessantemente e com velocidade para envolver o adversário. Entende também que é necessário espaço.

Por isso a equipe trabalha tanto com o goleiro e os zagueiros, para atrair o adversário e atacar os espaços criado as costas quando sobem a marcação.

A partir do momento em que o Atlético PR quebra a primeira linha, a equipe de Diniz parece uma hecatombe, os jogadores não guardam posição trocam passes e posições constantemente, até o gol adversário.

O Grêmio é mais vertical, gosta de massacrar o adversário já em seu campo ofensivo.

Sem a bola, o Atlético PR jogou no 5-4-1, e não fez muita pressão no portador da bola, o CAP se mostrou até aqui a equipe mais organizada defensivamente que Diniz treinou. 

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              CAP se defendendo com uma linha de 5, sem fazer pressão ao portador da bola.

 O jogo em si, teve incríveis 70% de bola rolando. Pra uma partida que teve 96 minutos de jogo, a bola rolou por quase 68 minutos.

As equipes somadas cruzaram 34 bolas, 22 do Grêmio e 12 do CAP (o Cruzeiro sozinho alçou mais bolas do que os dois). A posse de bola foi quase um empate técnico (Grêmio 49% e CAP 51%).

O interessante da partida é que as duas equipes tinham seu modelo de jogo bem entendido, e tentaram impor perante seu adversário.

Porém nem tudo são flores, a partida foi agradável, bem jogada, disputada em alto nível e com um grau de intensidade altíssimo.

Estamos tão carentes de bons jogos que a partida ganhou uma conotação um pouco maior do que o jogo realmente foi. Não foi a aula de futebol que o técnico Renato Gaúcho falou, mas foi uma bela partida, agradável de ver.

Faltou profundidade as duas equipes, o Grêmio não tinha enfrentado uma equipe que se defende com linha de 5, pode ter servido como aprendizado. As bolas cavadas nas costas dos três zagueiros com a infiltração dos homens de meio campo poderia ter funcionado, não ocorreu nenhuma vez na partida.

A equipe poderia ter explorado mais a velocidade de Everton dobrando com Cortez pelo lado esquerdo.

Mesmo jogando fora de casa o Atlético PR não mudou seu estilo de jogo, quis bola o tempo todo, mas pouco jogou no campo ofensivo, trocou muitos passes no campo de defesa, conseguiu superar poucas vezes a 1° linha gremista.

Guilherme que tecnicamente é um jogador incrível mostrou muitas dificuldades jogando contra uma equipe que cede pouco espaço e marca com muita intensidade.

Outro fator importante foram as finalizações, 20 do Grêmio (14 erradas) contra 6 do CAP (5 erradas), Marcelo Grohe não sujou o uniforme.

O número de passes assustou também (GRE 556 e CAP 593), e assustou também o número de passes errados (GRE 41 e CAP 65) o CAP aliás foi o time que mais errou passes em um único jogo até aqui no BR18. Essa quantidade de passes errados pode explicar o baixo número de finalizações e contundência das equipes, tomadas equivocadas no terço final dificultaram finalizações mais qualificadas.

No futebol existem muitas variáveis, algumas podem ser controladas. O que é incontrolável é o resultado das partidas.

No entanto você pode controlar se vai jogar bem ou não, o resultado apenas ao final de 90 minutos será conhecido.

Foi uma partida de equipes que tem identidade, quisera todas as equipes se espelhassem nesses bons exemplos, e encontrar seu DNA (independente do modelo de jogo adotado) e pratiquem um bom futebol dentro de cada proposta.

Há uma luz no fim do túnel, no Atlético PR ainda há muita margem para crescimento, a ideia e os conceitos estão lá, precisam de amadurecimento e tempo para melhor desenvolve lá.

Que todos enxerguem essa luz, e não fiquem apenas torcendo pelos zagueiros do CAP falhar em uma saída de bola para dizer “Esta vendo, eu falei que isso na série A não dá certo”.  O futebol agradece.

@10juancarlitos e @rafjoga101983

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